terça-feira, 3 de julho de 2012

Mandalas, Educação e Autoconsciência


As mandalas exercem funções terapêuticas e por isso vem sendo muito utilizadas na abordagem neuropedagógica. Sites  destinados a Ludoterapia mencionam todo aparato de estimulação neural que pode ocorrer através do trabalho com mandalas e é nesse sentido que compartilho a publicação de Sandra Ferris que traz toda explicação em torno da mandala...

A mandala é um desenho de origem sagrada que tem um ponto central e ao seu redor um desenvolvimento, em geral mais ou menos simétrico. São, portanto, desenhos ordenados ao redor de um centro e estão ligados a um estado interior. Mandala é uma palavra que vem do sânscrito e significa circulo, coroa, rotação, circulação, coro, balé e oferenda. Esta palavra é também conhecida como roda e totalidade. Mais alem de sua definição como palavra, do ponto de vista espiritual é um centro energético de equilíbrio e purificação que ajuda a transformar o entorno e a mente. Define-se como um sistema ideográfico possuidor de um espaço sagrado.
A mandala é também chamada psico-cosmograma e permite a quem utiliza reintegrar-se ao universo e em consciência absoluta. É uma forma de arte-terapia.

As mandalas são utilizadas desde tempos remotos em todos os países do mundo: Índia, China, Tibete, povos originários da America, Austrália...
O psicólogo Carl Jung disse que colorir/pintar mandalas era tão poderoso que lhe salvou da loucura. As utilizou em terapias com o objetivo de alcançar a busca de individualidade nos seres humanos. Jung costumava interpretar seus sonhos desenhando uma mandala diariamente. Nesta atividade descobriu a relação que estas tinham com seu centro interior e a partir daí elaborou uma teoria sobre a estrutura da psique humana. Segundo Carl Jung, as mandalas representam a totalidade da mente, abarcando tanto o consciente como o inconsciente. Afirmou que o arquétipo destes desenhos se encontra firmemente ancorado no subconsciente coletivo.
A mandala representa o ser humano. Interatuar com ela nos ajuda a curar a fragmentação psíquica e espiritual, a manifestar nossa criatividade e a re-conectar-nos com nosso ser essencial. É como começar uma viagem para nossa essência, nos abre portas até agora desconhecidas e faz com que brote nossa sabedoria interior.

Como fazer uma mandala?


Pode-se colorir, completar ou inventar. O colorido da mandala pode ser realizado por todo mundo, crianças ou adultos que saibam ou não desenhar. Colorir é fácil, basta preencher com cores os diferentes elementos geométricos. Cada um escolhe as cores, a intensidade da cor e seu material de pintura (aquarela, tintas, ceras, lápis de cor, etc.) em função do seu estado de animo. Deixem seus filhos ou alunos pintar como quiserem. Ponha musica de fundo suave se assim o desejar.
Ao desenhar a partir do centro para o exterior podemos abrir o coração e expandir-nos.
Ao desenhar do exterior para o centro, nos concentramos, interiorizamos e evitamos a dispersão
Deixar que a criança, ou o adulto pinte como quiser, sem intervir, sem induzir a nada. Que sigam seu coração. Em oficinas vivenciais se pode fazer mandalas grupais. Também se pode trabalhar uma mandala com intenção, pensando no Amor, na Paz ou no que desejamos aprofundar ou adquirir. Para as futuras mamães, colocar toda a nossa amorosa atenção no bebê que está para nascer enquanto colorimos a mandala, é um excelente exercício.
Ao colocar uma mandala na parede, automaticamente se harmoniza a casa ou a sala de aula.
Toda a atividade com mandala corresponde a um trabalho interior. É meditação e oferenda. O efeito, ao trabalhar com a mandala, ao percorrê-la, contemplá-la, colori-la é também iniciar uma vigem para seu próprio centro, seu coração. Permite conectar com seu próprio ser interior divino. Da mesma forma podemos trabalhar os labirintos, os padrões universais, a geometria sagrada ou simplesmente o desenho livre.
As rodas e danças circulares são mandalas vivenciais que nos conectam com muita força ao nosso interior, ajudando-nos de maneira muito eficaz a conhecer-nos melhor, ao mesmo tempo em que criamos uma energia de grupo harmônica, prazerosa e solidária. 
Os benefícios de desenhar ou pintar mandalas são múltiplos:

- Permite um trabalho de meditação ativa.
- Nos conecta com nossa essência.
- Proporciona fluidez com o mundo exterior.
- Ajuda a expandir nossa consciência.
- Desenvolve a paciência.
- Aumenta a intuição.
- da Auto-estima e auto-aceitação.
- Cura física, emocional e psiquicamente.
- Recobra o equilíbrio e permite recentrar-se.
- Nos provê de intuição criativa, sossego, harmonia e calma interna.
Imagem:  http://kidsrelaxation.com/category/relaxing-with-art/


As formas e seus significados

 As mandalas não são simples desenhos de cores. Todos os elementos que neles se integram têm um significado. Por exemplo:
- Os círculos representam o movimento, o absoluto, a síntese, o verdadeiro eu.
- Os corações representam o sol, o amor, a felicidade, a alegria, o sentimento de união.
- As cruzes representam a união do céu com a terra, a vida e a morte, o consciente e inconsciente.
- Os quadrados representam os processos da natureza, a terra, a estabilidade, o equilíbrio.
- As estrelas representam os símbolos do espiritual, a liberdade, a elevação.
- As espirais representam vitalidade, as energias curativas, a busca constante da totalidade.
- Os hexágonos representam união dos contrários.
- O labirinto representa a busca do próprio centro.
- As borboletas representam a auto-renovação da alma, morte e transformação.
- Os pentágonos representam a silhueta do corpo humano, terra, água, fogo.
- Os retângulos representam a estabilidade, o rendimento do intelecto e a vida terrena.
- Os triângulos representam a água, o inconsciente (quando a ponta esta para baixo, vitalidade, transformação (para cima), agressão para consigo mesmo (para o centro).


