sábado, 7 de julho de 2012

Nosso cérebro é um órgão fantástico e muito valioso


Nosso cérebro é um órgão fantástico. Ele pode controlar praticamente todas as partes do nosso corpo. Ele também tem a capacidade única de pensar e fornecer habilidades cognitivas, tais como:
1. Habilidades de Atenção - Esta inclui a capacidade de uma pessoa de compreender e responder à informação recebida. Essas habilidades de atenção podem ser subdivididas em:
v Atenção sustentada - A capacidade de se manter focado e atento à tarefa que está sendo executada.
v A atenção seletiva - A capacidade de manter o foco, apesar de entradas sensoriais (também conhecidas como distrações)
v Atenção dividida - A capacidade de lembrar informações e manter o foco em alguma coisa enquanto realiza  uma outra tarefa.
2. Habilidades de memória. Esta é a nossa capacidade de armazenar e recuperar informações.
Memória engloba memória a longo prazo, que é a capacidade de recordar a informação que foi armazenada no passado. Este tipo de memória é crucial para muitas tarefas, incluindo a aprendizagem e muitas outras coisas feitas ao longo do dia.
Memória de curto prazo inclui informações que recordamos quando necessário em uma base mais imediata.
Ambas os tipos de memória são uma parte essencial de nossas habilidades cognitivas.
3. Lógica e raciocínio - Esta é a nossa capacidade de raciocinar de uma situação, formular conceitos e resolver problemas utilizando a entrada de única e parâmetros.
 4. O processamento auditivo - Isso inclui a nossa capacidade de analisar, combinar e diferenciar sons. É uma habilidade crucial para aprender a ler e soletrar.
5. Processamento visual - Este engloba a nossa capacidade de perceber, analisar e processar o mundo que nos rodeia em imagens visuais. Isto também inclui a capacidade de imaginar alguma coisa em nossas mentes. Este tipo de habilidade é importante para aprender a seguir as instruções, executar problemas de matemática e seguir direções.
6. Velocidade de processamento - A velocidade em que o nosso cérebro processa a informação é fundamental para a realização de tarefas cognitivas de forma rápida e eficiente. Eficientes habilidades cognitivas são essenciais para melhorar a nossa capacidade de aprender. Deficiências nessas competências desempenham um papel importante na aprendizagem. Por exemplo: fraquezas no processamento auditivo podem criar grandes problemas em aprender a ler de forma eficaz.
Como os músculos do seu corpo, suas habilidades cognitivas podem ser treinadas com  programas adequados do cérebro que visam especificamente as habilidades que você está interessado em melhorar. Devido à sua importância em nossa vida diária, certifique-se de manter ou tentar melhorar essas essenciais habilidades cognitivas, pois seu cérebro vale ouro!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Intervenção em Autismo...


     Conforme Sabrina Ribeiro, o autismo é uma condição crônica, caracterizado pela presença de importantes prejuízos em áreas do desenvolvimento, por esta razão o tratamento deve ser contínuo e envolver uma equipe multidisciplinar (Schwartzman, 2003).
    A eficácia de um tratamento depende da experiência e do conhecimento dos profissionais sobre o autismo e, principalmente, de sua habilidade de trabalhar em equipe e com a família (Bosa, 2006).
     Existem vários tipos de tratamento que podem ser usados para ajudar uma criança com autismo. Independente da linha escolhida, a maioria dos especialistas ressalta que: o tratamento deve começar o mais cedo possível; as terapias devem ser adaptadas às necessidades específicas de cada criança e a eficácia do tratamento deve ser medida com os avanços da criança.
 Sabe-se que uma boa intervenção consegue reduzir comportamentos inadequados e minimizar os prejuízos nas áreas do desenvolvimento. Os tratamentos visam tornar os indivíduos mais independentes em todas as suas áreas de atuação, favorecendo uma melhoria na qualidade de vida das pessoas com autismo e suas famílias.
   Abaixo segue um vídeo mostrando algumas técnicas de intervenção feitas em um menino que apresentava autismo severo...


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Neurociências e Educação


Como a Neuroeducação e a Neuropedagogia podem ajudar a escola e o professor a tornar o aprendizado mais eficiente e mais interessante para o aluno?

