Caracterizado como um transtorno neurobiológico (de
causas genéticas) e para outros como um transtorno neurocomportamental, apresentando
sintomas de distração, dificuldades com organização e planejamento,
impulsividade, agitação (hiperatividade). O TDAH pode levar o indivíduo a
dificuldades emocionais e consequentemente de relacionamento, além de baixo
desempenho escolar. Embora possam ser inteligentes e criativas, seu desempenho
sempre parece ser inferior ao esperado.
Segundo a reportagem da Veja (10/07/2011),
O maior problema do transtorno de
déficit de atenção e hiperatividade, o TDAH, é identificar corretamente seus
sintomas. Normalmente são mais perceptíveis nos meninos, que manifestam o
distúrbio mais claramente. As meninas costumam ser mais discretas, embora a
doença as faça ir mal na escola e ter problemas de aprendizagem. Por isso, o
diagnóstico correto é essencial para separar o caso de crianças que estão
simplesmente agindo conforme sua idade das que realmente precisam de ajuda e
eventualmente até medicação.
As crianças com TDAH possuem dificuldades para manter a
atenção em atividades prolongadas, repetitivas ou que não lhes seja
interessante. São facilmente distraídas por estímulos do ambiente externo.
Tendem a ser impulsivas e apresentam dificuldades em se organizar e planejar.
No aspecto neuroquímico, o TDAH é um transtorno onde os
neurotransmissores catecolaminérgicos funcionam em baixa atividade.
A ênfase está na desregulação central dos sistemas
dopaminérgicos e noradrenérgicos que controlam a atenção, organização,
planejamento, motivação, cognição, atividade motora, funções executivas e
também o sistema emocional de recompensa.
A medicação mais efetiva para o tratamento é o
metilfenidato, que aumenta a quantidade de dopamina na fenda sináptica. Isto
leva a investigar os genes do sistema dopaminérgico como sendo um possível marcador genético do TDAH.
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| Imagem: http://www.istoe.com.br/reportagens/13191_ ESCOLAS+ESPECIALIZADAS+EM+DEFICIT+DE+ATENCAO |
Causas:
Conforme descrito anteriormente, estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm
alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. A
região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação
com outras espécies animais e é responsável pela inibição do comportamento
(isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de
prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.
O que parece estar alterado nesta região cerebral é o
funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores
(principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as
células nervosas (neurônios).
Existem causas que foram investigadas para estas
alterações nos neurotransmissores da região frontal e suas conexões.
A) Hereditariedade:
Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em
si, mas por uma predisposição ao TDAH. A participação de genes foi suspeitada,
inicialmente, a partir de observações de que nas famílias de portadores de TDAH
a presença de parentes também afetados com TDAH era mais frequente do que nas
famílias que não tinham crianças com TDAH. A prevalência da doença entre os
parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população
em geral (isto é chamado de recorrência familial).
Porém, como em qualquer transtorno do comportamento, a
maior ocorrência dentro da família pode ser devido a influências ambientais,
como se a criança aprendesse a se comportar de um modo "desatento" ou
"hiperativo" simplesmente por ver seus pais se comportando desta
maneira, o que excluiria o papel de genes. Foi preciso, então, comprovar que a
recorrência familial era de fato devida a uma predisposição genética, e não
somente ao ambiente. Outros tipos de estudos genéticos foram fundamentais para
se ter certeza da participação de genes: os estudos com gêmeos e com adotados.
Nos estudos com adotados comparam-se pais biológicos e pais adotivos de
crianças afetadas, verificando se há diferença na presença do TDAH entre os
dois grupos de pais. Eles mostraram que os pais biológicos têm 3 vezes mais
TDAH que os pais adotivos.