O que transmitem as cores?

- Branco: o nada, o Tao, pureza, iluminação, perfeição.
- Negro: Morte, limitação pessoal, mistério, renascimento, consciência galáctica, coragem.
- Cinza: neutralidade, indecisão, renovação.
- Vermelho: masculino, sensualidade, amor, enraizamento, paixão.
- Azul: tranqüilidade, paz, felicidade, satisfação, fluidez.
- Amarelo: sol, luz, jovialidade, simpatia, receptividade.
- Laranja: energia, dinamismo, ambição, valor.
- Rosa: aspectos femininos e infantis, doçura, altruísmo.
- Lilás: amor ao próximo, idealismo e sabedoria, transformação.
- Verde: natureza, equilíbrio, crescimento, esperança, cura.
- Violeta: música, magia, espiritualidade, transformação, inspiração.
- Dourado: sabedoria, claridade, lucidez, vitalidade.
- Prateado: capacidades extra-sensórias, emoções flutuantes, bem estar.


Páginas web recomendadas:


http://www.idejo.edu.uy/,http://www.sanatansociety.com/free_stuff/free_wallpaper_shri_yantra_mandala
http://www.dharmanet.com.br/vajrayana/mandala.htm
http://www.kidsweb.de/basteln/mandala/mandalas.htm, mandalas muy alegres, muy bonitos para los niños
http://www.nicoles-funworld.de/windowcolor/malvorlagen-mandala-8.php

(Dana Tir, IDEJO, Energias e Forças através das Mándalas e Mandala, Teoria e prática). Assim como na páginaWeb:http://www.mipunto.com/temas/3er_trimestre02/mandala.html

Extrato do livro: Pedagooogia 3000 de Noemi Paymal
Tradução para o português: sandraferris@globo.com
Para saber mais sobre Mandalas na Educação leia o material produzido pelo MEC...A Mandala de Saberes que o programa Mais Educação apresenta, como uma estratégia possível para o diálogo de saberes, na perspectiva da educação integral, nasceu no Rio de Janeiro, em meio ao estado de sítio que cerca as favelas cariocas, em uma experiência de educação integral realizada por meio de ações dos Ministérios da Educação e da Cultura.
A Educação Integral tem sido um ideal presente na legislação educacional brasileira e nas formulações de nossos mais lúcidos educadores. Iniciativas diversas, em diferentes momentos da vida pública do país, levaram esse ideal para perto das escolas implantando propostas e modelos de grande riqueza, mas ainda pontuais e esporádicos. O Ministério da Educação, por meio das Secretarias de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) e da Educação Básica (SEB), em parceria com o FNDE, retomou esse ideal para, a partir do aprendizado com experiências bem sucedidas, levá-lo como prática às redes de ensino dos estados e municípios do país. As experiências recentes indicam o papel central que a escola deve ter no projeto de educação integral, mas também apontam a necessidade de articular outras políticas públicas que contribuam para a diversidade de vivências que tornam a educação integral uma experiência inovadora e sustentável ao longo do tempo. Com essas premissas, foi instituído o Programa Mais Educação no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Síndrome de Asperger: O que é isso?

 Ana Lúcia Hennemann
Num primeiro momento, para alguns, a Síndrome de Asperger é retratada como Autismo e, logo, surge a imagem de um ser sentado, balançando-se para frente e para trás, ou mesmo, movendo um objeto, repetitivamente. Entretanto, ao verificar as referências bibliográficas, é possível perceber a diferença. Segundo Sacks (2006), ainda, muitas pessoas e profissionais tem uma ideia distorcida acerca do autista:

A maioria das pessoas (e de fato, dos médicos), se questionada sobre o autismo, faz uma imagem de uma criança profundamente incapacitada, com movimentos estereotipados, talvez batendo com a cabeça, com uma linguagem rudimentar, quase inacessível: uma criatura a quem o futuro não reserva muita coisa (SACKS, 2006, p.248).

Entretanto, muitos autistas conseguem desenvolver uma linguagem satisfatória e alcançar um mínimo de habilidades sociais, tornando-se seres humanos autônomos. Em seu livro intitulado “Um antropólogo em Marte”, Sacks (2006) relata sua experiência com Temple Grandin, uma americana, autista, que tem, sob certo ponto de vista, uma vida normal, mostrando, assim, que não existe uma realidade única: cada caso é um caso e sempre há superação. 
Na Síndrome de Asperger, as pessoas podem falar de suas experiências, de seus sentimentos e de estados interiores; existe uma consciência acerca de si e algum poder de introspecção e relato, porém, as que têm autismo clássico não são capazes disso. Contudo, ao verificar o CID-10[1], Síndrome de Asperger é classificada como um “Transtorno Global de Desenvolvimento” [2]. Conceituada como F84-5,

Transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Ele se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta (CID-10, p. 369, 2003).

 As crianças diagnosticadas com Síndrome de Asperger apresentam um desafio especial para o sistema educacional: muitas vezes, são vistas pelos colegas como excêntricas e esquisitas. A falta do senso do que pode ou não ser feito, contribui, significativamente, para que tais percepções se criem em torno de si.
A Síndrome de Asperger é uma doença pouco conhecida entre médicos, educadores, crianças e sociedade. Por não ter conhecimento, muitas pessoas e profissionais não a identificam corretamente. Trata-se de uma desordem pouco comum, mas conhecê-la é importante para a prevenção do processo psicológico de crianças que tardiamente são diagnosticadas, devido à falta de conhecimento, por parte dos profissionais.
Esta síndrome é uma categoria bastante recente na divulgação científica e encontra-se, em uso geral, praticamente, nas duas últimas décadas. Numa primeira pesquisa, a Síndrome de Asperger se encontra definida da seguinte maneira:

A chamada síndrome de Asperger, transtorno de Asperger ou desordem de Asperger, é uma síndrome do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo...é mais comum no sexo masculino. Quando adultos podem viver de forma comum, como qualquer outra pessoa que não possui a síndrome...Um dos primeiros usos do termo “síndrome de Asperger foi por Lorna Wing em 1981 num jornal médico, que pretendia desta forma homenagar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990 (WIKIPÉDIA, 2011).