Estímulos Multi-sensoriais: as pesquisas mostram que o aprendizado será mais eficaz e a recordação da informação mais fácil se mais sentidos forem estimulados.
Recompensas e motivação: a necessidade de uma recompensa imediata é característica das gerações atuais. Recompensas externas podem ser preocupantes no ambiente escolar, mas a criatividade do professor pode encontrar formas de recompensar o aluno em sala de aula de forma a motivá-lo nas atividades e conquistar sua atenção. Algo como dedicar um intervalo da aula para piadas, canções, jingles, se a atenção e participação de todos foi adequada no momento combinado.
Memória: sem repetição a memorização não acontece, a rememoração falha, perde-se a informação, o tempo e a motivação. A quantidade de repetição vai depender da emoção envolvida na passagem da informação. Quanto mais emoção maior a chance da informação ficar cravada na memória dos seus alunos.
Conhecimento prévio: dificilmente vai haver aprendizagem se a informação nova não está contextualizada e conectada a conhecimentos que já existem no cérebro da criança. 
Do concreto para o abstrato: o lobo frontal, sede do nosso pensamento abstrato, demora mais a se desenvolver, como vimos aqui isso se estende até a segunda década de vida. Dessa forma, parta de exemplos concretos para atingir ideações abstratas.
Práticas: quando uma informação é colocada em prática ela se torna patente em nosso cérebro. Mas certifique-se de que na prática a criança realmente entendeu, ela deve ser capaz de falar e escrever sobre um conceito que praticou.
Estórias ou histórias: elas ativam muitas áreas cerebrais, mexem conosco, com nossas emoções, memórias e ideias. Elas têm início, meio e fim, o que também estimula o desenvolvimento de habilidades de sequenciação e organização (córtex pré-frontal).
Computadores e outras tecnologias: muitos sentidos são estimulados quando os estudantes trabalham em grupos fazendo pesquisas no computador. O trabalho é bastante visual, auditivo e cinestésico, além de estimular habilidades sociais.
O cérebro procura por padrões: a informação é guardada em nosso cérebro através de padrões de reconhecimento. Daniel Pink (2005) ressalta que a era atual requer uma forma de pensar que inclua a capacidade de detectar padrões e criar algo novo. É fundamental que o Educador apresente a nova informação, auxilie o aluno a identificar o padrão, associar esse padrão a padrões já armazenados por ele em seu cérebro e aí seja capaz de criar novos padrões. Dois métodos principais funcionam muito bem para isso, um é o uso de organizadores gráficos como mapas mentais e diagramas de Venn, outro é através da organização da informação em blocos lógicos e contextualizados.
O estresse inibe a aprendizagem: numerosas evidências apontam para isso, sobretudo os efeitos do cortisol (hormônio do estresse) provocando a morte de neurônios no hipocampo (área da memória de longo prazo). Nesse sentido ofereça um ambiente de ensino seguro, confortável e acolhedor. Estabeleça rotinas, regras, objetivos e procedimentos padrão. Os rituais de sala de aula podem contribuir para reduzir o estresse.
O cérebro é um órgão social: a interação e desenvolvimento de habilidades sociais são fundamentais no processo de aprendizagem. Nossas crianças da era digital encontram-se talvez mais aptas a se relacionar através de um teclado do que com a fala, o olhar e o toque. É importante para elas desenvolver a linguagem não verbal, reconhecer sentimentos através da face e dos gestos, interagir com diferentes grupos sociais, aprender a escutar, expressar suas emoções e ser empática.
Arte e atividade física melhoram o desempenho intelectual: explore essas atividades o mais que puder.
Contrabalance tecnologia e criatividade, utilize música e muito, muito visual!

Fonte consultada: Aprender Criança

terça-feira, 3 de julho de 2012

Mandalas, Educação e Autoconsciência


As mandalas exercem funções terapêuticas e por isso vem sendo muito utilizadas na abordagem neuropedagógica. Sites  destinados a Ludoterapia mencionam todo aparato de estimulação neural que pode ocorrer através do trabalho com mandalas e é nesse sentido que compartilho a publicação de Sandra Ferris que traz toda explicação em torno da mandala...