Os estudos com gêmeos comparam gêmeos univitelinos e
gêmeos fraternos (bivitelinos), quanto a diferentes aspectos do TDAH (presença
ou não, tipo, gravidade etc...). Sabendo-se que os gêmeos univitelinos têm 100%
de semelhança genética, ao contrário dos fraternos (50% de semelhança
genética), se os univitelinos se parecem mais nos sintomas de TDAH do que os
fraternos, a única explicação é a participação de componentes genéticos (os
pais são iguais, o ambiente é o mesmo, a dieta, etc.). Quanto mais parecidos,
ou seja, quanto mais concordam em relação àquelas características, maior é a
influência genética para a doença. Realmente, os estudos de gêmeos com TDAH
mostraram que os univitelinos são muito mais parecidos (também se diz
"concordantes") do que os fraternos, chegando a ter 70% de
concordância, o que evidencia uma importante participação de genes na origem do
TDAH.
A partir dos dados destes estudos, o próximo passo na
pesquisa genética do TDAH foi começar a procurar que genes poderiam ser estes.
É importante salientar que no TDAH, como na maioria dos transtornos do
comportamento, em geral multifatoriais, nunca devemos falar em determinação
genética, mas sim em predisposição ou influência genética. O que acontece
nestes transtornos é que a predisposição genética envolve vários genes, e não
um único gene (como é a regra para várias de nossas características físicas,
também). Provavelmente não existe, ou não se acredita que exista, um único
"gene do TDAH". Além disto, genes podem ter diferentes níveis de
atividade, alguns podem estar agindo em alguns pacientes de um modo diferente
que em outros; eles interagem entre si, somando-se ainda as influências
ambientais. Também existe maior incidência de depressão, transtorno bipolar
(antigamente denominado Psicose Maníaco-Depressiva) e abuso de álcool e drogas
nos familiares de portadores de TDAH.
B) Substâncias ingeridas na gravidez:
Tem-se observado que a nicotina e o álcool quando
ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do
cérebro do bebê, incluindo-se aí a região frontal orbital. Pesquisas indicam
que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de
hiperatividade e desatenção. É importante lembrar que muitos destes estudos
somente nos mostram uma associação entre estes fatores, mas não mostram uma
relação de causa e efeito.
C) Sofrimento fetal:
Alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas
no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem
filhos com TDAH. A relação de causa não é clara. Talvez mães com TDAH sejam
mais descuidadas e assim possam estar mais predispostas a problemas na gravidez
e no parto. Ou seja, a carga genética que ela própria tem (e que passa ao
filho) é que estaria influenciando a maior presença de problemas no parto.
D) Exposição a chumbo:
Crianças pequenas que sofreram intoxicação por chumbo
podem apresentar sintomas semelhantes aos do TDAH. Entretanto, não há nenhuma
necessidade de se realizar qualquer exame de sangue para medir o chumbo numa
criança com TDAH, já que isto é raro e pode ser facilmente identificado pela
história clínica.
E) Problemas Familiares:
Algumas teorias sugeriam que problemas familiares (alto
grau de discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, famílias com apenas um dos
pais, funcionamento familiar caótico e famílias com nível socioeconômico mais
baixo) poderiam ser a causa do TDAH nas crianças. Estudos recentes têm refutado
esta ideia. As dificuldades familiares podem ser mais consequência do que causa
do TDAH (na criança e mesmo nos pais).
Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas
não causá-lo.
Existem terapias que através da alimentação tentam controlar os sintomas do TDAH, reduzindo a agitação...
Sites indicados sobre TDAH: http://www.tdah.org.br/ ou http://www.comportamentoinfantil.com/
Referências:
CYPEL, Saul - A Criança com Déficit de Atenção e Hiperatividade: Atualização para pais, professores e profissionais da saúde - São Paulo, Lemos Editorial, 2000.
PHELAN, TW. TDA/TDAH – Transtornos de Déficit de Atenção
e Hiperatividade. São Paulo: M. Books do Brasil, 2005.
ROHDE, Luiz e BENCZIK, Edvleine - Transtorno do Déficit
de Atenção/Hiperatividade: O que é? Como ajudar? - Porto Alegre, Editora Artes
Médicas,1999.
VEJA. 16 perguntas
para entender o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Disponível online em http://veja.abril.com.br/noticia/saude/16-perguntas-para-entender-o-transtorno-de-deficit-de-atencao-e-hiperatividade








