Nosso cérebro é um órgão fantástico. Ele pode controlar
praticamente todas as partes do nosso corpo. Ele também tem a capacidade única
de pensar e fornecer habilidades cognitivas, tais como:
1. Habilidades de Atenção - Esta inclui a capacidade de uma pessoa
de compreender e responder à informação recebida. Essas habilidades de atenção
podem ser subdivididas em:
v Atenção sustentada - A capacidade de se manter focado e atento à tarefa que
está sendo executada.
v A atenção seletiva - A capacidade de manter o foco, apesar de entradas
sensoriais (também conhecidas como distrações)
v Atenção dividida - A capacidade de lembrar informações e manter o foco em
alguma coisa enquanto realiza uma outra
tarefa.
2. Habilidades de memória. Esta é a nossa capacidade de
armazenar e recuperar informações.
Memória engloba
memória a longo prazo, que é a capacidade de recordar a informação que
foi armazenada no passado. Este tipo de memória é crucial para muitas tarefas,
incluindo a aprendizagem e muitas outras coisas feitas ao longo do dia.
Memória de curto
prazo inclui informações que recordamos quando necessário em uma base
mais imediata.
Ambas os tipos de memória são uma parte essencial de nossas
habilidades cognitivas.
3. Lógica e raciocínio - Esta é a nossa capacidade de
raciocinar de uma situação, formular conceitos e resolver problemas utilizando
a entrada de única e parâmetros.
4. O processamento auditivo
- Isso inclui a nossa capacidade de analisar, combinar e diferenciar sons. É
uma habilidade crucial para aprender a ler e soletrar.
5. Processamento visual - Este engloba a nossa capacidade de
perceber, analisar e processar o mundo que nos rodeia em imagens visuais. Isto
também inclui a capacidade de imaginar alguma coisa em nossas mentes. Este tipo
de habilidade é importante para aprender a seguir as instruções, executar problemas
de matemática e seguir direções.
6. Velocidade de processamento - A velocidade em que o nosso
cérebro processa a informação é fundamental para a realização de tarefas
cognitivas de forma rápida e eficiente. Eficientes habilidades cognitivas são
essenciais para melhorar a nossa capacidade de aprender. Deficiências nessas
competências desempenham um papel importante na aprendizagem. Por exemplo:
fraquezas no processamento auditivo podem criar grandes problemas em aprender a
ler de forma eficaz.
Como os músculos do seu corpo, suas habilidades cognitivas
podem ser treinadas com programas
adequados do cérebro que visam especificamente as habilidades que você está
interessado em melhorar. Devido à sua importância em nossa vida diária,
certifique-se de manter ou tentar melhorar essas essenciais habilidades cognitivas,
pois seu cérebro vale ouro!
Conforme Sabrina Ribeiro, o autismo é uma condição crônica,
caracterizado pela presença de importantes prejuízos em áreas do
desenvolvimento, por esta razão o tratamento deve ser contínuo e envolver uma
equipe multidisciplinar (Schwartzman, 2003).
A eficácia de um tratamento depende da
experiência e do conhecimento dos profissionais sobre o autismo e,
principalmente, de sua habilidade de trabalhar em equipe e com a família (Bosa,
2006).
Existem vários tipos de tratamento que podem ser usados para ajudar uma
criança com autismo. Independente da linha escolhida, a maioria dos
especialistas ressalta que: o tratamento deve começar o mais cedo possível; as
terapias devem ser adaptadas às necessidades específicas de cada criança e a
eficácia do tratamento deve ser medida com os avanços da criança.
Sabe-se que uma boa intervenção consegue
reduzir comportamentos inadequados e minimizar os prejuízos nas áreas do
desenvolvimento. Os tratamentos visam tornar os indivíduos mais independentes
em todas as suas áreas de atuação, favorecendo uma melhoria na qualidade de
vida das pessoas com autismo e suas famílias.
