Por Silvana Pereira
O bullying pode iniciar silencioso, mas suas marcas
trazem grandes prejuízos. Pais, professores e alunos devem interagir e juntos
estar em constante diálogo. Quando nos omitimos de buscar soluções para
situações destas características, estamos sendo cooparticipativos de um
processo de exclusão.
Existem diferentes maneiras de praticar bullying:
v Verbal (insultar, ofender,
falar mal, colocar apelidos pejorativos, “zoar”);
v Física e material
(bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir pertences da vítima);
v Psicológico e moral
(humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimidar, difamar);
v Sexual (abusar, violentar,
assediar, insinuar);
v Virtual ou Cyberbullying
(bullying realizado por meio de recursos tecnológicos: celulares,
filmadoras, internet etc.)
Estudos indicam que há um pequeno predomínio dos meninos sobre
as meninas. No entanto, por serem mais agressivos e utilizarem a força física,
as atitudes dos meninos são mais visíveis. Já as meninas costumam praticar
bullying mais na base de intrigas, fofocas e isolamento das colegas. Podem, com
isso, passar despercebidas, tanto na escola quanto no ambiente familiar.
Quando qualquer ato praticado a um indivíduo de forma
contínua e que cause sofrimento ou constrangimento, podendo ser praticado por
uma pessoa ou grupo, estamos aí diante do Bullying. Na escola, as situações mais comuns
são apelidos, ações de repúdio, preconceito, imitação de sons ou do jeito de
ser da vítima, referência a questões físicas, ameaças, sempre representando
ações contínuas e frequentes. Atualmente são muito comuns também os casos de
bullying virtual, através das redes sociais.
O contexto escolar é o local onde os professores devem
ficar atentos, pois muitas vezes tais situações são visíveis e fáceis de serem
percebidas por um adulto que conviva com a vítima; porém, na maioria das vezes,
o bullying é silencioso, sutil, sendo percebido, principalmente pelas mudanças
comportamentais que se tornam visíveis tanto na escola quanto na família: queda no
rendimento escolar, estado de tristeza, aversão à escola e medo de se
expressar.
O acompanhamento dos pais é essencial, sendo que: ao
observarem qualquer situação diferente devem procurar a escola para que juntos verifiquem
qual a melhor maneira de lidar com a situação, sem expor a criança ou o jovem
que esteja sofrendo bullying.
O bullying prejudica o desenvolvimento da criança, podendo
trazer danos psicológicos, baixa autoestima, dificuldade em se relacionar e
confiar nas pessoas. Os pais e escola devem manter um diálogo constante seja
através de reuniões, palestras, eventos
proporcionados pela escola e a partir destes momentos procurar medidas
preventivas para o bullying.
Existem situações onde as crianças não são as vítimas do
bullying, mas sim as que praticam o mesmo, então os pais devemos estar sempre atentos, pois são mais perceptíveis a estas situações. É preciso estar muito
atento aos comentários, amigos e, principalmente, aos contatos que os filhos
mantêm através das redes sociais. Não significa invadir o espaço individual do
filho, mas manter uma relação de confiança na qual ele possa estabelecer um
diálogo franco e aberto do que se passa com ele; e sempre que solicitado pelos
profissionais da escola não deixar de participar e ouvir, pois nem sempre o
comportamento que os pais conhecem dos seus filhos é o mesmo que ele apresenta
quando inserido num grupo, no caso, na escola.
Entretanto, cabe ressaltar que, ao perceberem que os
filhos praticam bullying os pais também devem entrar em contato com a escola,
pois assim juntos possam traçar formas
de ajudá-lo, pois também é uma vítima. Nenhum praticante de bullying age
simplesmente sem uma causa; ninguém faz alguém sofrer sem ter dentro de si algo
que incomoda ou algum sofrimento psíquico, algo que o faça chamar a atenção dos
outros e, às vezes, da própria família sobre ele mesmo. Como diz o Psiquiatra
gaúcho José Outeiral: Não estamos diante de gerações Y, Z ou tantas letras que
tentam definir a atual geração. Nossas crianças e jovens precisam de atenção,
não material, mas física, de presença, de diálogo, do olhar cuidador e não
opressor da família e da escola, que devem estar juntas neste processo
conciliador que integra nossas crianças e jovens numa sociedade que busca se
reconstruir, apesar de tantas situações adversas para a formação de um cidadão
ético e mais humano: esta é a minha aposta e é acreditando nisso que trabalho
na área da educação.