Alguns autores enfocam que não existem exames clínicos que identifiquem a síndrome; o diagnóstico é feito através da observação do comportamento. Entretanto, Mello (2004) aponta para alguns sintomas característicos da síndrome:

I - Distúrbio social - egocentricidade extrema; II - Padrão limitado de interesses; III -Rotinas e rituais; IV- Peculiaridade de fala e linguagem; V - Problemas com comunicação não-verbal; VI - falta de coordenação motora (a pessoa é atrapalhada e desengonçada) (MELLO, 2004, p.73).

Considerando que o tratamento se faz individualmente, em função da evolução de cada criança, os seguintes aspectos podem ser fundamentais: fatores preferenciais de tratamento em um programa de intervenção precoce com indivíduos com a Síndrome de Asperger.

 Devemos procurar o antes possível desenvolver: A autonomia e a independência; a comunicação não verbal; os aspectos sociais como imitação, aprender a esperar a vez e jogos em equipe; a flexibilidade das tendências repetitivas; as habilidades cognitivas e acadêmicas. Ao mesmo tempo é importante: trabalhar na redução dos problemas de comportamento; utilizar tratamento farmacológico se necessário; que a família receba orientação e informação; que os professores recebam assessoria e apoio necessários.  (MELLO, 2004, p.28).

A compreensão das relações humanas e das regras do convívio social não se torna muito evidente para essas crianças. Também, a dificuldade de lidar com mudanças na rotina faz com que fiquem estressadas e emocionalmente vulneráveis. Em breve análise da Revista Brasileira de Psiquiatria, percebe-se que os Asperger se diferem um pouco dos autistas, quanto ao convívio social,

Contrastando um pouco com a representação social no autismo, os indivíduos com Síndrome de Asperger encontram-se socialmente isolados, mas não são usualmente inibidos na presença dos demais. Normalmente eles abordam os demais, mas de uma forma inapropriada e excêntrica. Por exemplo, podem estabelecer com o interlocutor, geralmente um adulto, uma conversação em monólogo caracterizada por uma linguagem prolixa, pedante, sobre um tópico favorito e geralmente não-usual e bem delimitado (KLIN, 2006, p.9).

Por outro lado, a grande maioria de crianças com Síndrome de Asperger apresenta níveis de inteligência na média ou acima da média ou uma memória de rotina superior a de seus demais colegas. Sendo assim, sua determinação por um único tema de interesse pode levá-las a grandes realizações, na vida futura. A criança com autismo com nível de funcionamento baixo vive num mundo próprio, enquanto a criança com autismo com funcionamento mais alto (Síndrome de Asperger), vive no nosso mundo, mas à sua própria maneira.
Na atualidade, estudos voltados à ciência dos neurônios e do sistema nervoso, trazem novos conhecimentos que contribuem para a compreensão do processo de aprendizagem. Cientistas e educadores estão na construção de um possível diálogo, procurando pontes sólidas de interação, que permitam buscar espaços de discussão, contribuindo, assim, para a compreensão dos processos de aprendizagem. Dentro desta linha, surge a abordagem da neurociência, intensificando informações importantes a respeito das bases biológicas da cognição. Segundo Nicolelis (2011), em entrevista para o Jornal Diário Regional, “o neurocientista estuda como o cérebro aprende, esse diálogo com os educadores é fundamental, porque os educadores estão tentando ensinar cérebros.” 
Entender o funcionamento do cérebro está longe de ser a visão generalista de que existem dois hemisférios e que cada um tem funções diferentes, pois se fosse assim, Louzada (2011, p.48) menciona que “os alunos poderiam ser divididos em grupos, de acordo com o hemisfério cerebral que mais utilizam”. Falar sobre o cérebro é perceber que cada um pensa diferente, age diferente, percebe diferente. Existe uma diversidade cognitiva, ou seja, modos, velocidade, ritmos diferentes de aprendizagem.
Na abordagem da Psicologia Cognitiva, pesquisadores como Howard Gardner proporcionam informações importantes para que o desenvolvimento mental da criança seja melhor estimulado. Através de seus estudos, demonstra que não existe somente um tipo de inteligência, mas sim, múltiplas inteligências. Paula (2009, p.144) explicitando as ideias de Gardner, enfatiza que

Os professores precisam buscar meios para desenvolver várias inteligências nos alunos. Entretanto, no planejamento devem ser previstos meios para ajudar os alunos a atingirem uma competência, uma habilidade ou um papel desejado. Para ele, alunos talentosos devem ser orientados para aperfeiçoar seus talentos. Para alunos que apresentam dificuldades na escola, ou mesmo patologias que lhes atrapalham o aprendizado, devem ser desenvolvidos mecanismos e adaptações que auxiliem a adquirir habilidades. Nesse processo, é preciso identificar as propensões biológicas e psicológicas dos seres humanos, os seus universos culturais, e trabalhar essa diversidade.

Somente ter o conhecimento acerca da diversidade cognitiva existente no ambiente escolar, por si só, não basta; se faz necessário intensificar a diversidade na prática educativa, pois, a sala de aula nunca é homogênea, mas sim, carregada de diferenças, de adaptações ao currículo, de envolvimento de todos que fazem parte do processo educativo. Minetto (2009, p.67) faz a seguinte colocação,

Muitas vezes, de forma equivocada, achamos que só há um tipo de aprendizado, esquecendo-nos das diversidades, das necessidades individuais. Seria importante o professor e os demais profissionais da escola perguntarem: o que esse aluno precisa nesse momento? É ser alfabetizado em um ano? É fazer grandes cálculos? Ou seria aumentar sua autoestima? Ou seria ganhar autonomia?

 Também nesse sentido, Louzada (2011, p. 48) no intuito de intensificar o trabalho com a diversidade cognitiva, ressalta que “[...] ao planejar uma estratégia pedagógica, o educador deve levar em consideração aspectos relacionados à aprendizagem, à linguagem, às emoções, à atenção e assim por diante”.
Entendendo que os educadores não educam para o ontem, mas sim, no hoje, porém, com vistas para o amanhã, se faz necessário acompanhar os avanços da neurociência e trabalhar em conjunto, buscando melhores métodos para otimizar a diversidade cognitiva, bem como melhores métodos de intervenções precoces, procurando, de forma prazerosa, transformar informações em conhecimento.
Louzada (2011, p. 49) alerta para as modificações do cérebro, uma vez que: “Nosso cérebro, portanto, é plástico, modifica-se ao longo de toda a vida. Por esse motivo, nenhum cérebro é idêntico ao outro, assim como amanhã ele não será igual ao que era ontem”.

Para ilustrar como vive alguém com Asperger existem muitos vídeos, entretanto segue um que retrata  de maneira bem simples a síndrome...


Referências:

BAPTISTA, Claudio Roberto. BOSA, Cleonice. Autismo e educação: reflexão e propostas de intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2002.

GLAT, Rosana. Educação Inclusiva: cultura e cotidiano escolar. Rio de Janeiro: Sete Letras, 2007.

KLIN, Ami. Autismo e síndrome de asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de Psiquiatria. São Paulo, v. 28, nº 1, p. 3-11 mai. 2006.

LOUZADA, Fernando. Neurociência e educação: um diálogo possível? Revista Mentecérebro. Nº 222 Julho. São Paulo: Ediouro Duetto Editorial Ltda, 2011.

MELLO, Ana Maria S. Autismo: guia prático. 4ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE, 2004.

MINETTO, Maria de Fátima Joaquim ET ALL. Diversidade na aprendizagem de pessoas portadoras de necessidades especiais. Curitiba: IESDE Brasil S. A., 2010. 284 p. 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de comportamento (CID-10): Descrições e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 2003.

ORRÚ, Sílvia Ester. Síndrome de Asperger: aspectos científicos e educacionais. Revista Ibero-Americana de Educação, n° 53/7 - 10/10/10

PAULA, Ercília Maria de.; MENDONÇA, Fernando Wolff. Psicologia do desenvolvimento. 2 ed. Curitiba: IESDE Brasil S.A. , 2009.164 p.

RIDLEY, Matt. O que nos faz humanos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

SACKS, Oliver. Um antropólogo em Marte: sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

TEIXEIRA, Gustavo Henrique. Síndrome de Asperger e Transtorno Obsessivo-Compulsivo em Crianças de 12 anos de Idade. Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal, Rio de Janeiro, vol 100, nº 01, Jan.Fev.Mar. 2006.

WIKIPÉDIA. Síndrome de Asperger. Disponível on line:< http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Asperger > . Acesso em 9 março de 2011.


[1]           CID-10: Classificação Internacional de Doenças.
[2]           Grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e modalidades de comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo.


sábado, 30 de junho de 2012

Minha paixão pela neuropsicopedagogia


Ana Lúcia Hennemann

     Minha paixão sempre foi trabalhar em contextos educacionais. Os educandos sempre nos trazem ânimo e vigor, estão sempre nos proporcionando momentos de aprendizagens.
     Quando acadêmica no Curso Normal Superior tive minhas primeiras cadeiras voltadas à Psicopedagogia. O encantamento pelo processo psicopedagógico, as vivências de algumas técnicas de intervenção, perceber que a inclusão é algo possível e viável me proporcionaram aberturas para novos horizontes, pois podemos fazer mais do que simplesmente aquilo que o contexto educativo nos apresenta.
     Logo após veio a Pós em Neuropsicopedagogia e tudo aquilo que aprendi na faculdade ganhou maior significado. O conhecimento das Neurociências despertou em mim o desejo de saber mais, estudar mais. Elencar novas prioridades em minha vida, entender que através de nossos estudos estamos colaborando para melhorar a qualidade de vida de outras pessoas. Entender as bases neurais do comportamento humano, ter conhecimento da neuroplasticidade, relacionar aprendizagem e cérebro são aspectos fascinantes que a Neuropsicopedagogia nos proporciona.
    Ser Neuropsicopedagogo é um compromisso sério e de muita responsabilidade, pois diariamente novos conhecimentos do cérebro vêm sendo apresentados, novos livros e técnicas de estimulação surgem em diversos contextos da educação. Precisamos estar em constante reciclagem, o fazer neuropsicopedagógico nos exige dedicação e constante atualização, mas se você se permite apaixonar-se pela Neuropsicopedagogia, ela te contagia e mesmo sem perceber já estará em busca do mais.




Psico Série A


PSICO é um livro de introdução à psicologia com características físicas de uma revista. Aborda os principais temas introdutórios de forma clara e agradável, pois traz diversos recursos que facilitam a aprendizagem: conceitos-chave nas margens das páginas, realces das partes importantes, boxes com dicas de filmes, curiosidades, etc. É ideal para que o estudante de hoje, mesmo quando não dispõe de muito tempo para estudar, consiga fixar o conteúdo rapidamente.
" A psicologia, com o livro PSICO, traz à realidade o que tem sido de mais esperado para a ciência: inovação! Trata-se de um material científico para uso didático que propicia a aprendizagem, com interesse e dinamicidade.” Silvia H. Koller (Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professora no Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.)
 Este livro além de trazer informações para a área da Psicologia contribui e muito para os Neuropsicopedagogos, Neuroeducadores, Neuropsicólogos...
Psico Série A
Autores: Tanya Renner; Joe Morrissey; Lynda Mae; Robert S. Feldman; Mike Majors
Editora McGrawHill
Ano:2012

Neuropsicopedagogia Clínica


Neuropsicopedagogia Clínica
Ana Lúcia Hennemann[1]

     A Neuropsicopedagogia Clínica, aos poucos vem conquistando espaço no território brasileiro surgindo como uma nova área do conhecimento e pesquisa na atuação interdisciplinar, abarcando conhecimentos neurocientíficos e tendo seu foco nos processos de ensino aprendizagem. Está pautada em atividades que avaliam e intervêm nos processos de aprendizagem procurando obter informações de todas as ciências que possam contribuir para formar o entendimento mais detalhado da aprendizagem de cada indivíduo.  Assim sendo, a Neuropsicopedagogia que "agrega conhecimentos da neurociência aplicada à educação, psicologia cognitiva e pedagogia" (SBNPp, 2016) realiza um trabalho de prevenção, pois avalia e auxilia nos processos didático-metodológicos e na dinâmica institucional para que ocorra um melhor processo de ensino-aprendizagem.    
A Neuropsicopedagogia, já era conhecida em alguns países tais como Espanha, Colômbia, México, sendo assim, o portal mexicano de Psicopedagogia, voltado para definições de conceitos a cerca das ciências, tendo como referência o Dr Alberto Montes de Oca Tamez (2006), PhD em Neurociência, define a Neuropsicopedagogia como:
... um exercício de trabalho interdisciplinar sobre o processamento de informações e modularidade da mente em termos de Neurociência Cognitiva, Psicologia, Pedagogia e Educação, que ocorre na formação multidisciplinar de profissionais voltados à área educacional. O neuropsicopedagogo deve ter amplo conhecimento dos diferentes modelos, teorias e métodos de avaliação, planejamento, currículo dos diferentes níveis de ensino. Além disso, deve ter amplo conhecimento da base neurobiológica do comportamento psico-educacional e da reabilitação neurocognitiva tanto em crianças, adolescentes, sujeitos idosos e pessoas com necessidades especiais. (tradução minha [2])

No mesmo ano que TAMEZ elabora esta definição de Neuropsicopedagogia, Suárez publicou um artigo intitulado “Desmitificación de La Neuropsicopedagogía”, sendo que o mesmo traz toda evolução histórica da Neuropsicopedagogia, constituindo-se assim um documento importante dentro dessa área de conhecimento. Suárez (2006 apud De La Peña 2005), no transcorrer de seu trabalho científico nos traz essa importante contribuição:
A Neuropsicopedagogia agrega os conhecimentos da Psicologia e Neuropsicologia, compreendendo o funcionamento dos processos mentais superiores (atenção, memória, função executiva,....) de explicações psicológicas e instruções pedagógicas tem como objetivo fornecer uma estrutura de conhecimento e de ação para a descrição completa: o tratamento, explicação e valorização do ensino - aprendizagem que ocorrem ao longo da vida do aluno, promovendo uma educação integral com impacto além da escola e o período de tempo e tipo de aprendizagem estabelecido como válido. (tradução minha [3])

No Brasil a Especialização em Neuropsicopedagogia é muito recente, mas em países tais como Espanha, através da Universidade de Girona, o curso de Mestre em Diagnóstico e Intervenção Neuropsicopedagógica irá para sua 14ª edição e em Barcelona ocorrerá a 5ª edição. Nestes dois municípios também constam o curso em Especialização em Neuropsicopedagogia Clínica na modalidade à distância.
Na Colômbia, através da Universidade de Manizales, desde 2007 já se tem notícias de especializações nesta área. Inclusive numa das páginas do site desta Universidade, a Neuropsicopedagogia é citada da seguinte maneira:
...um campo interdisciplinar de ação, em que as contribuições da Psicologia e Neuropsicologia permitem uma maior compreensão dos processos de ensino-aprendizagem proporcionando ao ser humano melhores condições educacionais e sociais. Partindo de uma reflexão conceitual particular, disciplinar, social e cultural no processo de aprendizagem escolar, exigindo uma abordagem que não pode ser concebida através da fragmentação do indivíduo, mas a partir da necessidade de análise crítica de fenômenos complexos que influenciam e afetam a capacidade de aprender e suas demandas clínicas e educacionais. A Neuropsicopedagogia está se tornando uma prioridade, através da integração de diferentes abordagens e colaboração de várias disciplinas que ampliam a compreensão e as estratégias de intervenção clínica e / ou educacional, obtendo assim respostas práticas, conceituais e metodológicas. (tradução minha [4])
 
 No Brasil, por volta do ano 2007, surgem relatos de um trabalho, a nível de mestrado, intitulado “A avaliação neuropsicopedagógica de crianças surdas: O estudo dos processos corticais simultâneos de sucessivos, visuo-motores e verbais, através de testes neuropsicológicos”. O presente trabalho promovido pelo Laboratório de Neuropsicologia Cognitiva e Neurociências da Surdez do INES (NEUROLAB – INES) em parceria com o Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC Rio) e com o NCE-LABASE-UFRJ apresentava várias linhas de pesquisa tendo como base o desenvolvimento de dez plataformas computadorizadas. A metodologia consistia em “um conjunto de mil jogos neuropsicopedagógicos e metacognitivos, construídos de acordo com um modelo lúdico isomórfico às funções mentais superiores e aos sistemas de processamento da consciência”, porém o objetivo era oferecer meios que facilitassem o desenvolvimento cognitivo-linguístico de crianças com deficiência, patologias ou atrasos no desenvolvimento, através da ludicidade e da informática. Este projeto na área tecnológica contribuiu e muito para o processo de inclusão utilizando dos conhecimentos neurocientíficos, sendo que uma das colaboradoras do projeto menciona a Neuropsicopedagogia como uma área que:
...estuda a interação entre o cérebro, a mente e o aprendizado, possibilitando, através de métodos rigorosamente científicos, o planejamento de intervenções precisas que promovam o desenvolvimento de sujeitos epistêmicos. (MARQUES, 2008, p.11)

Em entrevista para a Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPb, através de Racy e Vieira (s.d.), Dr Marco Tomanick  Mercadante[5],  contextualiza a Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Um campo do conhecimento que procura reunir os avanços advindos das neurociências com a psicopedagogia. Assim, o profissional com essa perspectiva deve ter conhecimento amplo das bases neurobiológicas do aprendizado, do comportamento e das emoções, e dominar os elementos clássicos da psicopedagogia. Além disso, uma coerência epistemológica que garanta uma adequada articulação dessas áreas dispares do conhecimento é fundamental para a atuação na área.
 
Em 2009, percebendo a necessidade de um curso que resgatasse as interfaces do cérebro e do desenvolvimento humano, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, apresenta como curso de extensão, na condição de Educação à Distância, o curso “Desenvolvimento Neuropsicopedagógico: Contribuições das Neurociências para a Educação”.  Para referido evento, consta na apresentação do curso o conceito de Neuropsicopedagogia, entendida como:
...contribuições da neurociência no processo de ensino e aprendizagem, como uma possibilidade de aproximar as descobertas sobre as funções cerebrais que interferem na cognição e como podemos explorar determinadas características do funcionamento cerebral em diferentes contextos de ensino. [...] visa discutir o desenvolvimento neurológico, a plasticidade cerebral e alguns desvios a fim de repensar estratégias e recursos que possam interferir de modo positivo nos processos de desenvolvimento humano, aprendizagem e ensino. (PUCRSVIRTUAL, 2009)

E nesta linha de concepção Krug (2011 apud Rodrigues 1996, p.40) apresenta o conceito de Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Abordagem neurológica de distúrbios e de incapacidades de aprendizagem. A Neuropsicopedagogia é de grande utilidade para o psicopedagogo clínico, pois possibilita o diagnóstico de processos anormais na estrutura, na organização e no funcionamento do sistema nervoso central, por meio de testes de avaliação neuropsicológica, aplicáveis a indivíduos portadores de problemas de aprendizagem.

 Pode-se perceber que a terminologia Neuropsicopedagogia, apesar de não estar explicita em nenhum dos dicionários já vem sendo utilizada no contexto brasileiro. Nos estados do sul do Brasil, universidades tais como: PUC e UFRGS apresentam como disciplina nos cursos de graduação, voltados a Pedagogia, os Estudos Neuropsicopedagógicos, os quais Forner (2009, p71-72) faz a seguinte referência:
No nível I, a disciplina Estudos Neuropsicopedagógicos chama a atenção, por enfatizar aspectos que contemplam as ideias do estudo. Eis a sua ementa: Estudo do desenvolvimento humano na perspectiva da genética e da Neuropsicopedagogia, aproximando estes saberes com foco nas bases biológicas da aprendizagem, na busca de melhores formas de ensinar e de aprender. Os objetivos da disciplina convertem para a real necessidade de os futuros professores reconhecerem as dificuldades de aprendizagem de seus alunos, bem como as possíveis alternativas de trabalho. Isto é, terem subsídios para planejamento que atenda às demandas que surgem nas salas de aula. A disciplina se propõe a fazer com que os estudantes de Pedagogia conheçam o funcionamento neural, o desenvolvimento neuropsicológico, desde a concepção até a morte, destacando a neuroplasticidade, bem como as bases biológicas e influência do uso de drogas pelos pais de crianças, bases neurológicas da entrada, processamento e saída da visão, audição, tato, movimento e atenção. A partir desses conhecimentos, enfim, busca contribuir para que os professores possam realizar as intervenções, considerando aspectos do desenvolvimento normal e das dificuldades de aprendizagem.

O grande avanço da Neuropsicopedagogia no Brasil se deu através do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão - CENSUPEG. Dentro deste contexto educacional  os profissionais da Neuropsicologia Clínica são capacitados para:
• Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que potencializarão o processo de aprendizagem.
• Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e cognitivo do indivíduo.
• Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo.
• Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, abrangendo educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em risco social.
Dessa forma, na releitura das citações anteriores pode-se afirmar que a Neuropsicopedagogia apresenta-se como um novo campo de conhecimento que através dos conhecimentos neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da pedagogia e psicologia vem contribuir para os processos de ensino-aprendizagem de indivíduos que apresentem dificuldades de aprendizagem. A partir do ano de 2011, mais centros educativos tem ofertado este curso, que é o caso da UNOPAR- Universidade Norte do Paraná e da CEEDI (Centro de Excelência em Educação Integrado – Balneário Camboriú, SC).

