E não mais
que de repente no último dia do mês do ano: dezembro, com pompa e
circunstância. Você dirá: “Este ano passou muito rápido!”. E todos concordamos,
ao menos parece, que o relógio anda mais rápido, os dias voam e, quando se vê,
a semana e o mês se foram. Sinal dos tempos? O tempo anda destravado, a vida
está turbinada, e vivemos o tempo da aceleração. A única certeza que temos que
antigamente (nem faz raro tempo assim!) o processo era mais lento, tínhamos tempo
para curtir cada tempo, e a gente ficava esperando o próximo acontecimento
marcante, como Natal, Páscoa, férias escolares. O aniversário da gente demorava
muito a chegar.
Cada tempo
tinha seu tempo. As famílias tinham tempo para visitar os vizinhos e amigos de
noite ou no fim de semana. Celebravam-se os aniversários, dedicando um dia
inteiro para isto. Era um dia de celebrar a vida. Mas o que será que andou
acontecendo com a gente? Os relógios agora estão turbinados a pilha nova e
antes era à base da corda? Já imaginou dar corda no seu relógio de pulso hoje!
O que na
verdade aconteceu foi que ocupamos todos os espaços e já não reservamos tempo
para nós e o convívio com nossos amados familiares e amigos. Antes havia tempo
de fazer e receber visitas; agora as pessoas deixam-se acorrentar a programas
televisivos, especialmente novelas, e a visita se torna inoportuna, porque atrapalha o próximo capítulo, que gera tensões a partir da noite anterior.
O tempo
passa rápido demais, porque nos ocupamos demais: assumimos cada vez mais
compromissos, porque a condição tecnológica permite transferir tarefas do
trabalho pra casa, e a gente fica na pressão psicológica de conferir e-mails,
publicar artigos e assim por diante. O tempo não passa mais depressa, nós é que
colocamos mais coisas a fazer dentro da mesma medida de tempo. Bom ou ruim, o
futuro dirá.
*Osvino
Toillier- presidente da SINEPE/RS