Abaixo segue um vídeo mostrando algumas técnicas de intervenção feitas
em um menino que apresentava autismo severo...
Como
a Neuroeducação e a Neuropedagogia podem ajudar a escola e o professor a tornar
o aprendizado mais eficiente e mais interessante para o aluno?
Estímulos
Multi-sensoriais: as pesquisas mostram que o aprendizado será mais
eficaz e a recordação da informação mais fácil se mais sentidos forem
estimulados.
Recompensas e
motivação: a necessidade de uma recompensa imediata é
característica das gerações atuais. Recompensas externas podem ser preocupantes
no ambiente escolar, mas a criatividade do professor pode encontrar formas de
recompensar o aluno em sala de aula de forma a motivá-lo nas atividades e
conquistar sua atenção. Algo como dedicar um intervalo da aula para piadas,
canções, jingles, se a atenção e participação de todos foi adequada no momento
combinado.
Memória:
sem repetição a memorização não acontece, a rememoração falha, perde-se a
informação, o tempo e a motivação. A quantidade de repetição vai depender da
emoção envolvida na passagem da informação. Quanto mais emoção maior a chance
da informação ficar cravada na memória dos seus alunos.
Conhecimento
prévio: dificilmente vai haver aprendizagem se a informação nova não
está contextualizada e conectada a conhecimentos que já existem no cérebro da
criança. Do concreto para o abstrato: o lobo frontal, sede do nosso
pensamento abstrato, demora mais a se desenvolver, como vimos aqui isso se
estende até a segunda década de vida. Dessa forma, parta de exemplos concretos
para atingir ideações abstratas.
Práticas:
quando uma informação é colocada em prática ela se torna patente em nosso
cérebro. Mas certifique-se de que na prática a criança realmente entendeu, ela
deve ser capaz de falar e escrever sobre um conceito que praticou.
Estórias ou
histórias: elas ativam muitas áreas cerebrais, mexem conosco, com
nossas emoções, memórias e ideias. Elas têm início, meio e fim, o que também
estimula o desenvolvimento de habilidades de sequenciação e organização (córtex
pré-frontal).
Computadores e outras
tecnologias: muitos sentidos são
estimulados quando os estudantes trabalham em grupos fazendo pesquisas no
computador. O trabalho é bastante visual, auditivo e cinestésico, além de
estimular habilidades sociais.
O cérebro procura por padrões:
a informação é guardada em nosso cérebro através de padrões de reconhecimento.
Daniel Pink (2005) ressalta que a era atual requer uma forma de pensar que
inclua a capacidade de detectar padrões e criar algo novo. É fundamental que o
Educador apresente a nova informação, auxilie o aluno a identificar o padrão,
associar esse padrão a padrões já armazenados por ele em seu cérebro e aí seja
capaz de criar novos padrões. Dois métodos principais funcionam muito bem para
isso, um é o uso de organizadores gráficos como mapas mentais e diagramas de
Venn, outro é através da organização da informação em blocos lógicos e
contextualizados.
O estresse inibe a
aprendizagem: numerosas evidências apontam
para isso, sobretudo os efeitos do cortisol (hormônio do estresse) provocando a
morte de neurônios no hipocampo (área da memória de longo prazo). Nesse sentido
ofereça um ambiente de ensino seguro, confortável e acolhedor. Estabeleça
rotinas, regras, objetivos e procedimentos padrão. Os rituais de sala de aula
podem contribuir para reduzir o estresse.
O cérebro é um órgão social:
a interação e desenvolvimento de habilidades sociais são fundamentais no
processo de aprendizagem. Nossas crianças da era digital encontram-se talvez
mais aptas a se relacionar através de um teclado do que com a fala, o olhar e o
toque. É importante para elas desenvolver a linguagem não verbal, reconhecer
sentimentos através da face e dos gestos, interagir com diferentes grupos
sociais, aprender a escutar, expressar suas emoções e ser empática.
Arte e atividade física
melhoram o desempenho intelectual: explore
essas atividades o mais que puder.