2. OBJETIVOS DO ESTÁGIO CLÍNICO

O estágio clínico apresenta-se como um elemento indispensável que proporciona aprendizagens significativas reforçando a importância do olhar Neuropsicopedagógico, que pautado na aprendizagem do indivíduo e na estimulação das áreas “debilitadas”, visará o intercâmbio das produções teóricas apreendidas na Pós-Graduação através das práticas ofertadas.
O enfoque Neuropsicopedagógico ainda carece de bibliografia com mais efetivo reconhecimento científico, entretanto ressalto as palavras de Andrade (1998, p.40) ao contextualizar a Psicopedagogia Clínica e enfatizo que a Neuropsicopedagogia Clínica contempla esta mesma prática,
A Psicopedagogia Clínica não é uma prática confinada a consultórios particulares. Ela é muito mais uma maneira de olhar o processo ensino/aprendizagem, maneira esta que não se limita ao sintoma, mas busca as causas deste sintoma. Desta forma sua prática tanto pode se dar no consultório particular, como na escola ou no hospital.
O estágio neuropsicopedagógico vem trazer um novo olhar sobre as dificuldades de aprendizagem, uma visão neurocientífica, contemplando o que Chedid (2007, p.298) já escrevia a cerca da neurociência no contexto educativo,
Para a sala de aula, para a educação, as Neurociências são e serão grandes aliadas, identificando cada ser humano como único e descobrindo a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um. [...] Em pleno século XXI, nos deparamos com outras formas de informação além do letramento formal, é necessário conhecer e ensinar outras linguagens que dão acesso a informações imprescindíveis para a comunicação. [...] precisamos conhecê-las e entender as modificações que estão ocorrendo, olhar estes cérebros para saber como eles funcionam e determinar mudanças em como ensiná-los.

Dentro da mesma estrutura proposta por Chedid, a Universidade de Manizales(2007), citada anteriormente, classifica o estágio de Neuropsicopedagogia como forma de consolidar equipes interdisciplinares alavancando assim as competências e habilidades cognitivas, emocionais e aspectos sociais procurando aprofundar o teórico com a pergunta, com a prática mas ao mesmo tempo praticar os aspectos transcendentais, clínicos e educacionais, relacionados a cada tipo de experiência e na individualidade de cada caso.


 3 O PAPEL DO NEUROPSICOPEDAGOGO NA  INSTITUIÇÃO ESCOLAR 

Socialização das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas práticas sociais é o objetivo de qualquer ambiente educativo. É na escola em que a inserção das crianças nos grupos podem ser avaliadas e onde elas podem ser comparados com seus pares, com seu grupo etário e social. Com preparo e sensibilidade, o professor, melhor do que qualquer outro profissional está preparado para detectar problemas cruciais na vida de toda e qualquer criança que por ele passar. Entretanto, o ato de educar e incluir não são atos solitários, eles necessitam de parcerias, de trocas, de profissionais que percebam cada indivíduo nos mais diferentes modos de ser e estar no grupo, enfim uma equipe multidisciplinar.
A inclusão no contexto educativo traz como metáfora um diamante (Figura 1), ele tem diferentes lados; é “multifacetado”. Muitos, ao contemplar um diamante, percebem somente o seu brilho, outros percebem somente sua superfície, alguns voltam seus olhos para a profundidade, mas há aqueles que têm a visão mais ampla, observam as “multifacetas” (brilho, superfície, profundidade, fragilidade e por ai a diante). Isso é um trabalho multidisciplinar, um trabalho de equipe onde cada um na sua especialidade consegue ver focos diferentes dentro de um mesmo contexto e por consequência disso, o brilho final aparece reluzindo o trabalho de todos.

Figura 1- Inclusão é como um diamante. Existem vários ângulos pelos quais se podem perceber o mesmo indivíduo.

Percebendo a importância do psicopedagogo na instituição escolar, mas acompanhando as novas descobertas neurocientíficas, o Centro-Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão – CENSUPEG, apresentando-se como uma das instituições pioneiras no Brasil, quanto a questão das primeiras turmas de Pós em Neuropsicopedagogia, especializam profissionais intitulados Neuropsicopedagogos que dentro da instituição escolar, além de todo aparato preventivo, abarcam conhecimentos que possibilitarão a otimização dos processos de ensino e aprendizagem. Profissionais estes, que junto aos demais, vem contemplar as “multifacetas” dos diversos diamantes presentes no contexto educativo. Nesse sentido, eles vêm somatizar conhecimentos com todos os demais envolvidos no processo educativo, ofertando qualidade na educação e uma aprendizagem comunitária.
DEWEY (1943) já fazia relatos de aprendizagem comunitária, ele preocupava-se com o isolamento escolar da vida comunitária típica e com a rotina natural da aprendizagem na sala de aula, e pregou a utilização do trabalho e das atividades comunitárias como o foco de aprendizagem. Fazendo isso, Dewey exigia que as escolas unissem as crianças e criassem oportunidades para a aprendizagem por meio da ação e de relacionamentos de apoio mútuo. Assim como na sociedade, a escola também necessita ser remodelada para que as pessoas tenham cada vez mais relacionamentos interpessoais, trocas entre os diferentes profissionais, ter uma visão de que se faz necessário profissionais que tenham conhecimentos neurocientíficos, pois a vida está se reciclando, a cada dia novos conhecimentos vem surgindo, a neurociência a cada dia mais vem abrindo seu espaço.
A atuação do neuropsicopedagogo na instituição escolar contribui para que se desenvolvam metodologias que abordam as várias barreiras para aprendizagem apresentadas pelas crianças no ambiente escolar, procurando ligar vários intervenientes deste processo, tais como: pais, professores e colaboradores que juntos almejam uma melhoria significativa no desempenho acadêmico, social e emocional da criança.


CONSIDERAÇÕES FINAIS                 

O estágio sempre é um contexto desafiador, nos faz provocações daquilo sabemos, do que não sabemos e do que necessitamos buscar. É o elo entre nossas teorias e nossas práticas. SAVIANI (2003) em muitos de seus textos referiu-se à curvatura da vara. E o estágio é isso, é a busca do equilíbrio dessa curvatura, não tanto a um extremo, nem tanto ao outro. É um relembrar de tudo que se aprendeu, um perceber que através da observação muito se aprende e um refletir sobre o que pode ser feito a partir disso.
Discorrendo sobre as palavras de Chedid (2007, p. 300) falando do enfoque neurocientífico na educação, transcrevo as seguintes palavras:
Os alunos de hoje merecem uma educação exemplar baseada na atual investigação sobre o cérebro. Isto não pretende sugerir que tudo o que os professores e as escolas fizeram até aqui estava errado, mas sim, que temos uma nova informação, baseada na própria biologia da aprendizagem do cérebro, que pode melhorar a educação. Como o cérebro processa a informação que recebe, como ocorre o registro sensório, como funciona a memória, como os ritmos biológicos afetam o aprender e o ensinar são algumas das perguntas que nos fazemos e que já começa a ter delineadas suas respostas pelas Neurociências. Quem compreende o processo de aprender como uma atividade deve pensar nas condições essenciais para que esta atividade seja otimizada. Precisamos iniciar uma discussão entre professores e psicopedagogos sobre a necessidade de uma visão neurocientífica em nossa ação.