A mandala é um desenho de origem sagrada que tem um ponto central e ao seu redor um desenvolvimento, em geral mais ou menos simétrico. São, portanto, desenhos ordenados ao redor de um centro e estão ligados a um estado interior. Mandala é uma palavra que vem do sânscrito e significa circulo, coroa, rotação, circulação, coro, balé e oferenda. Esta palavra é também conhecida como roda e totalidade. Mais alem de sua definição como palavra, do ponto de vista espiritual é um centro energético de equilíbrio e purificação que ajuda a transformar o entorno e a mente. Define-se como um sistema ideográfico possuidor de um espaço sagrado.
A mandala é também chamada psico-cosmograma e permite a quem utiliza reintegrar-se ao universo e em consciência absoluta. É uma forma de arte-terapia.

As mandalas são utilizadas desde tempos remotos em todos os países do mundo: Índia, China, Tibete, povos originários da America, Austrália...
O psicólogo Carl Jung disse que colorir/pintar mandalas era tão poderoso que lhe salvou da loucura. As utilizou em terapias com o objetivo de alcançar a busca de individualidade nos seres humanos. Jung costumava interpretar seus sonhos desenhando uma mandala diariamente. Nesta atividade descobriu a relação que estas tinham com seu centro interior e a partir daí elaborou uma teoria sobre a estrutura da psique humana. Segundo Carl Jung, as mandalas representam a totalidade da mente, abarcando tanto o consciente como o inconsciente. Afirmou que o arquétipo destes desenhos se encontra firmemente ancorado no subconsciente coletivo.
A mandala representa o ser humano. Interatuar com ela nos ajuda a curar a fragmentação psíquica e espiritual, a manifestar nossa criatividade e a re-conectar-nos com nosso ser essencial. É como começar uma viagem para nossa essência, nos abre portas até agora desconhecidas e faz com que brote nossa sabedoria interior.

Como fazer uma mandala?


Pode-se colorir, completar ou inventar. O colorido da mandala pode ser realizado por todo mundo, crianças ou adultos que saibam ou não desenhar. Colorir é fácil, basta preencher com cores os diferentes elementos geométricos. Cada um escolhe as cores, a intensidade da cor e seu material de pintura (aquarela, tintas, ceras, lápis de cor, etc.) em função do seu estado de animo. Deixem seus filhos ou alunos pintar como quiserem. Ponha musica de fundo suave se assim o desejar.
Ao desenhar a partir do centro para o exterior podemos abrir o coração e expandir-nos.
Ao desenhar do exterior para o centro, nos concentramos, interiorizamos e evitamos a dispersão
Deixar que a criança, ou o adulto pinte como quiser, sem intervir, sem induzir a nada. Que sigam seu coração. Em oficinas vivenciais se pode fazer mandalas grupais. Também se pode trabalhar uma mandala com intenção, pensando no Amor, na Paz ou no que desejamos aprofundar ou adquirir. Para as futuras mamães, colocar toda a nossa amorosa atenção no bebê que está para nascer enquanto colorimos a mandala, é um excelente exercício.
Ao colocar uma mandala na parede, automaticamente se harmoniza a casa ou a sala de aula.
Toda a atividade com mandala corresponde a um trabalho interior. É meditação e oferenda. O efeito, ao trabalhar com a mandala, ao percorrê-la, contemplá-la, colori-la é também iniciar uma vigem para seu próprio centro, seu coração. Permite conectar com seu próprio ser interior divino. Da mesma forma podemos trabalhar os labirintos, os padrões universais, a geometria sagrada ou simplesmente o desenho livre.
As rodas e danças circulares são mandalas vivenciais que nos conectam com muita força ao nosso interior, ajudando-nos de maneira muito eficaz a conhecer-nos melhor, ao mesmo tempo em que criamos uma energia de grupo harmônica, prazerosa e solidária. 
Os benefícios de desenhar ou pintar mandalas são múltiplos:

- Permite um trabalho de meditação ativa.
- Nos conecta com nossa essência.
- Proporciona fluidez com o mundo exterior.
- Ajuda a expandir nossa consciência.
- Desenvolve a paciência.
- Aumenta a intuição.
- da Auto-estima e auto-aceitação.
- Cura física, emocional e psiquicamente.
- Recobra o equilíbrio e permite recentrar-se.
- Nos provê de intuição criativa, sossego, harmonia e calma interna.
Imagem:  http://kidsrelaxation.com/category/relaxing-with-art/


As formas e seus significados

 As mandalas não são simples desenhos de cores. Todos os elementos que neles se integram têm um significado. Por exemplo:
- Os círculos representam o movimento, o absoluto, a síntese, o verdadeiro eu.
- Os corações representam o sol, o amor, a felicidade, a alegria, o sentimento de união.
- As cruzes representam a união do céu com a terra, a vida e a morte, o consciente e inconsciente.
- Os quadrados representam os processos da natureza, a terra, a estabilidade, o equilíbrio.
- As estrelas representam os símbolos do espiritual, a liberdade, a elevação.
- As espirais representam vitalidade, as energias curativas, a busca constante da totalidade.
- Os hexágonos representam união dos contrários.
- O labirinto representa a busca do próprio centro.
- As borboletas representam a auto-renovação da alma, morte e transformação.
- Os pentágonos representam a silhueta do corpo humano, terra, água, fogo.
- Os retângulos representam a estabilidade, o rendimento do intelecto e a vida terrena.
- Os triângulos representam a água, o inconsciente (quando a ponta esta para baixo, vitalidade, transformação (para cima), agressão para consigo mesmo (para o centro).


O que transmitem as cores?

- Branco: o nada, o Tao, pureza, iluminação, perfeição.
- Negro: Morte, limitação pessoal, mistério, renascimento, consciência galáctica, coragem.
- Cinza: neutralidade, indecisão, renovação.
- Vermelho: masculino, sensualidade, amor, enraizamento, paixão.
- Azul: tranqüilidade, paz, felicidade, satisfação, fluidez.
- Amarelo: sol, luz, jovialidade, simpatia, receptividade.
- Laranja: energia, dinamismo, ambição, valor.
- Rosa: aspectos femininos e infantis, doçura, altruísmo.
- Lilás: amor ao próximo, idealismo e sabedoria, transformação.
- Verde: natureza, equilíbrio, crescimento, esperança, cura.
- Violeta: música, magia, espiritualidade, transformação, inspiração.
- Dourado: sabedoria, claridade, lucidez, vitalidade.
- Prateado: capacidades extra-sensórias, emoções flutuantes, bem estar.


Páginas web recomendadas:


http://www.idejo.edu.uy/,http://www.sanatansociety.com/free_stuff/free_wallpaper_shri_yantra_mandala
http://www.dharmanet.com.br/vajrayana/mandala.htm
http://www.kidsweb.de/basteln/mandala/mandalas.htm, mandalas muy alegres, muy bonitos para los niños
http://www.nicoles-funworld.de/windowcolor/malvorlagen-mandala-8.php

(Dana Tir, IDEJO, Energias e Forças através das Mándalas e Mandala, Teoria e prática). Assim como na páginaWeb:http://www.mipunto.com/temas/3er_trimestre02/mandala.html

Extrato do livro: Pedagooogia 3000 de Noemi Paymal
Tradução para o português: sandraferris@globo.com
Para saber mais sobre Mandalas na Educação leia o material produzido pelo MEC...A Mandala de Saberes que o programa Mais Educação apresenta, como uma estratégia possível para o diálogo de saberes, na perspectiva da educação integral, nasceu no Rio de Janeiro, em meio ao estado de sítio que cerca as favelas cariocas, em uma experiência de educação integral realizada por meio de ações dos Ministérios da Educação e da Cultura.
A Educação Integral tem sido um ideal presente na legislação educacional brasileira e nas formulações de nossos mais lúcidos educadores. Iniciativas diversas, em diferentes momentos da vida pública do país, levaram esse ideal para perto das escolas implantando propostas e modelos de grande riqueza, mas ainda pontuais e esporádicos. O Ministério da Educação, por meio das Secretarias de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) e da Educação Básica (SEB), em parceria com o FNDE, retomou esse ideal para, a partir do aprendizado com experiências bem sucedidas, levá-lo como prática às redes de ensino dos estados e municípios do país. As experiências recentes indicam o papel central que a escola deve ter no projeto de educação integral, mas também apontam a necessidade de articular outras políticas públicas que contribuam para a diversidade de vivências que tornam a educação integral uma experiência inovadora e sustentável ao longo do tempo. Com essas premissas, foi instituído o Programa Mais Educação no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Síndrome de Asperger: O que é isso?