Contrabalance tecnologia e criatividade,
utilize música e muito, muito visual!
As mandalas exercem funções terapêuticas e por isso vem sendo muito utilizadas na abordagem neuropedagógica. Sites destinados a Ludoterapia mencionam todo aparato de estimulação neural que pode ocorrer através do trabalho com mandalas e é nesse sentido que compartilho a publicação de Sandra Ferris que traz toda explicação em torno da mandala...
A mandala é um desenho de origem sagrada que tem um ponto
central e ao seu redor um desenvolvimento, em geral mais ou menos simétrico.
São, portanto, desenhos ordenados ao redor de um centro e estão ligados a um
estado interior. Mandala é uma palavra que vem do sânscrito e significa
circulo, coroa, rotação, circulação, coro, balé e oferenda. Esta palavra é
também conhecida como roda e totalidade. Mais alem de sua definição como
palavra, do ponto de vista espiritual é um centro energético de equilíbrio e
purificação que ajuda a transformar o entorno e a mente. Define-se como um
sistema ideográfico possuidor de um espaço sagrado.
A mandala é também chamada psico-cosmograma e permite a quem
utiliza reintegrar-se ao universo e em consciência absoluta. É uma forma de
arte-terapia.
As mandalas são utilizadas desde tempos remotos em todos os
países do mundo: Índia, China, Tibete, povos originários da America,
Austrália...
O psicólogo Carl Jung disse que colorir/pintar mandalas era
tão poderoso que lhe salvou da loucura. As utilizou em terapias com o objetivo
de alcançar a busca de individualidade nos seres humanos. Jung costumava
interpretar seus sonhos desenhando uma mandala diariamente. Nesta atividade
descobriu a relação que estas tinham com seu centro interior e a partir daí
elaborou uma teoria sobre a estrutura da psique humana. Segundo Carl Jung, as
mandalas representam a totalidade da mente, abarcando tanto o consciente como o
inconsciente. Afirmou que o arquétipo destes desenhos se encontra firmemente
ancorado no subconsciente coletivo.
A mandala representa o ser humano. Interatuar com ela nos
ajuda a curar a fragmentação psíquica e espiritual, a manifestar nossa
criatividade e a re-conectar-nos com nosso ser essencial. É como começar uma
viagem para nossa essência, nos abre portas até agora desconhecidas e faz com
que brote nossa sabedoria interior.
Como fazer uma mandala?
Pode-se colorir, completar ou inventar. O colorido da
mandala pode ser realizado por todo mundo, crianças ou adultos que saibam ou
não desenhar. Colorir é fácil, basta preencher com cores os diferentes
elementos geométricos. Cada um escolhe as cores, a intensidade da cor e seu
material de pintura (aquarela, tintas, ceras, lápis de cor, etc.) em função do
seu estado de animo. Deixem seus filhos ou alunos pintar como quiserem. Ponha
musica de fundo suave se assim o desejar.
Ao desenhar a partir do centro para o exterior podemos abrir
o coração e expandir-nos.
Ao desenhar do exterior para o centro, nos concentramos,
interiorizamos e evitamos a dispersão
Deixar que a criança, ou o adulto pinte como quiser, sem
intervir, sem induzir a nada. Que sigam seu coração. Em oficinas vivenciais se
pode fazer mandalas grupais. Também se pode trabalhar uma mandala com intenção,
pensando no Amor, na Paz ou no que desejamos aprofundar ou adquirir. Para as
futuras mamães, colocar toda a nossa amorosa atenção no bebê que está para
nascer enquanto colorimos a mandala, é um excelente exercício.
Ao colocar uma mandala na parede, automaticamente se
harmoniza a casa ou a sala de aula.
Toda a atividade com mandala corresponde a um trabalho
interior. É meditação e oferenda. O efeito, ao trabalhar com a mandala, ao
percorrê-la, contemplá-la, colori-la é também iniciar uma vigem para seu
próprio centro, seu coração. Permite conectar com seu próprio ser interior
divino. Da mesma forma podemos trabalhar os labirintos, os padrões universais,
a geometria sagrada ou simplesmente o desenho livre.
