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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Conectoma



     O conjunto das ligações entre os neurônios é chamado de conectoma. Conhecê-lo é fundamental porque a genética, sozinha, não basta para definir as características do cérebro de uma pessoa. Os genes não gravam as memórias adquiridas ao longo de uma vida. Um tombo de bicicleta, o primeiro beijo ou o aprendizado de um segundo idioma não deixam sua assinatura na molécula de DNA.
     A maior parte do que se conhece sobre o funcionamento do cérebro provém de estudos de danos causados por lesões e tumores. O diagnóstico em saúde mental mudou muito nos últimos 100 anos, mas quando ganharem acesso à gramática do conectoma, os cientistas poderão visualizar  a doença mental e trata-la corrigindo as alterações que ela provoca no cérebro.
   O Projeto Conectoma Humano, liderado por pesquisadores americanos, utiliza o que há de mais avançado em imagens do cérebro para identificar o caminho provável da comunicação entre os neurônios.
- A pesquisa é feita com a reconstrução tridimensional da posição das fibras a partir da movimentação das moléculas de água, captada com aparelhos de ressonância magnética.
- Essa movimentação da água no tecido cerebral indica a direção das fibras, que são identificadas por um padrão de cores na representação feita em computador chamada de tractografia.
- Cada uma das fibras coloridas reúne milhares de axônios, os prolongamentos dos neurônios.
    As imagens demonstram que as vias neurais na substância branca (parte do cérebro que conecta os axônios) são organizadas como ruas de uma cidade planeada, e não um emaranhado caótico como um prato de macarrão, como se acreditava.
TONS DE VERMELHO
DIREÇÃO:  da esquerda para a direita
O vermelho-escuro mostra as fibras mais associadas ao corpo caloso, que liga os dois hemisférios cerebrais.

TONS DE VERDE
DIREÇÃO: da frente para trás
O verde-limão representa as fibras que conectam os olhos ao córtex cerebral

TONS DE AZUL
DIREÇÃO: do topo do cérebro para a medula espinhal
O azul-escuro representa, grosso modo, as fibras que vão do córtex até a medula.

Fonte:
GIANINI, Tatiana.  A mente ao vivo e em cores. REVISTA VEJA. Edição 2311/ Ano 46/ nº 10 / 6 de março de 2013.

Da linguagem ao conectoma


As principais descobertas da neurociência moderna



NEUROLINGUÍSTICA
O médico francês Paul Broca (1824-1880) descobriu que a área do cérebro responsável pela fala fica no hemisfério esquerdo.
O alemão Carl Wernicke (1848-1905) desvendou o efeito que lesões numa região à frente do giro temporal superior têm na compreensão das informações da fala.

DISTRIBUIÇÃO DE FUNÇÕES
O Neurofisiologista inglês Charles Sherrington (1857-1952) estudou a ligação entre o cérebro e a medula espinhal. A partir disso, descobriu a natureza distributiva do cérebro e a sua capacidade de fazer o corpo inteiro funcionar simultaneamente.

CONSCIÊNCIA
O neurocientista português António Damásio estudou o papel do lobo frontal na tomada de decisões. O biólogo molecular inglês Francis Crick (1916-2004), um dos descobridores da estrutura do DNA, teorizou que apenas uma parte dos neurônios do cérebro seria responsável pela consciência e que talvez ela não seja inata.



MEMÓRIA
 O filósofo americano Erick Kandel elucidou os sistemas químicos da memória de longo prazo.
Imagem: Livro Psicologia uma abordagem concisa - Editora Artmed

PLASTICIDADE
 O americano Michael M. Merzenich foi pioneiro na pesquisa da plasticidade, ao identificar, que em algumas situações, uma região do cérebro pode assumir as funções antes desempenhada por outra área.



RESSONÂNCIA
 O japonês Seiji Ogawa aplicou a tecnologia da ressonância nuclear magnética funcional para visualizar como as regiões do cérebro são ativadas por estímulos internos e externos.
 
