quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Medos, Dúvidas e Manias


O que é o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)? Quais são suas principais características? E suas causas? Como o transtorno se manifesta na infância e na adolescência? Quais são os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos disponíveis atualmente? Onde obter auxílio?
Em Medos, dúvidas e manias, renomados profissionais da saúde mental brasileira respondem, em linguagem acessível, a essas e outras questões, auxiliando os portadores do transtorno, seus familiares, profissionais da saúde e da educação, bem como o público em geral, a melhor entender o TOC.

Medos, Dúvidas e Manias: Orientações para Pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Seus Familiares
2ª Edição
Albina R. Torres; Roseli G. Shavitt; Eurípedes C. Miguel
Editora: Artmed
Ano: 2012

Sumário:
Capítulo 1. Medos exagerados, dúvidas sem fim, pensamentos e impulsos ruins (obsessões)
Capítulo 2. As manias (compulsões ou rituais compulsivos)
Capítulo 3. As principais características do transtorno obsessivo-compulsivo
Capítulo 4. As possíveis causas do transtorno obsessivo-compulsivo
Capítulo 5. O transtorno obsessivo-compulsivo na infância e na adolescência
Capítulo 6. Princípios gerais do tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo com medicamentos
Capítulo 7. O Tratamento comportamental do transtorno obsessivo-compulsivo
Capítulo 8. Terapia cognitivo-comportamental em grupo no transtorno obsessivo-compulsivo
Capítulo 9. Transtornos do espectro do transtorno obsessivo-compulsivo
Capítulo 10. A Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (ASTOC)
Capítulo 11. Com a palavra, portadores de transtorno obsessivo-compulsivo e familiares
Capítulo 12. Onde procurar ajuda profissional? 

Contribuições da Neurociência para a Formação de Professores


  
 A educação é uma arte em permanente construção. Tem seu primeiro degrau no olhar sobre a criança de 0 a 6 anos, em creches e pré-escolas, que cresce em importância à medida que a formação desses sujeitos, antes majoritariamente a cargo das famílias, é cada vez mais institucionalizada em creches e pré-escolas.
   Contudo, a educação é o feixe central da interdisciplinaridade que engloba aspectos antropológicos, filosóficos, biológicos e psicológicos da espécie humana. Transpondo essa colocação para o foco desta pesquisa, pode-se dizer que o cérebro desempenha o papel deste feixe na formação do intelecto humano, através de conexões neurais que são a polarização dos opostos em busca de caminhos para o aprendizado.
  Por entender a importância do cérebro no processo de aprendizagem, consideram-se, aqui, as contribuições da Neurociência para a formação de professores, com o objetivo de oferecer aos educadores um aprofundamento a esse respeito, para que se obtenham melhores resultados no processo de ensino-aprendizagem, especialmente, na educação básica.
  A metodologia utilizada caracteriza-se como uma abordagem exploratória do tema alicerçada em pesquisa bibliográfica em autores pertinentes, dentre os quais foram citados Assmann (2001), Bear, Connors, Paradiso (2002), Demo (2001), Fernàndez (1991),Johnson & Myklebust (1983), Markova (2000), Morim (2007; 2002), Smith (1999), Soares (2003),Sternberg & Grigorenko (2003) e Vygotsky (1991). Assim, descrevem-se a função e as finalidades da Neurociência; a relação entre o cérebro e a aprendizagem e as disfunções cerebrais verbais e não verbais.

1.1 FUNÇÃO E AS FINALIDADES DA NEUROCIÊNCIAS

  A Neurociência é e será um poderoso auxiliar na compreensão do que é comum a todos os cérebros e poderá nos próximos anos dar respostas confiáveis a importantes questões sobre a aprendizagem humana, pode-se através do conhecimento de novas descobertas da Neurociência, utilizá-la na nossa prática educativa. A imaginação, os sentidos, o humor, a emoção, o medo, o sono, a memória são alguns dos temas abordados e relacionados com o aprendizado e a motivação. A aproximação entre as neurociências e a pedagogia é uma contribuição valiosa para o professor alfabetizador. Por enquanto os conhecimentos das Neurociências oferecem mais perguntas do que respostas, mas cremos que a Pedagogia Neurocientífica esta sendo gerada para responder e sugerir caminhos para a educação do futuro.


   Ao ignorar as peculiaridades da infância e as bases necessárias ao seu adequado desenvolvimento, a educação infantil brasileira caminha entre acertos e experimentações. É alvo fácil de propostas novidadeiras, por vezes apoiadas em uma visão pseudocientífica, carente de sustentação mais sólida. A bola da vez são as neurociências, mais precisamente as ciências cognitivas, que se propõem a promover uma compreensão maior dos processos de ensino-aprendizagem.
   Enquanto pesquisadores de todo o mundo reforçam a tese de que os primeiros anos são fundamentais para a constituição cerebral, há quem aponte para os perigos desse determinismo científico e de uma visão que induza à hiperestimulação infantil.
  O futuro da neurociência é brilhante. O perigo é que se está no pé da montanha e muitas pessoas pensam que já completamos a escalada. É uma grande montanha e vai levar um século [para que a escalemos]. Não se trata, contudo, de negar a contribuição das neurociências para a esfera pedagógica. A própria história da pedagogia como disciplina acadêmica construiu seus alicerces a partir do diá­logo com diferentes saberes. Traz em sua natureza contribuições que vão da filosofia rousseauniana à Escola Nova da psicologia experimental; da psicogênese descrita por Piaget  (1983); aos estudos antropológicos e, no caso da pedagogia infantil e, também, à visão recente da sociologia da infância, difundida na década de 1990, com quase um século de atraso.
   A questão não é condenar as neurociências. O importante é saber se serão encontradas nelas as contribuições para o que parece central: conhecer o papel da educação infantil. Seu agir educativo deve moldar-se a partir das referências do ensino fundamental ou buscar caminhos para construir sua própria identidade? Enfatizar o que a criança já é ou valorizar o que lhe falta?
   Há conflitos de sobra que precisam ser resolvidos e proposições que parecem transcender a esfera pedagógica e caminhar para um debate que é também ideológico. Afinal, quais são os mitos e as verdades extraídos das recentes descobertas das neurociências e o que de tudo isso interessa à educação, em particular à educação infantil?
   Por enquanto, os conhecimentos oferecem mais perguntas do que respostas, mas cremos que a pedagogia neurocientífica está sendo gerada para responder e sugerir caminhos para a educação do futuro, mas, como alertou o pensador Morin (2007) em palestra realizada em São Paulo, a neurociência, como outros aspectos da evolução humana, carrega em si uma promessa e uma ameaça. A promessa é de um melhor entendimento dos processos cerebrais. A ameaça é bastante cinzenta: a de que esse conhecimento possa levar à pior manifestação totalitária, a de controlar seres humanos com informações advindas do conhecimento científico.


   O foco da educação tem sido o conhecimento a ser ensinado de maneira mecânica e igual a todos os alunos, sem a devida atenção à individualidade, numa demonstração de total falta de consciência da força que possuem os modelos mentais e da influência que eles exercem sobre o comportamento. Por sua vez os alunos, acostumados a perceber o mundo a partir da visão do docente, aceitam passivamente essa proposta pedagógica, desempenhando um papel de receptor de informações, as quais nem sempre são compreendidas e geram conhecimento. Muitas pesquisas no campo educativo apontam o professor como um dos principais protagonistas da educação (DEMO, 2001; ASSMANN, 2001; MORIN, 2002).
   Entretanto, proporcionar uma boa aprendizagem para o aluno não depende só do professor, pois é fundamental para uma educação que pretende ajudar o aluno a perceber sua individualidade, tornando-o também responsável pelo ato de aprender, proporcionar a otimização de suas habilidades, facilitar o processo de aprendizagem e criar condições de aprender como aprender. Nesse contexto conhecer o seu padrão de pensamento pessoal e saber como usá-lo é o primeiro passo para ser um participante ativo no processo de aprender. A compreensão de como podemos lidar com certas características pessoais ajudará o aluno a identificar, mobilizar e utilizar suas características criativas e intuitivas, pois cada um aprende no seu próprio ritmo e à sua maneira.
  É fundamental que professores estimulem individualmente a inteligência das crianças, empregando técnicas que permitam a cada aluno aprender da maneira que é melhor para ele, aumentando sua motivação para o aprendizado, pois cada pessoa tem de encontrar seu próprio caminho, já que não existe um único para todos (STERNBERG & GRIGORENKO, 2003). Considerando que alunos diferentes lembram e integram informações com diferentes modalidades sensoriais, analisar como as pessoas se relacionam, atuam e solucionam problemas, identificar os estilos específicos da aprendizagem, torna-se bastante útil (WILLIAMS, apud MARKOVA, 2000).
    Partindo desse pressuposto, ao professor cabe oferecer, através de sua prática, um ambiente que respeite as diferenças individuais permitindo que os aprendizes se sintam estimulados do ponto de vista intelectual e emocional. Daí a necessidade do educador, consciente de seu papel de interventor responsável pela mediação da informação, buscar estruturar o ensino de modo que os alunos possam construir adequadamente os conhecimentos a partir de suas habilidades mentais. E para isso, é imprescindível que conheçam os significativos estudos da neurociência, uma vez que esses, sem dúvida, influenciam na compreensão dos processos de ensino e de aprendizagem.
   No cérebro humano existem aproximadamente cem bilhões de neurônios (unidade básica que processa a informação no cérebro) e, cada um destes pode se conectar a milhares de outros, fazendo com que os sinais de informação fluam maciçamente em várias direções simultaneamente, as chamadas conexões neurais ou sinapses (BEAR, CONNORS, PARADISO, 2002, p. 704).
   Se os estados mentais são provenientes de padrões de atividade neural, então a aprendizagem é alcançada através da estimulação das conexões neurais, podendo ser fortalecida ou não, dependendo da qualidade da intervenção pedagógica.
   A pesquisa e o interesse em neurociências tem crescido em resposta à necessidade de, não somente entender os processos neuropsicobiológicos normais, mas também para respaldar a ciência da educação.
   É sabido que ocorrem dificuldades de comunicação entre neurocientistas e educadores devido à linguagem diversa empregada em suas terminologias específicas profissionais, bem como a utilização de temas, métodos, lógicas e objetivos diferentes. No entanto, novos desafios históricos têm redimensionado e emergidos novos paradigmas, os quais impulsionam a ciência e a todos aqueles que se preocupam com a integridade humana, nos aspectos físico, emocional e, em particular, sócio-cultural. Nesse âmbito atuam os processos sócio-educacionais, cujos reflexos encontram eco na plasticidade das células cerebrais.

  
 Todas as reflexões desta pesquisa tiveram como intuito maior compreender e ainda que minimamente, contribuir na discussão e na procura de respostas de como instrumentalizar o professor do ensino fundamental, através do conhecimento das conexões neurais e plasticidade cerebral envolvidos no processo de aprendizagem, visto ser este de vital importância para todos os seres humanos. Através da aprendizagem, o indivíduo constrói e desenvolve os comportamentos que são necessários para sua sobrevivência, pois não há realizações ou práticas humanas que não resultem do aprendizado.
  O estudo dos processos de aprendizagem e de todos os fatores que os influenciam, constitui um dos maiores desafios para a educação, pois ao entendê-lo e explicitá-lo, ocorre o desenvolvimento do sujeito dentro do contexto sócio-histórico, e é através dele que se forja a personalidade e a racionalidade humana para que o indivíduo esteja apto a exercer sua função social.
   Durante todo ensino fundamental I, o professor é visto pelo aluno como um exemplo a ser seguindo e sua opinião é de extrema consideração para o aprendiz. Assim, todo e qualquer parecer do professor em relação ao aluno, torna proporções determinantes para a formação da auto-estima do estudante.
Para a sala de aula, para a educação a Neurociência é e será uma grande aliada para identificar cada ser humano, como único e para descobrirmos a regularidade, o desenvolvimento, o tempo de cada um.
    A Neurociência traz para a sala de aula o conhecimento sobre a memória, o esquecimento, o tempo, o sono, a atenção, o medo, o humor, a afetividade, o movimento, os sentidos, a linguagem, as interpretações das imagens que fazemos mentalmente, o "como" o conhecimento é incorporado em representações dispositivas, as imagens que formam o pensamento, o próprio desenvolvimento infantil e diferenças básicas nos processos cerebrais da infância, e tudo isto se torna subsídio interessante e imprescindível para nossa compreensão e ação pedagógica. Os neurônios espelho, que possibilitam a espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado.        A plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar, até à senilidade ou à morte também altera nossa visão de aprendizagem e educação. Ela nos faz rever o fracasso e as dificuldades de aprendizagem, pois existem inúmeras possibilidades de aprendizagem para o ser humano, do nascimento até a morte.


   

REFERÊNCIAS

AFECHE Solange Castro. 5 ed.São Paulo: Martins Fontes, 1994.
ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 2001.
BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. Neurociências Desvendando o Sistema Nervoso. 2. ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2002.
FONSECA, V. da. Aprender a Aprender: a educatibilidade cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 1998.
COLE. M.; SCRIBNER, S. Introdução. In: VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. Org. Michael Cole et AL.Tradução José Cipolla Neto; Luís Silveira Menna Barreto; Solange Castro Afeche. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. pp. 3-19.
DAMÁSIO, A R. O Erro de Descartes. São Paulo: Cia das Letras, 1996.
DEMO, P. Saber Pensar. 2. ed., São Paulo: Cortez, 2001.
D' EUS, Caravansarai,. Rio de Janeiro. 2003.
FERNÀNDEZ,  A. A Inteligência Aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre. Artes Médicas, 1991.
JOHNSON, D J e MYKLEBUST, H. R.  O cérebro e a aprendizagem. São Paulo: Pioneira, 1987.
JOHNSON, D. & MYKLEBUST, H. R.Distúrbios de Aprendizagem. Tradução do inglês de Maria Zanella Sanvicentes.S. Paulo: Pioneira. 1983.
MARKOVA D. O natural é ser inteligente: padrões básicos de aprendizagem a serviço da criatividade e educação. São Paulo: Summus, 2000.
MORIN, E. Palestra em dezembro/2007. Disponível em http://revistaeducacao. uol.com. br. textos.asp?codigo=12337. Acesso em 30.dez.2007.
MORIN, E. A cabeça bem-feita: repensar a reforma reformar o pensamento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
ROGERS, Carl. Liberdade para aprender. Belo Horizonte: Interlivros, 1967.
SMITH, Frank. Leitura Significativa. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 1999.
SOARES, D. Os Vínculos como passaporte da Aprendizagem: Um encontro, 2003.
STERNBERG, R. J. & GRIGORENKO, E. L. Inteligência Plena : ensinando e incentivando a aprendizagem e a realização dos alunos. Porto Alegre: ARTMED, 2003.
VISCA, J. Clínica Psicopedagógica: Epistemologia Convergente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.
VYGOTSKY, L.S.A Formação social da mente. Trad. José Cipólio Neto et al. São Paulo: 1991.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Memória e Aprendizagem




   Memória são todos os fatos, eventos, emoções e desempenhos que recordamos, sendo alguns por curtos períodos, outros para toda vida. Apesar de vivenciarmos situações juntamente com demais indivíduos que nos cerca, nossas memórias serão diferentes, pois cada um possui sua individualidade.
Nosso cérebro dispõe de múltiplos sistemas de memória, com diferentes características e envolvendo diferentes redes neuronais. Através de estudos neurocientíficos descobriu-se que a formação de novas memórias depende da plasticidade sináptica, entretanto falta ainda aprofundar de que forma realmente estes mecanismos neuronais se fazem presentes na recordação.
Izquierdo (2011) em seus estudos voltados à memória refere-se a ela como,
Aquisição, formação, conservação e evocação de informações. A aquisição é também chamada de aprendizado ou aprendizagem: só “grava” aquilo que foi aprendido. A evocação é também chamada de recordação, lembrança, recuperação. Só lembramos aquilo que gravamos, aquilo que foi aprendido.[...] O acervo de nossas memórias faz com que cada um de nós seja o que é: um indivíduo, um ser para o qual não existe outro idêntico. (IZQUIERDO, 2011, p. 11)

   Casos de falhas de memória são frequentes, mas na maioria das vezes são relapsos, contudo com o avançar da idade a falta de estimulação adequada e/ou surgimento de doenças neurológicas fazem com que a memória se torne mais debilitada.


 Não existe nenhuma área cerebral individual dedicada a armazenar toda a informação que aprendemos. A memória de trabalho (presente na memória de curta duração) armazena no cérebro informação consciente por um curto período de tempo. O armazenamento passivo de maior  quantidade de informação é designado memória de longa  duração.

Tipos de memória


1.   Memória Declarativa
A memória declarativa (também chamada explícita) armazena e evoca informação de fatos e de dados levados ao nosso conhecimento através dos sentidos e de processos internos do cérebro, como associação de dados, dedução e criação de ideias. Esse tipo de memória é levado ao nível consciente através de proposições verbais, imagens, sons etc.
è Episódica-  A memória declarativa inclui a memória de fatos vivenciados pela pessoa (memória episódica)
    è Semântica - De informações adquiridas pela transmissão do saber de forma escrita, visual e sonora (memória semântica).

2.   Memória Não- declarativa (implícita)

èProcedural ou de procedimentos- A memória de procedimento armazena dados relacionados à aquisição de habilidades mediante a repetição de uma atividade que segue sempre o mesmo padrão. Nela se incluem todas as habilidades motoras, sensitivas e intelectuais, bem como toda forma de condicionamento. A capacidade assim adquirida não depende da consciência. Somos capazes de executar tarefas, por vezes complexas, com nosso pensamento voltado para algo completamente diferente. Por exemplo, aprender a andar de bicicleta ou tocar um instrumento musical é um conhecimento de procedimento que depende do aprendizado de habilidades motoras especificas e normalmente requerem múltiplas repetições.
èPriming - Considera-se que a memória pode ser evocada por meio de "dicas" (fragmentos de uma imagem, a primeira palavra de uma poesia, certos gestos, odores ou sons).
èAssociativa- Empregamos a memória associativa, por exemplo, quando começamos a salivar pelo simples fato de olhar para um alimento apetitoso, por termos, em algum momento de nossa vida associado seu aspecto ou cheiro à alimentação.
è Não-associativa- Por outro lado, usamos a memória não associativa quando, sem nos darmos conta, aprendemos que um estímulo repetitivo, por exemplo, o latido de um cãozinho, não traz riscos, o que nos faz relaxar e ignorá-lo.

    Lembramos que também existem as falsas memórias...
FALSAS MEMÓRIAS - por vezes nosso cérebro estabelece memórias que são falsas na sua origem, normalmente porque um evento é interpretado de maneira errada.
Memória que se imaginou (esperou ver) e não do que de fato esteve (algo parecido e confundido);
Também podem ser criadas durante o que parece ser uma recordação (pessoa está convencida que algo aconteceu, pode reformular o evento a partir de esboços de outras memórias e então vivenciá-la como se fosse uma recordação “real”).



   No campo educativo, voltado às descobertas da Neurociência, Sprenger (2008) cita 7 passos essenciais para o ensino da memória, tornando a aprendizagem mais significativa, segunda a autora “A memória é um processo que requer repetição, e é a memória que proporciona o nosso retorno no tempo”.

Imagem extraída do livro: Memória de Marilee Sprenger


DIFICULDADES NA MEMÓRIA


Assim como existem crianças que tem dificuldades para responder ou perceber adequadamente os estímulos, existem outras que tem dificuldade para guardá-los na memória de trabalho e depois utilizar a informação. Nas estratégias utilizadas é importante considerar:

Além disso, ressaltamos disso ressaltamos as atividades propostas no quadro abaixo, procurando desenvolver a qualidade da memória e melhorar a retenção...


Também, dentro da perspectiva das propostas de GÓMEZ & TERÁN, apresentadas nos quadros anteriores, enfatizamos algumas atividades que desenvolvem a Memória Visual...

ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A QUALIDADE DA MEMÓRIA VISUAL

•        Apresentar às crianças objetos de uso comum, por exemplo, um carro, uma xícara, um lápis, etc. São apresentados a ela os objetos e pede-se a ela que abra os olhos, em seguida feche os olhos. Escondem-se os objetos, pede-se a ela que abra os olhos e os nomeie. Isto pode complicar-se progressivamente com um maior número de objetos com a idade da criança.

•        Utilizar fotos ou ilustrações de objetos familiares começando com duas ilustrações e chegando até cinco. Pede-se a ela que nomeie os objetos da esquerda para a direita, retiram-se as ilustrações e pede-se à criança que nomeie na mesma ordem.

•        O mesmo exercício anterior, porém somente apresentando as ilustrações em separado sem nomeá-las. Pede-se à criança que as memorize e ao final nomeie os objetos apresentados.

•        Apresenta-se á criança uma série de cartões com linhas verticais coloridas. A progressão cresce com um número maior de linhas verticais e de cores utilizadas. Pede-se a ela que reproduza a sequência com palitos coloridos ou de forma gráfica com as cores correspondentes. É importante mencionar que deve ter atenção à sequência correta das cores.

•        Colocar cinco objetos em fila sobre a mesa do professor. Pode-se aos alunos que retenham a ordem na qual estão posicionados os objetos. Ao entrar, a criança que estava fora tem que adivinhar qual objeto foi mudado de lugar. É importante ter em conta a idade para a quantidade de objetos que são colocados.

•        Apresentar, durante um determinado tempo, ilustrações geométricas e pedir à criança que reproduza cada cartão.

•        Apresentar ilustrações com letras. Pede-se que depois as reproduza no papel. A quantidade de letras pode ir aumentando de acordo com a idade.

•        Apresentar uma figura durante uns segundos. Mostrar a seguir uma ilustração onde a figura está representada junto a outras de categoria mais ou menos próxima. Pedir que identifique a figura observada. Podem ser utilizadas figuras geométricas, números, letras, sinais de trânsito, notas musicais, etc. A complexidade do exercício varia de acordo com as figuras utilizadas para identificação, a similaridade com outras figuras da ilustração e o tempo de exposição.

•        Pedir-lhe que desenhem ou escrevam de memória os objetos da sala de aula, o que observaram no caminho de uma sala até outra, no caminho de casa, etc.

•        Sete alunos colocam-se em frente à classe. Pede-se ao restante do grupo que os observem e memorizem seus colegas: seu penteado, como estão vestidos, etc. Depois de um minuto de observação o grupo de crianças saem da sala e mudam entre elas seus sapatos, relógios, penteados, bonés, jaquetas, etc. Em seguida voltam a entrar na sala e pede-se ao grupo que digam as mudanças que ocorreram.


 Referências Bibliográficas:

ABREU, Neander; MATTOS, Paulo. Memória. In: MALLOY-DINIZ, Leandro F. AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA. Porto Alegre: Artmed, 2010.

ERNÉ, Silvio A. O exame do estado mental do paciente. In: CUNHA, Jurema Alcides. PSICODIAGNÓSTICO V. Porto Alegre: Artmed, 2000.


GÓMEZ, Ana Maria S.; TERÁN, Nora Espinosa. Dificuldades de aprendizagem: detecção e estratégias de ajuda. EQUIPE CULTURAL (trad.). Brasil: Cultural, S.A.


IZQUIERDO, Iván. Memória. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

MARSHALL, Jessica. Esquecer para lembrar. Mente e cérebro.  São Paulo: Duetto, ano XV, nº 183, abril, 2008.

PINTO, Graziela Costa. O livro do cérebro 3: memória, pensamento e consciência. São Paulo: Duetto, 2009.

PINTO, Graziela Costa. O livro do cérebro 4: envelhecimento e disfunções. São Paulo: Duetto, 2009.

SPRENGER, Marilee. Memória: Como ensinar para o aluno lembrar. São Paulo: Penso, 2008.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

O menino da caixa de sapatos...

Por ZERO HORA



Jorge Luis Martins já cheirou à urina, bebeu resto de leite e foi enxotado de todos os lugares onde procurou abrigo. Dos 10 aos 16 anos viveu na rua, até os 13 em Novo Hamburgo, onde nasceu, e o restante em Porto Alegre, para onde foi trazido. No coração, um objetivo: sobreviver.


O estado deplorável rendeu a ele o apelido de Múmia Paralítica. A boa índole, conservada da criação que recebeu da avó, Elvira, atraiu pessoas bem-intencionadas. O menino que dormia em uma caixa de sapato assim que nasceu, prematuro de sete meses, ansiava por trabalhar, ainda mais depois da morte da avó, única pessoa que lhe deu apoio.



Assim que conquistou a primeira oportunidade não largou mais. A força de sua história fez dele um escritor. A intensidade da sua luta o tornou empresário, dono de uma locadora de veículos, com mais de 10 carros, de uma casa de dois andares e terraço, de quatro imóveis que aluga no Litoral Norte, de um violão e de passaporte carimbado para destinos turísticos desejados, como a Europa.

Aos 53 anos, depois de cursos de teatros e aparições em longas-metragens, Jorge fala da sua trajetória em terceira pessoa. A comoção só bate quando lembra dos parceiros que dividiam concreto na mesma praça no centro de Novo Hamburgo.

— Nunca mais encontrei ninguém. É possível que estejam todos mortos. Eu mesmo fui desenganado, mas me agarrei na promessa que havia feito à minha avó de que não iria virar um marginal — derrama-se.

No colégio, ficou apenas até a quarta série. Depois de grande, de ter conquistado casa e trabalhado nos mais diversos ofícios — de engraxate, taxista, motorista de Kombi escolar, garçom, vendedor de bala e frutas, gerente de hotel a corretor de imóveis — voltou a estudar. Fez supletivo com quase 30 anos, curso de inglês e se formou em Administração, em 2007, pela Fargs.

— Meu primeiro emprego foi no restaurante da Assembleia Legislativa, com 14 anos. Ainda dormia na rua, mas dava para pagar uma pensão vez ou outra. Sabia que só o trabalho poderia me salvar — reforça.

Das chances de ser corrompido, Jorge Luis poderia montar um catálogo. Viveu entre traficantes e prostitutas e passou uma temporada de um ano e dois meses no presídio, em 1979.

— Essa foi a única vez em que pensei em fugir para os guardas atirarem em mim. Quis tirar a minha vida por que batalhei para mostrar à minha família que eu não seria um marginal. Eu estava preso por uma bobagem, um crime que não cometi.

Nuances como essas são narradas no livro Meu nome é Jorge, lançado em 2010, pela editora O sonho da traça, da qual também é proprietário. A autobiografia já está na terceira edição e o motivou a escrever a segunda obra: O menino da Caixa de Sapatos, já na gráfica. Seu percurso virou documentário em vias de ser veiculado e já foi sondado para filme. O terceiro livro, A magia do relacionamento, promete para 2013.

— Reverti todos os sentimentos ruins e as maldades que me fizeram para o bem. É o que tento demonstrar hoje através das palestras. Luto para tentar salvar alguém através da literatura e do meu dia a dia — completa Jorge.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A peste da Janice...


       Seu nome: “Janice”, mas poderia ser qualquer outro... Elas estão presentes em muitas escolas, isolam-se no recreio, não tem com quem compartilhar seus momentos de alegria e triunfo, muito menos tristezas e mágoas.
            Como educadores, nossos olhos devem estar sempre atentos, pois além do contexto aparente, sempre há um currículo oculto, algo que não é dito, é velado, segregado do mundo adulto.
            Por incrível que pareça, o bullying inicia lá na infância; Lá é o “portal” de ensinar o respeito ao próximo, o entendimento que independente da classe social ou da aparência física do indivíduo, ele é um ser humano. Têm vontades, desejos, sonhos...
        Conforme Jacobson(1992) o bullying durante brincadeiras de crianças, muitas vezes, é o início de uma história que culmina em violência doméstica na idade adulta. Muitos estudos indicam que o bullying precoce está fortemente associado à violência emocional e, por vezes, física, nos relacionamentos.
     Podemos conviver em paz e na paz, sem reproduzir a peste da “Janice”, mas sim desmistificá-la; não podemos ser omissos nem cúmplices dos currículos ocultos que perpassam pelas escolas.