As rodas e danças circulares são mandalas vivenciais que nos
conectam com muita força ao nosso interior, ajudando-nos de maneira muito
eficaz a conhecer-nos melhor, ao mesmo tempo em que criamos uma energia de
grupo harmônica, prazerosa e solidária.
Os benefícios de desenhar ou pintar
mandalas são múltiplos:
- Permite um trabalho de meditação ativa.
- Nos conecta com nossa essência.
- Proporciona fluidez com o mundo exterior.
- Ajuda a expandir nossa consciência.
- Desenvolve a paciência.
- Aumenta a intuição.
- da Auto-estima e auto-aceitação.
- Cura física, emocional e psiquicamente.
- Recobra o equilíbrio e permite recentrar-se.
- Nos provê de intuição criativa, sossego, harmonia e calma
interna.
As mandalas não são simples desenhos de cores. Todos os
elementos que neles se integram têm um significado. Por exemplo:
- Os círculos representam o movimento, o absoluto, a
síntese, o verdadeiro eu.
- Os corações representam o sol, o amor, a felicidade, a
alegria, o sentimento de união.
- As cruzes representam a união do céu com a terra, a vida e
a morte, o consciente e inconsciente.
- Os quadrados representam os processos da natureza, a
terra, a estabilidade, o equilíbrio.
- As estrelas representam os símbolos do espiritual, a
liberdade, a elevação.
- As espirais representam vitalidade, as energias curativas,
a busca constante da totalidade.
- Os hexágonos representam união dos contrários.
- O labirinto representa a busca do próprio centro.
- As borboletas representam a auto-renovação da alma, morte
e transformação.
- Os pentágonos representam a silhueta do corpo humano,
terra, água, fogo.
- Os retângulos representam a estabilidade, o rendimento do
intelecto e a vida terrena.
- Os triângulos representam a água, o inconsciente (quando a
ponta esta para baixo, vitalidade, transformação (para cima), agressão para
consigo mesmo (para o centro).
O que transmitem as cores?
- Branco: o nada, o Tao, pureza, iluminação, perfeição.
(Dana Tir, IDEJO, Energias e Forças através das Mándalas e
Mandala, Teoria e prática). Assim como na
páginaWeb:http://www.mipunto.com/temas/3er_trimestre02/mandala.html
Extrato do livro: Pedagooogia 3000 de Noemi Paymal
Tradução para o português: sandraferris@globo.com Para saber mais sobre Mandalas na Educação leia o material produzido pelo MEC...A Mandala de Saberes que o programa Mais Educação apresenta,
como uma estratégia possível para o diálogo de saberes, na perspectiva da
educação integral, nasceu no Rio de Janeiro, em meio ao estado de sítio que
cerca as favelas cariocas, em uma experiência de educação integral realizada
por meio de ações dos Ministérios da Educação e da Cultura.
A Educação Integral tem sido um ideal presente na legislação
educacional brasileira e nas formulações de nossos mais lúcidos educadores.
Iniciativas diversas, em diferentes momentos da vida pública do país, levaram
esse ideal para perto das escolas implantando propostas e modelos de grande
riqueza, mas ainda pontuais e esporádicos. O Ministério da Educação, por meio
das Secretarias de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) e
da Educação Básica (SEB), em parceria com o FNDE, retomou esse ideal para, a
partir do aprendizado com experiências bem sucedidas, levá-lo como prática às redes
de ensino dos estados e municípios do país. As experiências recentes indicam o
papel central que a escola deve ter no projeto de educação integral, mas também
apontam a necessidade de articular outras políticas públicas que contribuam
para a diversidade de vivências que tornam a educação integral uma experiência
inovadora e sustentável ao longo do tempo. Com essas premissas, foi instituído
o Programa Mais Educação no âmbito do Plano de Desenvolvimento da Educação –
PDE.