Pesquisadores descobriram que a região do cérebro excitada quando alguém fala de si mesmo é a mesma ativada por comida e sexo

CONECTOMA
 Em 1986, um grupo de pesquisadores liderado pelo americano John White concluiu o mapeamento do sistema nervoso de um verme, o C. Elegans. Em 2005, o neurocientista alemão Olaf Sporns foi o primeiro a usar o termo conectoma para se referir ao mapa das conexões neurais no cérebro.



Fonte: Mauro Muszkat, neurologista e professor da Unifesp. Disponível na revista Veja de 6 de março de 2013

sábado, 30 de março de 2013

O que é aprendizagem? (na percepção da Neurociência)



        A aprendizagem é um processo e depende fundamentalmente de experiência, o nosso cérebro aprende por tentativa e erro, ele vai se esculpindo a si próprio conforme ele é usado. (HERCULANO-HOUZEL). Aprendemos na medida em que experimentamos e fazemos novas associações.
     Existe uma demanda muito grande pela aplicação prática do conhecimento: como podemos aprender melhor?
     Os fatores que mais influenciam no aprendizado elencados pela Neurociência são: EXPERIÊNCIA (ter muitas vivências, explorar diversos materiais, locais, interagir com diversas pessoas de diferentes contextos), PRÁTICA (métodos adequados, lembrar que não existe um método para tudo cada indivíduo possui as suas sincrasias, diante de suas facilidades ou dificuldades particulares, cada um vai precisar de um método), dedicar a ATENÇÃO (para aquilo que se está fazendo, não há como fazer duas coisas ao mesmo tempo, pois nosso foco fica alternando entre uma coisa e outra) e o principal é a MOTIVAÇÃO (se o indivíduo não tiver interesse, poderá até praticar, mas o resultado não será tão eficiente). 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Como a neurociências pode ajudar o ensino aprendizagem?




MULTISSENSORIALIDADE
Usando mais os sentidos= mais vias de acesso da informação ao cérebro. Se a realidade permitir, explorar o uso de recursos multimídia: computador, celular, Datashow, internet, música. Muitos sentidos são estimulados quando os estudantes trabalham em grupos fazendo pesquisas no computador e utilizando outras tecnologias. O trabalho é bastante visual, auditivo e sinestésico, além das habilidades sociais.
Sugestão: trabalhos em grupo, gravação de vídeos sobre fatos históricos, depoimentos e entrevistas.

MOTIVAÇÃO
Demonstre por meio do exemplo de alguns alunos o que os outros estudantes são capazes de fazer;
Use diferentes métodos pedagógicos para alcançar todos os alunos
Utilize preferencialmente o canal visual, mas não esqueça do auditivo e do sinestésico;
Ofereça  um “menu” de tarefas de diferentes graus de dificuldade, permitindo a possibilidade de escolha;
Proporcione desafios e competições sem perdedores e vencedores.

RECOMPENSAS
Educar para o adiamento de recompensas é fundamental, mas saber recompensar com criatividade em sala de aula pode ser decisivo na promoção da motivação. SUGESTÃO; dedicar um intervalo da aula para piadas, canções, jingles, acesso á mídia digital, etc, Se a atenção e participação de todos forma adequadas no momento combinado.
CONHECIMENTO PRÉVIO – Dificilmente vai haver aprendizagem se a informação nova não estiver contextualizada e conectada a conhecimentos que já existem no cérebro da criança.
SUGESTÕES: antes de iniciar um tema, dedique alguns minutos para que os alunos escrevam o que sabem sobre o assunto. Depois faça sua exposição sobre o tema e peça para que eles associem esse novo conhecimento com os conhecimentos prévios e apresentem ao grupo suas impressões.