 Ana Lúcia Hennemann
Num primeiro momento, para alguns, a Síndrome de Asperger é retratada como Autismo e, logo, surge a imagem de um ser sentado, balançando-se para frente e para trás, ou mesmo, movendo um objeto, repetitivamente. Entretanto, ao verificar as referências bibliográficas, é possível perceber a diferença. Segundo Sacks (2006), ainda, muitas pessoas e profissionais tem uma ideia distorcida acerca do autista:

A maioria das pessoas (e de fato, dos médicos), se questionada sobre o autismo, faz uma imagem de uma criança profundamente incapacitada, com movimentos estereotipados, talvez batendo com a cabeça, com uma linguagem rudimentar, quase inacessível: uma criatura a quem o futuro não reserva muita coisa (SACKS, 2006, p.248).

Entretanto, muitos autistas conseguem desenvolver uma linguagem satisfatória e alcançar um mínimo de habilidades sociais, tornando-se seres humanos autônomos. Em seu livro intitulado “Um antropólogo em Marte”, Sacks (2006) relata sua experiência com Temple Grandin, uma americana, autista, que tem, sob certo ponto de vista, uma vida normal, mostrando, assim, que não existe uma realidade única: cada caso é um caso e sempre há superação. 
Na Síndrome de Asperger, as pessoas podem falar de suas experiências, de seus sentimentos e de estados interiores; existe uma consciência acerca de si e algum poder de introspecção e relato, porém, as que têm autismo clássico não são capazes disso. Contudo, ao verificar o CID-10[1], Síndrome de Asperger é classificada como um “Transtorno Global de Desenvolvimento” [2]. Conceituada como F84-5,

Transtorno de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Ele se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha um retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta (CID-10, p. 369, 2003).

 As crianças diagnosticadas com Síndrome de Asperger apresentam um desafio especial para o sistema educacional: muitas vezes, são vistas pelos colegas como excêntricas e esquisitas. A falta do senso do que pode ou não ser feito, contribui, significativamente, para que tais percepções se criem em torno de si.
A Síndrome de Asperger é uma doença pouco conhecida entre médicos, educadores, crianças e sociedade. Por não ter conhecimento, muitas pessoas e profissionais não a identificam corretamente. Trata-se de uma desordem pouco comum, mas conhecê-la é importante para a prevenção do processo psicológico de crianças que tardiamente são diagnosticadas, devido à falta de conhecimento, por parte dos profissionais.
Esta síndrome é uma categoria bastante recente na divulgação científica e encontra-se, em uso geral, praticamente, nas duas últimas décadas. Numa primeira pesquisa, a Síndrome de Asperger se encontra definida da seguinte maneira:

A chamada síndrome de Asperger, transtorno de Asperger ou desordem de Asperger, é uma síndrome do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo...é mais comum no sexo masculino. Quando adultos podem viver de forma comum, como qualquer outra pessoa que não possui a síndrome...Um dos primeiros usos do termo “síndrome de Asperger foi por Lorna Wing em 1981 num jornal médico, que pretendia desta forma homenagar Hans Asperger, um psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990 (WIKIPÉDIA, 2011).

Alguns autores enfocam que não existem exames clínicos que identifiquem a síndrome; o diagnóstico é feito através da observação do comportamento. Entretanto, Mello (2004) aponta para alguns sintomas característicos da síndrome:

I - Distúrbio social - egocentricidade extrema; II - Padrão limitado de interesses; III -Rotinas e rituais; IV- Peculiaridade de fala e linguagem; V - Problemas com comunicação não-verbal; VI - falta de coordenação motora (a pessoa é atrapalhada e desengonçada) (MELLO, 2004, p.73).