Muito bem explanado por Chedid, uma das primeiras propostas da necessidade da Neuropsicopedagogia, pois conforme a autora se faz necessária a visão neurocientífica dentro da ação pedagógica e psicopedagógica. E foi dentro dessa linha de pensamento que esse estágio teve como proposta.
Estudos e intervenções no campo da Neuropsicopedagogia ainda necessitam conquistar espaços, mas aos poucos vem abrindo caminhos e sutilmente vem aparecendo em citações bibliográficas, tais como as de Cavasotto e Chagas (2011, p.172) ao falar sobre vivências no atendimento pedagógico: “Estudos da neurociência têm confirmado e destacado a importância do ambiente para o desenvolvimento neuropsicopedagógico”.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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[1] Professora dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Graduada em Licenciatura dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Especialista em Alfabetização. Especialista em Educação Inclusiva. Pós Graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica. Graduanda em Psicologia. E-mail: analuciah@sinos.net
[2] Original- Ejercicio-trabajo interdisciplinario acerca del procesamiento de la información y la modularidad de la mente en terminos de Neurociencia cognitiva, Psicología,Pedagogía y Educación, que lleva acabo el profesional de formación multi-interdisciplinaria y con fines Educacionales. El profesional de la 'neuropsicopedagogia', debe contar con un amplio conocimiento de los diferentes modelos, teorias y metodos sobre la evaluación, planeación, diseño curricular de los diferentes niveles educativos, didacticos y de profesionalización pedagogica y Docente. Así entonces el Neuropsicopedagogo es una el profesional que debera contar con un conocimiento amplio de las bases neurobiologicas de la conducta y su rehabilitación Neurocognitiva con fines Psicopedagogicos, tanto en niños como adolescentes, geriatricos, así mismo de sujetos discapacitados y especiales (superdotación)... (TAMEZ, 2006)
[3] Original- La Neuropsicopedagogía integraria el efecto sinérgico del conjunto de conocimientos propios de la Neuropsicología y la Psicopedagogía, potenciando la resultante del concepto “psico” em sus más heterogéneos âmbitos de estúdio. Esta Neuropsicopedagogía, através de los comprensión del funcionamento de los processos mentales superiores (atención,memoria, función ejecutiva...), de las explicaciones psicológicas y de las instruciones pedagógicas, pretende ofrecer  un  marco de conocimento y acción íntegro para la descripción, explicación, tratamento y potenciación de los processos de enseñanza-aprendizaje que acontecen a lo largo de la vida del alumno, promovendo uma formación integral com repercusiones más allá de la instituición educativa y del período temporal y tipo de aprendizaje que estabelece como válido (De La Peña, 2005)
[4] Original - La Neuropsicopedagogía constituye un campo de actuación interdisciplinario, en el cual los aportes de la Neuropsicología y la Psicopedagogía posibilitan una mayor comprensión de los procesos de enseñanza– aprendizaje que permiten potenciar al ser Humano de forma integral y proyectarlo en las mejores condiciones educativas y sociales. Dadas las particularidades conceptuales, disciplinares, sociales y culturales, la reflexión sobre los procesos de aprendizaje escolar, requieren de un abordaje que no puede concebirse fragmentado, sino desde la necesidad de análisis crítico de fenómenos complejos que influencian y afectan tanto la capacidad de aprender en forma individual, como de sus demandas clínicas y educativas; se hace prioritaria entonces, la integración de diferentes enfoques y la co-actuación de diversas disciplinas con el fin de ampliar y complejizar tanto su comprensión, como estrategias de intervención clínica y/o educativa y así obtener respuestas conceptuales, metodológicas y prácticas pertinentes. (UNIVERSIDAD DE MANIZALES, 2007)
[5] Marcos Tomanik Mercadante (São Paulo1960 - São Paulo2011) foi um médicoescritor, professor e investigador brasileiro. Nascido na cidade de São Paulo em 1960, onde viveu e atuou profissionalmente, é autor de estudos que são referência no País em Psiquiatria da Infância e Adolescência, principalmente a respeito de autismo, tem livros publicados sobre o assunto e é autor do primeiro estudo de epidemiologia de autismo na América Latina. Mercadante possuia graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorado em Psiquiatria pela USP. Era médico pesquisador da USP, professor da pós-graduação da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), pesquisador associado da Universidade de Yale (EUA) e foi professor-adjunto da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Com experiência na área de Medicina, com ênfase em Psiquiatria da Infância, atuou principalmente nos seguintes temas: autismo e transtorno invasivo do desenvolvimento (TID), transtorno obsessivo compulsivo (TOC), diagnóstico, e coréia de Sydenham. Recebeu o prêmio "Prof. Zaldo Rocha" 2010, da Associação Brasileira de Psiquiatria. Em 2010, Mercadante idealizou e foi um dos fundadores da ONG Autismo & Realidade, em São Paulo. Mesmo ano em que foi convidado pelo Senado Federal do Brasil para explanar sobre autismo na discussão de uma lei federal para criação da Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Morreu em 2 de Julho de 2011, em São PauloSP, aos 51 anos. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Tomanik_Mercadante)