EXPLORANDO AS MEMÓRIAS:
- A melhor forma de fixar uma informação textual difícil, semântica, é transferi-la para outra modalidade de memória: episódica (factual), processual ou automática.
- Explore bastante a memória episódica: emoção, fatos e visão.
- Trabalhe a memória processual. O movimento reforça o aprendizado e a memória. Promova repetição role play (jogo de interpretação de papéis), paródias, digitação, mudança de assento.
- Explore  a memória processual por meio da resolução de problemas;
- Desenvolva a memória automática ( condicionamentos): rimas, ritmos, músicas, jingles.
- Explore a amígdala (região do cérebro importante para o conteúdo emocional ligado às memórias): alegria, tristeza, medo, aceitação, antecipação e raiva;
- Reduza a interferência do estresse;
- Dê pausas durante as explicações permitindo que os alunos façam anotações;
- Faça revisões frequentes a cada 5-7 tópicos.
- A memória é mais facilmente sedimentada quando o aluno elabora seus próprios exemplos ou quando ele é solicitado a explicar as diferenças. Peça demonstrações e explicações;
- Antes de iniciar um ponto utilize alguns minutos para recordar o anterior, criando assim elos de conhecimento (atenção e memória);
- Uma soneca após uma manhã inteira de estudo melhora a retenção de informações tanto de memória semântica quanto episódica.

Fonte:
D’Elboux, Yannik. Desvendando o cérebro. Revista Profissão Mestre, set/2011

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O ato de aprender não depende só do cérebro, mas da saúde em geral.




Exercícios físicos – aumentam a quantidade de fatores neurotróficos[1] que contribuem para estabilização das sinapses e para manutenção de memórias.



Alimentação – uma dieta balanceada, incluindo proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e vitaminas, possibilita o funcionamento das células nervosas, a formação de sinapses e a formação de mielina, estrutura que participa da condução das informações entre redes neurais.



- Problemas respiratórios que perturbam o sono, anemia que reduz a oxigenação do neurônios, dificuldades auditivas e visuais não facilmente detectadas, entre outros fatores, podem dificultar a aprendizagem.

    Há outros fatores que também influenciam na aprendizagem: - Aprendizes privados de material escolar adequado, de ambiente para estudo em casa, de acesso a livros e jornais, de incentivo ou estímulo dos pais e/ou dos professores, e pouco expostos a experiências sensoriais, perceptuais, motoras, motivacionais e emocionais essenciais ao funcionamento e reorganização do sistema nervoso, enfim tudo isso pode levar à não aprendizagem sem que apresentem alguma alteração cerebral.

                                                                                GUERRA/2011




[1] Fatores neurotróficos são polipeptídicos que através de receptores específicos agem no:
- desenvolvimento; - sobrevivência; - manutenção de neurônios.
- são essenciais para a sobrevivência do sistema nervoso central e do periférico em desenvolvimento
- a classe de fatores neurotróficos mais conhecida é a das neurotrofinas: quatro principais neurotrofinas foram isoladas de mamíferos:
- o NGF (nerve growth factor)
- o BDNF (brain-derived neurotrophic factor)
- a neurotrofina 3 (NT-3)
- a neurotrofina 4/5 (N 4,5)
                                           Copray et al., 2000

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Qualquer semelhança é mera coincidência...será?




      Um princípio simples de neurônios espelho é "o macaco vê, o macaco faz"...
     E quantas vezes nos vemos justamente imitando comportamentos daqueles que estão mais próximos ou, quantas vezes nos deparamos com pessoas que sentem tanta empatia pela nossa pessoa que querem se "apropriar" de nossos comportamentos...
       E dentro desta perspectiva, cabe a cada um olhar para dentro de si e pensar: "que modelos quero seguir, ou que modelos de comportamento estou emitindo aos que me seguem"...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Autodidatismo amigável ao cérebro: três pilares