Num
primeiro momento, para alguns, a Síndrome de Asperger é retratada como Autismo
e, logo, surge a imagem de um ser sentado, balançando-se para frente e para
trás, ou mesmo, movendo um objeto, repetitivamente. Entretanto, ao verificar as
referências bibliográficas, é possível perceber a diferença. Segundo Sacks
(2006), ainda, muitas pessoas e profissionais tem uma ideia distorcida acerca
do autista:
A
maioria das pessoas (e de fato, dos médicos), se questionada sobre o autismo,
faz uma imagem de uma criança profundamente incapacitada, com movimentos
estereotipados, talvez batendo com a cabeça, com uma linguagem rudimentar,
quase inacessível: uma criatura a quem o futuro não reserva muita coisa (SACKS,
2006, p.248).
Entretanto,
muitos autistas conseguem desenvolver uma linguagem satisfatória e alcançar um
mínimo de habilidades sociais, tornando-se seres humanos autônomos. Em seu
livro intitulado “Um antropólogo em Marte”, Sacks (2006) relata sua experiência
com Temple Grandin, uma americana, autista, que tem, sob certo ponto de vista,
uma vida normal, mostrando, assim, que não existe uma realidade única: cada
caso é um caso e sempre há superação.
Na
Síndrome de Asperger, as pessoas podem falar de suas experiências, de seus
sentimentos e de estados interiores; existe uma consciência acerca de si e
algum poder de introspecção e relato, porém, as que têm autismo clássico não
são capazes disso. Contudo, ao verificar o CID-10[1],
Síndrome de Asperger é classificada como um “Transtorno Global de
Desenvolvimento” [2].
Conceituada como F84-5,
Transtorno
de validade nosológica incerta, caracterizado por uma alteração qualitativa das
interações sociais recíprocas, semelhante à observada no autismo, com um
repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e repetitivo. Ele
se diferencia do autismo essencialmente pelo fato de que não se acompanha um
retardo ou de uma deficiência de linguagem ou do desenvolvimento cognitivo. Os
sujeitos que apresentam este transtorno são em geral muito desajeitados. As
anomalias persistem frequentemente na adolescência e idade adulta. O transtorno
se acompanha por vezes de episódios psicóticos no início da idade adulta
(CID-10, p. 369, 2003).
As crianças diagnosticadas com Síndrome de
Asperger apresentam um desafio especial para o sistema educacional: muitas
vezes, são vistas pelos colegas como excêntricas e esquisitas. A falta do senso
do que pode ou não ser feito, contribui, significativamente, para que tais
percepções se criem em torno de si.
A
Síndrome de Asperger é uma doença pouco conhecida entre médicos, educadores,
crianças e sociedade. Por não ter conhecimento, muitas pessoas e profissionais
não a identificam corretamente. Trata-se de uma desordem pouco comum, mas
conhecê-la é importante para a prevenção do processo psicológico de crianças
que tardiamente são diagnosticadas, devido à falta de conhecimento, por parte
dos profissionais.
Esta
síndrome é uma categoria bastante recente na divulgação científica e
encontra-se, em uso geral, praticamente, nas duas últimas décadas. Numa
primeira pesquisa, a Síndrome de Asperger se encontra definida da seguinte
maneira:
A chamada
síndrome de Asperger, transtorno de Asperger ou desordem de Asperger, é uma síndrome
do espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar
nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do
indivíduo...é mais comum no sexo masculino. Quando adultos podem viver de forma
comum, como qualquer outra pessoa que não possui a síndrome...Um dos primeiros
usos do termo “síndrome de Asperger foi por Lorna Wing em 1981 num jornal
médico, que pretendia desta forma homenagar Hans Asperger, um psiquiatra e
pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a
década de 1990 (WIKIPÉDIA, 2011).