Considerando que o tratamento se faz individualmente, em função da evolução de cada criança, os seguintes aspectos podem ser fundamentais: fatores preferenciais de tratamento em um programa de intervenção precoce com indivíduos com a Síndrome de Asperger.

 Devemos procurar o antes possível desenvolver: A autonomia e a independência; a comunicação não verbal; os aspectos sociais como imitação, aprender a esperar a vez e jogos em equipe; a flexibilidade das tendências repetitivas; as habilidades cognitivas e acadêmicas. Ao mesmo tempo é importante: trabalhar na redução dos problemas de comportamento; utilizar tratamento farmacológico se necessário; que a família receba orientação e informação; que os professores recebam assessoria e apoio necessários.  (MELLO, 2004, p.28).

A compreensão das relações humanas e das regras do convívio social não se torna muito evidente para essas crianças. Também, a dificuldade de lidar com mudanças na rotina faz com que fiquem estressadas e emocionalmente vulneráveis. Em breve análise da Revista Brasileira de Psiquiatria, percebe-se que os Asperger se diferem um pouco dos autistas, quanto ao convívio social,

Contrastando um pouco com a representação social no autismo, os indivíduos com Síndrome de Asperger encontram-se socialmente isolados, mas não são usualmente inibidos na presença dos demais. Normalmente eles abordam os demais, mas de uma forma inapropriada e excêntrica. Por exemplo, podem estabelecer com o interlocutor, geralmente um adulto, uma conversação em monólogo caracterizada por uma linguagem prolixa, pedante, sobre um tópico favorito e geralmente não-usual e bem delimitado (KLIN, 2006, p.9).

Por outro lado, a grande maioria de crianças com Síndrome de Asperger apresenta níveis de inteligência na média ou acima da média ou uma memória de rotina superior a de seus demais colegas. Sendo assim, sua determinação por um único tema de interesse pode levá-las a grandes realizações, na vida futura. A criança com autismo com nível de funcionamento baixo vive num mundo próprio, enquanto a criança com autismo com funcionamento mais alto (Síndrome de Asperger), vive no nosso mundo, mas à sua própria maneira.
Na atualidade, estudos voltados à ciência dos neurônios e do sistema nervoso, trazem novos conhecimentos que contribuem para a compreensão do processo de aprendizagem. Cientistas e educadores estão na construção de um possível diálogo, procurando pontes sólidas de interação, que permitam buscar espaços de discussão, contribuindo, assim, para a compreensão dos processos de aprendizagem. Dentro desta linha, surge a abordagem da neurociência, intensificando informações importantes a respeito das bases biológicas da cognição. Segundo Nicolelis (2011), em entrevista para o Jornal Diário Regional, “o neurocientista estuda como o cérebro aprende, esse diálogo com os educadores é fundamental, porque os educadores estão tentando ensinar cérebros.” 
Entender o funcionamento do cérebro está longe de ser a visão generalista de que existem dois hemisférios e que cada um tem funções diferentes, pois se fosse assim, Louzada (2011, p.48) menciona que “os alunos poderiam ser divididos em grupos, de acordo com o hemisfério cerebral que mais utilizam”. Falar sobre o cérebro é perceber que cada um pensa diferente, age diferente, percebe diferente. Existe uma diversidade cognitiva, ou seja, modos, velocidade, ritmos diferentes de aprendizagem.
Na abordagem da Psicologia Cognitiva, pesquisadores como Howard Gardner proporcionam informações importantes para que o desenvolvimento mental da criança seja melhor estimulado. Através de seus estudos, demonstra que não existe somente um tipo de inteligência, mas sim, múltiplas inteligências. Paula (2009, p.144) explicitando as ideias de Gardner, enfatiza que

Os professores precisam buscar meios para desenvolver várias inteligências nos alunos. Entretanto, no planejamento devem ser previstos meios para ajudar os alunos a atingirem uma competência, uma habilidade ou um papel desejado. Para ele, alunos talentosos devem ser orientados para aperfeiçoar seus talentos. Para alunos que apresentam dificuldades na escola, ou mesmo patologias que lhes atrapalham o aprendizado, devem ser desenvolvidos mecanismos e adaptações que auxiliem a adquirir habilidades. Nesse processo, é preciso identificar as propensões biológicas e psicológicas dos seres humanos, os seus universos culturais, e trabalhar essa diversidade.