Tudo leva a crer que as mudanças na educação finalmente terão que acontecer, seja pela evolução da escola atual ou pelo seu colapso.  No entanto, o sistema formal de ensino é um organismo gigantesco e complexo, que tem seguidamente mostrado dificuldades em incorporar os avanços da ciência e da tecnologia no seu dia-a-dia no ritmo necessário. É conhecida a piada que diz que se um cidadão do século XIX viajasse no tempo e viesse parar nos dias de hoje, a única coisa que ele reconheceria sem dificuldades seria a sala de aula...
Enquanto isso, o mundo caminha a passos largos para um futuro onde a capacidade de digerir e apreender grandes quantidades de informação será tão fundamental quanto a capacidade de ler e escrever é hoje em dia. Para tornar a situação um pouco mais complicada, a quantidade de dados novos sendo gerada a cada instante pela humanidade tende ao infinito. A cada minuto, nós produzimos mais informação do que é humanamente possível consumir em um ano. Ou seja, precisamos saber aprender muito, e rápido.
Mas enquanto isso não acontece, o que nós -- filhos dos últimos suspiros do sistema educacional "industrial" -- fazemos para lidar com esse "admirável mundo novo"?
A resposta está na busca da autonomia cognitiva: precisamos aprender a aprender sozinhos ou com bem pouca ajuda. As gerações atuais não podem se dar ao luxo de esperar que os educadores passem a ser realmente mais um auxílio e menos um empecilho a nossa aprendizagem. Em outras palavras, precisamos ser autodidatas e construir nossos próprios caminhos de aprendizagem.
O primeiro passo nessa direção é entender como nossos cérebros aprendem, e, a partir desse conhecimento, criar para nós mesmos as condições que a escola de hoje não consegue proporcionar para aprender de forma eficiente e eficaz. Mas em que a neurociência contemporânea pode ajudar neste desafio de nos tornarmos os nossos próprios educadores?
Um pouco de história
A década de 90 ficou conhecida como a década do cérebro, e a principal responsável pelo início daquela que foi uma verdadeira revolução no conhecimento desta pequena maravilha que temos entre as duas orelhas foi invenção da ressonância magnética funcional (RMF). Capaz de registrar o funcionamento do cérebro em imagens, e sem a necessidade do uso de radiação, a RMF tornou possível o estudo extensivo e ao vivo de cérebros saudáveis, enquanto as pessoas realizavam diferentes atividades cognitivas.
Não demorou muito para que educadores e pessoas interessadas em aprendizagem se interessassem pelas novidades que estavam sendo descobertas todos os dias nos laboratórios dos neurocientistas. Afinal, o sistema educacional no mundo todo já dava sinais da imensa crise que atravessa hoje, e era natural que se começasse a procurar saídas.
A seguir, são discutidas algumas das principais descobertas da neurociência que afetam diretamente a aprendizagem. Em seguida são apresentadas algumas ideias de como pessoas autodidatas podem utilizar esses conhecimentos para aprender mais e melhor por conta própria.
Sinto, logo existo
Está cada vez mais claro que as emoções afetam diretamente e de forma mensurável a capacidade de aprender. Esta descoberta que não chega a surpreender, já que confirma aquilo que qualquer aprendiz já sabe por experiência própria: estudar irritado com a discussão havida ontem com o colega de trabalho não funciona muito bem. Nesse caso, é melhor usar os neurônios buscando soluções para o problema, para depois retomar o estudo com mais foco e concentração. 
Mas é possível ir um pouco além do óbvio aqui: a relação entre emoções e capacidade de aprendizagem deixa claro que uma vida equilibrada é fundamental na conquista da autonomia cognitiva. Estudar horas a fio e deixar outros aspectos importantes da vida sem a devida atenção normalmente é menos eficiente que estudar por um tempo menor. Claro, supondo que usamos o restante do tempo para garantir as condições psicológicas necessárias para nos concentrarmos naquilo que estamos tentando aprender.
Formação da Memória
Apesar da má-fama da tenebrosa "decoreba", o fato é que sem memória, não há aprendizagem. A diferença é que a "decoreba" é a memorização mecânica e sem significado, que se perde rapidamente após alguns dias. Já uma boa memória de longo prazo (MLP) é essencial para aprendizagem e se constrói através de associações significativas com aquilo que já se conhece, além de repetições que reforcem a rede neuronal responsável por essas novas associações.
Uma das descobertas de aplicação prática mais imediata nesta área é o papel fundamental do sono na consolidação da MLP. Ou seja, dormir mais tarde para estudar pode não estar sendo tão proveitoso quanto você imagina: você pode até estudar mais tempo, e eventualmente aumentar a sensação de "dever cumprido", mas na prática acaba aprendendo menos. 