Alguns
autores enfocam que não existem exames clínicos que identifiquem a síndrome; o
diagnóstico é feito através da observação do comportamento. Entretanto, Mello
(2004) aponta para alguns sintomas característicos da síndrome:
I - Distúrbio
social - egocentricidade extrema; II - Padrão limitado de interesses; III
-Rotinas e rituais; IV- Peculiaridade de fala e linguagem; V - Problemas com
comunicação não-verbal; VI - falta de coordenação motora (a pessoa é
atrapalhada e desengonçada) (MELLO, 2004, p.73).
Considerando
que o tratamento se faz individualmente, em função da evolução de cada criança,
os seguintes aspectos podem ser fundamentais: fatores preferenciais de
tratamento em um programa de intervenção precoce com indivíduos com a Síndrome
de Asperger.
Devemos procurar o antes possível desenvolver:
A autonomia e a independência; a comunicação não verbal; os aspectos sociais
como imitação, aprender a esperar a vez e jogos em equipe; a flexibilidade das
tendências repetitivas; as habilidades cognitivas e acadêmicas. Ao mesmo tempo
é importante: trabalhar na redução dos problemas de comportamento; utilizar
tratamento farmacológico se necessário; que a família receba orientação e informação;
que os professores recebam assessoria e apoio necessários. (MELLO, 2004, p.28).
A
compreensão das relações humanas e das regras do convívio social não se torna
muito evidente para essas crianças. Também, a dificuldade de lidar com mudanças
na rotina faz com que fiquem estressadas e emocionalmente vulneráveis. Em breve
análise da Revista Brasileira de Psiquiatria, percebe-se que os Asperger se
diferem um pouco dos autistas, quanto ao convívio social,
Contrastando
um pouco com a representação social no autismo, os indivíduos com Síndrome de
Asperger encontram-se socialmente isolados, mas não são usualmente inibidos na
presença dos demais. Normalmente eles abordam os demais, mas de uma forma
inapropriada e excêntrica. Por exemplo, podem estabelecer com o interlocutor,
geralmente um adulto, uma conversação em monólogo caracterizada por uma
linguagem prolixa, pedante, sobre um tópico favorito e geralmente não-usual e
bem delimitado (KLIN, 2006, p.9).
Por outro lado, a grande maioria de
crianças com Síndrome de Asperger apresenta níveis de inteligência na média ou
acima da média ou uma memória de rotina superior a de seus demais colegas.
Sendo assim, sua determinação por um único tema de interesse pode levá-las a
grandes realizações, na vida futura. A criança com autismo com nível de
funcionamento baixo vive num mundo próprio, enquanto a criança com autismo com
funcionamento mais alto (Síndrome de Asperger), vive no nosso mundo, mas à sua
própria maneira.
Na atualidade,
estudos voltados à ciência dos neurônios e do sistema nervoso, trazem novos
conhecimentos que contribuem para a compreensão do processo de
aprendizagem. Cientistas e educadores estão na construção de um possível
diálogo, procurando pontes sólidas de interação, que permitam buscar espaços de
discussão, contribuindo, assim, para a compreensão dos processos de
aprendizagem. Dentro desta linha, surge a abordagem da neurociência,
intensificando informações importantes a respeito das bases biológicas da
cognição. Segundo Nicolelis (2011), em entrevista para o Jornal Diário
Regional, “o neurocientista estuda como o cérebro aprende, esse diálogo com os
educadores é fundamental, porque os educadores estão tentando ensinar
cérebros.”
Entender
o funcionamento do cérebro está longe de ser a visão generalista de que existem
dois hemisférios e que cada um tem funções diferentes, pois se fosse assim,
Louzada (2011, p.48) menciona que “os alunos poderiam ser divididos em grupos,
de acordo com o hemisfério cerebral que mais utilizam”. Falar sobre o cérebro é
perceber que cada um pensa diferente, age diferente, percebe diferente. Existe
uma diversidade cognitiva, ou seja, modos, velocidade, ritmos diferentes de
aprendizagem.
