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| Imagem: OurAmazing Planet |
Se lhe contarem um segredo e
pedirem para não contar para ninguém, você consegue?
Guardar um segredo é mais ou menos como mentir. As duas coisas
dependem do córtex pré-frontal, uma parte da frente do cérebro, conseguir
conter seu ímpeto de fazer sempre o mais fácil: falar a verdade. É isso mesmo:
contar a verdade, contar tudo, é a tendência natural do cérebro.
Quer experimentar? Então vamos lá: responda rápido e em voz alta
com uma mentira: Em que cidade você nasceu?
A primeira resposta que vem à cabeça é a verdade, aquela que seu
cérebro aprendeu com a experiência a associar às ideias "cidade",
"eu" e "nascer".
Ao encontrar a resposta verdadeira sem fazer esforço, as áreas
do seu cérebro que produzem a fala se preparam para dizer a verdade. Para
mentir, é diferente, bem mais complicado. O córtex pré-frontal tem que
conseguir eliminar a resposta verdadeira.
Depois tem que buscar no seu banco de dados cerebral uma
resposta alternativa: o nome de outra cidade, a mentira.
Essa busca exige o funcionamento de outras regiões que cuidam da
linguagem. Nessa confusão toda, uma parte do cérebro especializada em conflitos
é fortemente ativada.
É o córtex cingulado anterior. Ele chama nossa atenção para o
problema a resolver. No caso, pôr de lado a verdade, achar uma mentira, e ainda
não dar com a língua nos dentes.
Enquanto você mente ou esconde um segredo, é como se essa parte
do cérebro ficasse gritando: "mas eu sei que não é isso!!", o que
deixa qualquer um aflito.
Mas pelo menos para os segredos, a neurociência tem um
remedinho. Se você não aguenta guardar seu próprio segredo, mas não também não
quer que ele se espalhe por aí, conte para duas pessoas ao mesmo tempo. Você
chama as duas e conta tudo.
Assim elas poderão aliviar seu cingulado anterior falando sobre o segredo uma
com a outra e ele ficará a salvo dos outros por mais tempo.
Fonte: Fantástico/ Globo


