A psicopedagogia no Brasil, há mais de trinta anos, no final
da década de 70, com o principal objetivo, saber por que muitos não aprendiam, vem
desenvolvendo um quadro teórico próprio. Diferenciada da psicologia e obviamente
da pedagogia, apresenta-se como uma área de conhecimento, que traz em si as
origens e contradições de uma atuação interdisciplinar, necessitando de muita
reflexão teórica e pesquisa. Por exemplo, se o indivíduo possui uma dificuldade
de aprendizagem relacionada a metodologia ou conteúdos escolares, o
psicopedagogo é o profissional indicado para ajudar a intervir neste processo. Porém,
a psicopedagogia não se preocupa com conteúdos aprendidos ou não, mas sim como
se posicionam os ensinantes e aprendentes e procura como se dá a relação com o
conhecer e o saber.
A mesma nasceu da
necessidade de contribuir na busca de soluções para a difícil questão do
problema da aprendizagem humana. Tem seus fundamentos teóricos construídos a
partir de várias áreas do conhecimento: Psicologia, Pedagogia, Medicina,
Fonoaudiologia, Linguística, Filosofia etc. Seu objeto de estudo é o processo
de aprendizagem humana, com um olhar mais amplo e inclusivo. A Psicopedagogia,
na sua prática clínica e preventiva, utiliza recursos específicos de
diagnósticos e de intervenção.
Bossa (2000, p. 24) uma das maiores referências de
Psicopedagogia no Brasil, enfatiza que:
A Psicopedagogia se ocupa da aprendizagem humana, o que
adveio de uma demanda – o problema de aprendizagem, colocando num território
pouco explorado, situado além dos limites da Psicologia e da própria Pedagogia
– e evolui devido a existência de recursos, para atender esta demanda, constituindo-se
assim, numa prática. Como se preocupa com o problema de aprendizagem, deve
ocupar-se inicialmente do processo de aprendizagem. Portanto vemos que a psicopedagogia
estuda as características da aprendizagem humana: como se aprende, como esta
aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada por vários fatores, como
se produzem as alterações na aprendizagem, como reconhecê-las, tratá-las e
preveni-las. Este objeto de estudo, que é um sujeito a ser estudado por outro
sujeito, adquire características específicas a depender do trabalho clínico ou preventivo.
Referências:
BOSSA, Nádia. A Psicopedagogia no Brasil. Porto Alegre:
Artmed, 2000.