Na
abordagem da Psicologia Cognitiva, pesquisadores como Howard Gardner
proporcionam informações importantes para que o desenvolvimento mental da
criança seja melhor estimulado. Através de seus estudos, demonstra que não
existe somente um tipo de inteligência, mas sim, múltiplas inteligências. Paula
(2009, p.144) explicitando as ideias de Gardner, enfatiza que
Os
professores precisam buscar meios para desenvolver várias inteligências nos
alunos. Entretanto, no planejamento devem ser previstos meios para ajudar os
alunos a atingirem uma competência, uma habilidade ou um papel desejado. Para
ele, alunos talentosos devem ser orientados para aperfeiçoar seus talentos.
Para alunos que apresentam dificuldades na escola, ou mesmo patologias que lhes
atrapalham o aprendizado, devem ser desenvolvidos mecanismos e adaptações que
auxiliem a adquirir habilidades. Nesse processo, é preciso identificar as
propensões biológicas e psicológicas dos seres humanos, os seus universos
culturais, e trabalhar essa diversidade.
Somente
ter o conhecimento acerca da diversidade cognitiva existente no ambiente escolar,
por si só, não basta; se faz necessário intensificar a diversidade na prática
educativa, pois, a sala de aula nunca é homogênea, mas sim, carregada de
diferenças, de adaptações ao currículo, de envolvimento de todos que fazem
parte do processo educativo. Minetto (2009, p.67) faz a seguinte colocação,
Muitas
vezes, de forma equivocada, achamos que só há um tipo de aprendizado,
esquecendo-nos das diversidades, das necessidades individuais. Seria importante
o professor e os demais profissionais da escola perguntarem: o que esse aluno
precisa nesse momento? É ser alfabetizado em um ano? É fazer grandes cálculos?
Ou seria aumentar sua autoestima? Ou seria ganhar autonomia?
Também nesse sentido, Louzada (2011, p. 48) no
intuito de intensificar o trabalho com a diversidade cognitiva, ressalta que
“[...] ao planejar uma estratégia pedagógica, o educador deve levar em
consideração aspectos relacionados à aprendizagem, à linguagem, às emoções, à
atenção e assim por diante”.
Entendendo
que os educadores não educam para o ontem, mas sim, no hoje, porém, com vistas
para o amanhã, se faz necessário acompanhar os avanços da neurociência e
trabalhar em conjunto, buscando melhores métodos para otimizar a diversidade
cognitiva, bem como melhores métodos de intervenções precoces, procurando, de
forma prazerosa, transformar informações em conhecimento.
Louzada
(2011, p. 49) alerta para as modificações do cérebro, uma vez que: “Nosso
cérebro, portanto, é plástico, modifica-se ao longo de toda a vida. Por esse
motivo, nenhum cérebro é idêntico ao outro, assim como amanhã ele não será
igual ao que era ontem”.
Para ilustrar como vive alguém com Asperger existem muitos vídeos, entretanto segue um que retrata de maneira bem simples a síndrome...
Referências:
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reflexão e propostas de intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2002.
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LOUZADA, Fernando. Neurociência e
educação: um diálogo possível? Revista Mentecérebro. Nº 222 Julho. São
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MELLO, Ana Maria S. Autismo: guia
prático. 4ed. São Paulo: AMA; Brasília: CORDE, 2004.
MINETTO, Maria de Fátima Joaquim ET
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especiais. Curitiba: IESDE Brasil S. A., 2010. 284 p.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de
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Asperger: aspectos científicos e educacionais.Revista
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Obsessivo-Compulsivo em Crianças de 12 anos de Idade. Arquivos Brasileiros
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Síndrome de Asperger. Disponível on line:<
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Asperger > . Acesso em 9 março
de 2011.
[1] CID-10: Classificação Internacional
de Doenças.
[2] Grupo de transtornos caracterizados
por alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e modalidades de
comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito,
estereotipado e repetitivo.