O cinema nos convence de que o diálogo vem da boca dos atores
em vez dos alto-falantes espalhados pela sala. Na dança, os ritmos do corpo
imitam ritmos sonoros cineticamente e visualmente, parecendo ser uma só
coisa...
Conforme o filósofo David Chalmers, dentro da neurociência o estudo
do cérebro tem ajudado a superar alguns estigmas que nos foram apresentados por
mais de séculos. No decorrer da história existem diversas situações em que
pessoas não tinham explicações para fatos ocorridos com elas.
Um exemplo típico
disso seria o caso dos sinestetas. Já ouviu falar?
Dê uma olhada na imagem... consegue encontrar algum
triângulo nela?
Agora olhe novamente, porém observe à direita a maneira que os sinestetas visualizariam esta imagem...
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| Os números "2" formam o triângulo |
Sinestesia é uma condição na qual um sentido (por
exemplo, da audição) é simultaneamente percebido como se por um ou mais
sentidos complementares, tais como visão. Outra forma de sinestesia junta
objetos como letras, formas, números ou nomes de pessoas com uma percepção
sensorial, tais como cor, cheiro ou sabor. A palavra sinestesia vem de duas
palavras gregas, syn (junto) e aisthesis (percepção). Portanto, a sinestesia,
literalmente, significa "percepções unidas."
Por exemplo, se pensarmos na palavra banana, o mais comum
é lembrarmos da imagem da banana, sinestetas podem além da imagem da banana, ver
a palavra banana escrita na cor amarela, projetada à frente de seus olhos,
podem sentir o gosto da banana, o cheiro da banana, tudo isso em frações de
segundos.
Também é comum perceberem o alfabeto e os números com
cores diferenciadas, sendo que no caso da banana, a escrita também poderia
aparecer para eles desta forma...
A sinestesia pode envolver qualquer um dos sentidos. Há sinestetas
que ouvem sons em resposta a cheiro, cheiro em resposta ao toque, ou que sentem
algo em resposta a visão. Há algumas pessoas que possuem a sinestesia que
envolve três ou até mais sentidos, mas isso é extremamente raro. Segundo
Grossenbacker, a visão de um sinesteta normalmente são percebidas fora do
corpo. “As cores e os movimentos se formam em uma espécie de tela virtual,
localizada a cerca de meio metro de distância do olhos”
Percepções sinestésicas são específicas em cada pessoa.
Diferentes pessoas com sinestesia quase sempre discordam em suas percepções.
Segundo o neurologista Richard Cytowic, longe de ser
raro, a sinestesia é comum – um em cada 23 indivíduos tem algum tipo de
sinestesia.. Mentes que funcionam de maneira diferente não são tão estranhas assim.
Por exemplo, muitos artistas, poetas e romancistas têm a capacidade de vincular
ideias aparentemente não relacionadas entre si, como se fosse uma metáfora.
Para Herculano-Houzel existem alguns tópicos importantes
em relação a sinestesia:
1) sinestesia não é doença (pois não diminui a qualidade
de vida), e sim uma variação da maneira como o cérebro processa sinais dos
sentidos; 2) a sinestesia é herdada geneticamente, e portanto muito mais comum
em famílias que já têm um ou mais sinestetas; 3) não tem tratamento (e por que
teria, ou por que deveria ter, se é apenas uma maneira de processar estímulos?
O que percebemos como sons, afinal, não são uma propriedade do estímulo que
chega às orelhas, e sim de como o cérebro processa esse estímulo); 4) não é
simples associação, memória, nem "modo de dizer", como algumas
pessoas acham um som "macio" ou um aroma "pungente": é a
capacidade que algumas pessoas têm de processar um estímulo como se fosse -
SEMPRE - dois ou mais ao mesmo tempo.
A quantidade de
progressos em relação às pesquisa sobre sinestesia nos últimos anos tem aumentado. O futuro está repleto de possibilidades para mais descobertas.
A revelação de algumas pessoas famosas que ditas sinestésicas, tais como os cientistas
Nikola Tesla e Richard Feynman e a aceitação desta condição por parte da ciência,
abrem caminho para que mais pessoas venham a falar sobre isso e talvez algumas se descubram sinestésicas e venham contribuir para pesquisas relacionadas a este enfoque.
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