Outro fator fundamental para uma memorização eficiente é o intervalo entre as repetidas exposições à mesma informação. A consolidação da memória é, essencialmente, um processo químico, e como tal, não acontece instantaneamente. Ao contrário, as pesquisas mostram que é preciso um intervalo de tempo significativo para uma certa quantidade de informação "assentar" nos nossos neurônios. Esse "assentamento" se traduz concretamente no engrossamento da camada de mielina que recobre o caminho neuronal recém-formado. E quanto mais mielina em uma rede de neurônios, mas rapidamente a informação trafega nesse caminho, e menos esforço é necessário para nos lembrarmos das informações contidas nele.
Experimentos práticos com estudantes como os da aprendizagem espaçada(link) mostram que intervalos em torno de 10 minutos entre sessões de estudo podem multiplicar muitas vezes a eficiência da memorização de grandes quantidades de informações.
Em resumo, para termos uma boa memória (e portanto aprender mais) precisamos revisar as novas informações em intervalos regulares e dormir tudo o que o nosso cérebro tem direito.
Para aprender, tem que se mexer!
Neste item, as escolas estão totalmente na contramão da ciência. A movimentação do corpo aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro, melhorando a sua nutrição e oxigenação, o que comprovadamente melhora a aprendizagem. Ou seja, do ponto de vista do nosso cérebro, as famigeradas filas de carteiras apertadas onde os estudantes são obrigados a ficar sentados por horas a fio estão bem longe de representar o cenário ideal para a aprendizagem.
Isso também vale para aquela escrivaninha em que passamos horas e horas sem sequer levantar para beber água. Além de não dar os intervalos necessários para a formação da memória, essa situação pode, literalmente, deixar seu cérebro dormente!
A incorporação dessa informação na nossa vida de autodidatas pode ser feita sob dois pontos de vista: um deles é a prática de exercícios regulares. O outro é a movimentação durante pelo menos alguns dos nossos períodos de estudo. Ou seja, por incrível que pareça, aquela caminhada no parque que você faz ouvindo uma aula gravada pode ser bem mais produtiva que ouvir o mesmo material na própria sala de aula ou deitado no sofá. Não só porque você está aproveitando o tempo, mas também porque o seu cérebro está em melhores condições de capturar a informação.
Neurogênese: nunca é tarde para aprender
As descobertas mais festejadas dos últimos anos giram em torno da neurogênese, o processo de formação de novos neurônios. Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que neurônios só eram formados durante a infância. Mas hoje, está comprovado que a neurogênese ocorre durante toda a vida. Na vida adulta, ela se concentra em uma área do cérebro chamada de hipocampo, que é justamente onde a memória de longo prazo é formada. Ora, se aprender é armazenar informações significativas na memória de longo prazo, a consequência é óbvia desse fato é: podemos sim, aprender coisas completamente novas a partir de qualquer idade. As universidades da Terceira Idade estão aí para comprovar.
Neuroplasticidade: nem tudo está perdido
Atualmente sabe-se que, além de formar novos neurônios, o cérebro é capaz de modificar a sua estrutura em qualquer momento da vida. Novas conexões entre os neurônios são formadas o tempo todo, e redes cerebrais inteiras podem literalmente "migrar" de um lugar para o outro em caso de necessidade.
A neuroplasticidade significa que grande parte dos danos físicos  que podem acontecer ao cérebro tem boas chances de ser recuperados com “re-treinamento” da pessoa para as funções afetadas, que passam pouco a pouco a ser controladas por outras regiões diferentes daquelas originalmente utilizadas. É o caso de pessoas que ficam cegas e passam a usar o córtex visual para funções de tato, por exemplo.
A palavra-chave do parágrafo anterior é "re-treinamento". Quando estamos falando de aprendizagem, a neuroplasticidade comprova a nossa capacidade virtualmente ilimitada para aprender coisas novas, mesmo em áreas onde a pessoa inicialmente não tenha uma grande habilidade previamente desenvolvida.
Em termos concretos, a neuroplasticidade significa que é possível sim -- através do treinamento consistente -- aprender uma segunda língua depois de adulto ou tornar-se proficiente em leitura ou matemática mesmo com um histórico de dificuldades nessas áreas. A esse  "treinamento consistente", dá-se o nome de prática deliberada, expressão que se consagrou e popularizou nos últimos anos com a publicação do livro "Fora de Série", de Malcom Gladwell, seguido depois por vários outros autores.
Os três pilares
Da discussão anterior é possível resumir três grandes pilares para um autodidatismo competente e eficiente:
·       ter uma vida equilibrada - física e emocionalmente
·       estudar sempre, revisando de forma intervalada
·       fazer uso de técnicas de prática deliberada para consolidar novos conhecimentos e habilidades
É importante ressaltar que esses pilares -- aparentemente simples -- não são técnicas de “autoajuda” baseadas em casos isolados e sem comprovação. Na verdade, eles são derivadas diretamente das mais recentes contribuições da neurociência para a aprendizagem. Vale, portanto, prestar um pouco mais de atenção a eles.


[i] Autora do livro “Histórias de Aprendizagem” (http://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3rias-de-Aprendizagem-ebook/dp/B00B8BRKYY/
e do vídeo-blog VideoAulas ByAna (http://www.facebook.com/VideoAulasByAna ), Ana Lopes tem Doutorado em Ciência da Computação e paixão irremediável por aprendizagem.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Ensinar e aprender...



Para a eficácia de uma aprendizagem pautada nos Quatro Pilares da Educação (Delors,1999): “aprender a conhecer” , “aprender a fazer” , “aprender a ser” , os profissionais da educação devem ter conhecimento  dos processos cerebrais, pois:
- Como ensinar “a conhecer” se nossos conhecimentos forem limitados?
- Como ensinar “a fazer”, se desconhecemos os processos que levam à aprendizagem?
- Como ensinar “a ser”, se nossa inteligência emocional se mostra prejudicada?
- Como ensinar “a viver junto”, se desconhecemos que nem sempre precisamos concordar ou discordar das situações, mas simplesmente compreender?
Ter conhecimento do funcionamento cerebral é entender como o conhecimento humano vem a se organizar, de que forma as emoções influenciam na aprendizagem, enfim postular aquilo que Sócrates já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”.
Como estamos na era da informação, o saber por si só não evidencia que somos bons educadores (aliás, esta afirmativa pode se fazer presente em qualquer profissão), o diferencial de hoje é justamente saber como transmitir o nosso saber, que mecanismos utilizar para que a aprendizagem realmente seja eficaz, pois como escrito antes, estamos na era da informação, mesmo o aluno com a menor idade que tiver, ao vir para o mundo escolar, ele já traz muitas informações agregadas a ele.
No entanto, existe algo a ser lembrado: “informação” não é “conhecimento”. E esse é o grande diferencial do educador, ele não é um ser somente de informação, mas ele sabe, ou deveria saber, “transmitir” o conhecimento. 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Funcionamento do cérebro

    De forma bem sucinta o neurocirurgião Santino Lacanna da UNIFESP mostra quais as regiões corporais atingidas , caso ocorra alguma lesão em determinada área do cérebro.


domingo, 21 de outubro de 2012

Como a neurociência está invadindo as salas de aula




A neurociência é o estudo do sistema nervoso. Ele contempla diversas áreas como a medicina, química, biologia, matemática, engenharia, linguística, entre outras. Com tantas ciências envolvidas, é no mínimo um desafio pensar como as pesquisas de laboratório podem estar presentes em sala de aula. Porém, como os exemplos a seguir deixam claro, o relacionamento entre a educação e as pesquisas é uma realidade que tem aprimorado cada vez mais o processo de aprendizagem e ensino.

Confira nove exemplos de como a neurociência está invadindo as salas de aula:

Como a neurociência está ajudando a educação: 1. Ensino cognitivo

Mesmo em estágio inicial, o ensino cognitivo já mostra sinais de que é um dos resultados mais promissores da relação entre a neurociência e a educação. O ensino cognitivo é extensamente pesquisado na Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, onde os programas de álgebra desenvolvidos pelos pesquisadores já ajudaram os alunos a aumentarem seus rendimentos em matemática.






Como a neurociência está ajudando a educação: 2. Horário das aulas

Pesquisas no ramo da neurociência revelaram que os padrões de sono das pessoas mudam de forma significativa enquanto elas envelhecem. Além disso, os estudos mostram que os adolescentes necessitam de mais descanso que outras faixas etárias e que suas capacidades cognitivas são muito menores no início da manhã. Esses resultados já provocaram diversas mudanças, inclusive na alteração dos horários de início das aulas para estudantes do ensino médio. Apenas 30 minutos de diferença causam um enorme impacto no humor e atenção dos jovens.



Como a neurociência está ajudando a educação: 3. Variedade no aprendizado

Muitas pessoas acreditam que a repetição é melhor maneira de aprender e reter conteúdos, mas pesquisas recentes mostram que os estudantes aprendem mais quando suas aulas são espaçadas em horários diferentes, ao invés de concentradas em um único episódio. Os resultados desses estudos têm sido colocados na prática por professores que apresentam as informações de maneiras diferenciadas, pedindo aos alunos que resolvam problemas usando múltiplos métodos e não memorizando apenas uma maneira de solucioná-los.




Como a neurociência está ajudando a educação: 4. Aprendizado personalizado

A anatomia de nossos cérebros pode ser similar, mas a maneira como cada um aprende não é. Sabemos isso por experiência pessoal, mas a neurociência começa a demonstrar cientificamente. Ferramentas de ensino são desenvolvidas para que adaptem às necessidades individuais de cada um e professores procuram encorajar maneiras personalizadas que os alunos podem usar para aprender melhor e com mais eficiência.




Como a neurociência está ajudando a educação: 5. A perda de informações

Uma experiência vivida por muitos estudantes quando voltam das férias é a sensação de que se esqueceram de tudo que foi aprendido no semestre anterior. Pesquisas mostram que isso é realmente verdade. Os resultados revelam que, além disso, pessoas que costumam manter o hábito de exercitar seus cérebros continuamente, por exemplo, com livros mais difíceis, possuem mais conexões e variedades de ligações neurais. Como consequência, muitas escolas estão diminuindo o tempo de férias ou desenvolvendo cronogramas de atividades anuais para que os alunos reduzam o tempo que passam fora da escola e não prejudiquem sua memória e rendimento.


Como a neurociência está ajudando a educação: 6. Problemas de aprendizado

As pesquisas realizadas pela neurociência estão facilitando o processo de identificação de alunos com problemas de aprendizado, como a dislexia, e ajudando-os a identificar intervenções que podem melhorar seus desempenhos.








Como a neurociência está ajudando a educação: 7. Diversão em sala de aula

É cada vez maior a evidência de que a diversão é uma experiência muito positiva para o aprendizado. Isso acontece porque experiências satisfatórias fazem com que o corpo libere dopamina, ajudando o cérebro a se lembrar dos fatos com mais agilidade. Um ótimo exemplo de como isso funciona é o Khan Academy, um portal de aprendizado online que desafio os alunos a completarem desafios e tarefas para que ganhem distintivos.




Como a neurociência está ajudando a educação: 8. A importância do estudo em grupos

O estudo em grupos é extremamente eficiente para o desempenho acadêmico. Uma pesquisa realizada em 2011 pela neurologista Judy Willis mostrou que estudantes que trabalham em grupos experimentam um aumenta na liberação de dopamina, ajudando os alunos a lembrar mais das informações em longo prazo. A pesquisadora descobriu que, além disso, aprender em grupos pode reduzir a ansiedade dos estudantes.


Como a neurociência está ajudando a educação: 9. Neuroeducação

Se você nunca ouviu falar da neuroeducação, então é hora de se atualizar. Atualmente, no Brasil, já possuímos até mesmo pós-graduação nessa área. Por meio da prática é realmente possível mudar a forma como nosso cérebro é estruturado, acrescentando mais conexões cerebrais e mudar os padrões neurais por meio da neuroplasticidade permitida pelos nossos neurônios.


Texto extraído de Universia Brasil