Somente ter o conhecimento acerca da diversidade cognitiva existente no ambiente escolar, por si só, não basta; se faz necessário intensificar a diversidade na prática educativa, pois, a sala de aula nunca é homogênea, mas sim, carregada de diferenças, de adaptações ao currículo, de envolvimento de todos que fazem parte do processo educativo. Minetto (2009, p.67) faz a seguinte colocação,

Muitas vezes, de forma equivocada, achamos que só há um tipo de aprendizado, esquecendo-nos das diversidades, das necessidades individuais. Seria importante o professor e os demais profissionais da escola perguntarem: o que esse aluno precisa nesse momento? É ser alfabetizado em um ano? É fazer grandes cálculos? Ou seria aumentar sua autoestima? Ou seria ganhar autonomia?

 Também nesse sentido, Louzada (2011, p. 48) no intuito de intensificar o trabalho com a diversidade cognitiva, ressalta que “[...] ao planejar uma estratégia pedagógica, o educador deve levar em consideração aspectos relacionados à aprendizagem, à linguagem, às emoções, à atenção e assim por diante”.
Entendendo que os educadores não educam para o ontem, mas sim, no hoje, porém, com vistas para o amanhã, se faz necessário acompanhar os avanços da neurociência e trabalhar em conjunto, buscando melhores métodos para otimizar a diversidade cognitiva, bem como melhores métodos de intervenções precoces, procurando, de forma prazerosa, transformar informações em conhecimento.
Louzada (2011, p. 49) alerta para as modificações do cérebro, uma vez que: “Nosso cérebro, portanto, é plástico, modifica-se ao longo de toda a vida. Por esse motivo, nenhum cérebro é idêntico ao outro, assim como amanhã ele não será igual ao que era ontem”.

Para ilustrar como vive alguém com Asperger existem muitos vídeos, entretanto segue um que retrata  de maneira bem simples a síndrome...


Referências:

BAPTISTA, Claudio Roberto. BOSA, Cleonice. Autismo e educação: reflexão e propostas de intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2002.

GLAT, Rosana. Educação Inclusiva: cultura e cotidiano escolar. Rio de Janeiro: Sete Letras, 2007.

KLIN, Ami. Autismo e síndrome de asperger: uma visão geral. Revista Brasileira de Psiquiatria. São Paulo, v. 28, nº 1, p. 3-11 mai. 2006.

LOUZADA, Fernando. Neurociência e educação: um diálogo possível? Revista Mentecérebro. Nº 222 Julho. São Paulo: Ediouro Duetto Editorial Ltda, 2011.

MELLO, Ana Maria S. Autismo: guia prático. 4ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE, 2004.

MINETTO, Maria de Fátima Joaquim ET ALL. Diversidade na aprendizagem de pessoas portadoras de necessidades especiais. Curitiba: IESDE Brasil S. A., 2010. 284 p. 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de comportamento (CID-10): Descrições e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 2003.

ORRÚ, Sílvia Ester. Síndrome de Asperger: aspectos científicos e educacionais. Revista Ibero-Americana de Educação, n° 53/7 - 10/10/10

PAULA, Ercília Maria de.; MENDONÇA, Fernando Wolff. Psicologia do desenvolvimento. 2 ed. Curitiba: IESDE Brasil S.A. , 2009.164 p.

RIDLEY, Matt. O que nos faz humanos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

SACKS, Oliver. Um antropólogo em Marte: sete histórias paradoxais. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

TEIXEIRA, Gustavo Henrique. Síndrome de Asperger e Transtorno Obsessivo-Compulsivo em Crianças de 12 anos de Idade. Arquivos Brasileiros de Psiquiatria, Neurologia e Medicina Legal, Rio de Janeiro, vol 100, nº 01, Jan.Fev.Mar. 2006.

WIKIPÉDIA. Síndrome de Asperger. Disponível on line:< http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Asperger > . Acesso em 9 março de 2011.


[1]           CID-10: Classificação Internacional de Doenças.
[2]           Grupo de transtornos caracterizados por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e modalidades de comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo.