quinta-feira, 21 de março de 2013

Cérebro - máquina de aprender (parte 3)

Imagem: Cognifit
      No  bloco 3 da série Cérebro-Máquina de Aprender, apresentada pelo Jornal da Globo, mostrou como os atletas e estudantes podem melhorar seu desempenho através dos estudos da neurociência. Como lidar com os desafios que surgem na vida.
    Contou a história do recordista mundial de voos duplos, Ruy Marra, que teve seu foco de pesquisa no porque das pessoas dizerem que vão correr na hora da rampa de decolagem e não o fazem. O instrutor que também é neurocientista descobriu que as trocas afetivas no início da vida são fundamentais para a reação das pessoas frente às questões da vida. Comprovando novamente a pesquisa feita pelos estudos da “American Physiologicol Society”
    Através de um aparelho chamado Biofeedback , os neurocientistas conseguem medir a frequência cardíaca dos atletas e através disto conseguem fazer um treinamento para aumentar a capacidade de concentração e autocontrole.
     E novamente no item Educação, achei show, muito bom mesmo o material apresentado. O que era a expressão facial daquele menino explicando a técnica do Semáforo: “Parar, pensar e agir”, parar= dá uma respirada aí, enche teus pulmões de ar, dá condições pro teu cérebro qualificar o padrão de pensamentos.

   E a neurocientista Herculano-Houzel, novamente enfatizando a importância de ter foco, concentração, fazer uma atividade de cada vez, pois se olharmos televisão e lermos um livro ao mesmo tempo, nossa concentração fica prejudicada. O que conseguimos fazer é alternar entre as duas coisas...
  Como finalização deste bloco, visando a melhoria de estratégias na resolução de problemas propostos pelo no fazer educacional, foi mostrado o trabalho desenvolvido em uma escola que se utiliza do método Israelense, ou seja, usam jogos de tabuleiro e de raciocínio, onde 50 minutos por semana são dedicados para a prática destes jogos. A professora enfatizou que “Não existe uma única resposta, existem vários caminhos”.

Imagem: Jornal da Globo
     Um item a ser apontado nesta questão é que qualquer escola que destina algum tempo para desenvolver o raciocínio (através de jogos) já está modificando a estrutura cerebral de seus alunos, pois está dando possibilidades de eles criarem estratégias; mas,  o importante é fazer o trabalho que os neuropsicopedagogos fazem, realizar as atividades (jogos, atividades, exercícios) e depois dialogar para verificar o que foi feito, de que forma poderia ter tido melhor desempenho, porque foram utilizadas tais táticas, etc. Pois ainda na escola, percebe-se  os alunos como executores de atividades, raros os  momentos em que  são levados a se questionar o porque de fazer de tarefa e o que ela irão  acrescentar  em suas vidas.
     Procurei pesquisar sobre esta metodologia e encontrei um forte aporte baseado na teoria de Feuerstein:   
     A MOFICABILIDADE COGNITIVA ESTRUTURAL REUVEN FEUERSTEIN, Psicólogo, nascido na Roménia e radicado em Israel, aprendeu a ler aos três anos de idade e aos oito ensinava ler através da Bíblia. Estudou em Genebra e foi discípulo de Piaget. Em Israel depois da I guerra mundial, começou a trabalhar com Youth Aliyah, agência responsável pela integração de crianças judaicas nos campos de Marrocos e Sul de França. Para entregar a estas crianças socialmente, eram avaliados previamente. Dado que as avaliações a que se submetiam as crianças, davam na sua maioria resultados atraso deficiência mental, Feuerstein, questionou os instrumentos de avaliação tradicional utilizavam e mediam condutas relacionadas com produtos ou sucessos específicos sem considerar os ambientes culturais e sociais de quais provenham as crianças. E assim, como desenvolver com a equipe o programa de Avaliação da Propensão para a aprendizagem (Learning Potential Asesment Device (LPAD), Esta proposta persegue avaliar as capacidades e mudanças cognitivas que uma pessoa pode evidenciar durante o processo de avaliação. O seu objetivo será então, não medir o Q.I. (coeficiente intelectual), ou capacidades do sujeito no momento, mas as suas possibilidades de mudança estrutural cognitiva para o futuro, naturalmente em coerência com a concepção inteligência já descrita. Daqui Feuerstein, projeta a sua proposta teórica da Modificabilidade Cognitiva Estrutural, convencido que todo o ser humano é um organismo aberto à mudança e com uma inteligência dinâmica, flexível e receptora a intervenção positiva de outro ser humano. Este psicólogo, atualmente, director do Hadasah-WIZO-Canada Research Institute (HWCRI) e do International Center for Enhancement of Learning Potential (ICELP) em Israel, foi e é, portanto, um grande inovador no campo da psicologia e da educação. Dedicou grande parte da sua vida ao estudo da inteligência humana programas que ajudem aos sujeitos privados culturalmente e aos de baixo rendimento cognitivo, a otimizar as suas capacidades e enfrentar da melhor maneira desafios da vida. (fonte: http://www.teresianasstj.com/index.php/metodologias/aprendizagem/130-a-inteligencia-e-reuven-feuerstein)
     Aqui, foi só uma rápida busca  feita sobre o assunto, mas com certeza  já servirá de base para propostas de futuras postagens...

quarta-feira, 20 de março de 2013

Cérebro-máquina de aprender (parte 2)


     O segundo bloco da série Cérebro - Máquina de Aprender, apresentada pelo Jornal da Globo, trouxe novos exemplos sendo que alguns relacionados ao ato de imaginar-se realizando ações com a intenção de obter êxito em determinada atividade.

“ O poder da imaginação é quase tão importante quanto a prática de uma atividade.”

  Dentro desta abordagem ressaltaram o nome de alguns brilhantes profissionais que em comum apresentavam: - foco; - motivação e determinação. Todos ressaltaram as  horas constantes de treino às quais se  dedicavam, procurando executar suas funções com muita competência. A neurocientista, Herculano-Houzel ressaltou que: “a princípio qualquer pessoa pode se tornar excelente naquilo que faz, desde que se dedique, apresente uma motivação constante e muito treino.” 

   O ato de praticar é como abrir caminho em meio a um campo coberto de vegetação, quanto mais você percorre aquele caminho, mais ele fica demarcado, mais forte irá ser suas conexões naquela área.

Entretanto, esta demarcação também pode ocorrer através da imaginação, ou seja, visualizar-se praticando tal ação. O neurocientista Roberto Lent exemplificou que: “Imaginar é quase que praticar, por exemplo: se pedirmos para alguém se imaginar andando de bicicleta e fizermos um escaneamento do cérebro, poderemos verificar que as áreas ativadas serão quase as mesmas das quais ativadas caso estivesse realmente andando de bicicleta.”

    Apenas para lembrar: uma das ferramentas apontadas pela  Neurolinguística   é justamente isso: a visualização, perceber-se realizando determinado ato procurando melhorar seu desempenho em determinada área.

   Profissionais tais como a bailarina Ana Botafogo e o jogador de basquete Michael Jordan disseram que utilizam-se da visualização como forma de melhorar ainda mais seu desempenho. Também, lembrei das palestras de Cortella onde ele faz menção a Pelé, que além de todo treino em campo, reservava alguns minutos antes de qualquer partida de futebol e ficava visualizando jogadas que poderiam lhe dar chances de fazer gol.

  Existem alguns períodos da vida que são considerados “Janelas de Oportunidades”. Períodos estes em que há maior facilidade de aprendizagem, por exemplo, o gráfico abaixo mostra que há maior atividade metabólica na fase inicial da infância, onde as crianças conseguem absorver com mais facilidade a aprendizagem, desde que tenham condições estruturais para que isso ocorra.

 É na primeira infância que conseguimos maior aprendizagem, embora ela continue ao longo de nossas vidas; o gráfico demostra que o nível de pico no aumento da demanda da glicose, mais pronunciado nas regiões neocorticias entre 3-10 anos, é mais do dobro do que a observada em adultos. Esta curva não-linear do metabolismo da glicose cerebral é em forma de um  “U” invertido. 

    E a parte que sempre acho mais interessante é o foco educação, onde novamente apareceram abordagens significativas, tais como  o trabalho desenvolvido em uma escola de Educação Infantil, sob a orientação da pesquisadora Elvira Lima e Souza:
- É possível criar memória de longa duração desde criança, sendo que Kandel já postulava que “Aprender significa criar memórias de longa duração.” Então, crianças no ambiente da Educação Infantil necessitam de muito estímulo, muitos recursos que propiciem a excelência na aprendizagem. Para o desenvolvimento das funções simbólicas e da imaginação, a criança precisa exercitar diariamente áreas específicas do cérebro, fazendo com que isso traga contribuições importantes para a aprendizagem.
    Sendo que, através da reportagem, novamente foi enfocado a questão do lúdico, do brincar, da naturalidade em que a aprendizagem deve ocorrer e a questão da afetividade, de recompensar o aluno por suas conquistas. ELOGIAR MUITO.
   Herculano-Houzel enfatizou que “elogiar é fundamental, deveria ser muito utilizado nas escolas e nas famílias.”



  Eduardo Manes dizia que o cérebro de um recém-nascido é apenas um quarto do tamanho de um adulto e, durante todo o curso de sua infância, experimenta um crescimento intensivo de neurônios. Mas isso é um fenômeno eminentemente biológico condicionado pela experiência, uma vez que este será o orientador de como as conexões neurais são preservadas e quais ligações serão apagadas. As primeiras áreas do cérebro a amadurecer são as informações mais básicas relacionadas com controle visual ou motor de movimentos. Mais tarde se desenvolvem outras, tais como a linguagem e orientação espacial. As últimas áreas que amadurecem entre as segunda e terceira décadas de vida, são aquelas que estão localizadas na área frontal. Estes dados permitem-nos compreender que o cérebro de uma criança, e até mesmo de adolescentes se encontra em amadurecimento n as áreas envolvidas na inibição do impulso, na tomada de decisões, planejamento e flexibilidade cognitiva ou intelectual. 
  E eis aí a grande importância do trabalho desenvolvido pelos profissionais da Educação Infantil, pois são eles que vão preparar o indivíduo através de diversos recursos para que futuramente apresentem seu córtex pré-frontal melhor estruturado a fim de exercer com plenitude suas capacidades cognitivas.
 Estudos demonstram que a criança para chegar na etapa do letramento, precisa  de anos anteriores em contato com recursos disponíveis pelo mundo letrado (livros, revistas, letras diversas, rótulos, placas...), mas tudo isso se faz de modo natural, lúdico, brincando, dramatizando, manipulando diversos materiais...
  Um dos lembretes enfocados no final da reportagem é que somos seres de memórias, mas embora guardamos muitas ações positivas, as negativas também se fazem presente, por exemplo: o dia 11 de setembro, é uma data que nos arremete ao atendado nas torres gêmeas. 

     Este segundo bloco da reportagem sobre o cérebro me lembrou muito de um outro post feito anteriormente aqui no blog: "Quem é você?".

Fonte: Jornal da Globo

Teste de Marshmallow


    O cérebro humano é, talvez, a máquina mais complexa que se tem investigado,  os fatores genéticos, neurológicos, ambientais e situacionais que resultam em comportamento humano, especialmente na área psicológica, são pontos importantes que nos permitem entender o motivo de termos este ou aquele comportamento diante às situações apresentadas.
    Existem alguns destaques experimentais que servem de base para muitos estudos psicológicos. Um deles é o famoso teste do marshmallow , criado   por Walter Mischel, na Universidade de Stanford. Sendo que o teste foi baseado em suas observações feitas em suas filhas.
    Na final dos anos 60, Mischel tinha três meninas com idades entre 2 e 5 anos. Como muitos pais provavelmente notam, muitas mudanças acontecem no comportamento das crianças por volta dos 4 anos. Quando uma das suas filhas fez 4 anos, ela adquiriu repentinamente a capacidade de retardar a gratificação imediata. Andando no mercado, a menina fazia um escândalo porque queria alguma coisa e tinha que ser na hora. Depois dos 4 anos, passou a entender que se esperasse ao chegar em casa, poderia negociar algo melhor. Mischel observou esse tipo de autocontrole acontecer com todas as suas filhas, como se estivessem programadas pra isso.
     Baseado nestes pressupostos Mischel começou seus estudos com conotação cientifica, sendo que a primeira série de tais estudos foi publicada em 1972, onde o psicólogo criou o famoso “Teste de Marschmallow”, sendo que o mesmo media o autocontrole e a capacidade de adiar recompensas. Um grupo de crianças recebia um prato com um  um delicioso “marshmallow” (um tipo de doce, muito apreciado por lá), com a seguinte explicação: “Você pode comer o doce a hora que quiser, mas se conseguir resistir por 15 minutos e não comê-lo, ganhará dois doces” .
     O pesquisador retirava-se da sala e deixava a câmera filmando as reações das crianças. Ao analisar os vídeos de seu experimento, Mischel chegou à conclusão de que: as crianças que conseguiram resistir ao marshmallow apresentaram uma estratégia de atenção. Ao fechar os olhos, esconder-se debaixo da mesa ou cantar uma canção, essas crianças estariam tirando o foco da tentação. Elas eram capazes de distrair-se pensando em outra coisa ou praticavam outra atividade como forma de adiar a recompensa por mais tempo. Mischel estava inicialmente interessado nos vários estilos cognitivos que as crianças iriam usar para adiar a gratificação e obter mais sucesso.
    O que podemos concluir a partir deste estudo é que algumas crianças apresentaram  melhores estratégias e eram mais capazes de controlar seus impulsos imediatos para uma recompensa de longo prazo. O estudo não demonstrava se essas habilidades foram aprendidas ou eram inatas.
    Das 600 crianças participantes, somente uma minoria comeu o doce imediatamente. E cerca de um terço das restantes conseguiu resistir à tentação durante os 15 minutos e ganhar o segundo “marshmallow”. Mas este não foi o fim do teste,  pois  Mischel acompanhou o crescimento dos participantes procurando verificar de que forma suas vidas foram se estruturando. Em um posterior estudo de 1989 ele descobriu que:
      As crianças que aos 4 anos de idade conseguiram atrasar a recompensa, durante seu crescimento, mostraram-se adolescentes mais competentes tanto cognitivo quanto socialmente, alcançaram maior desempenho escolar e evidenciaram lidar melhor com a frustração e o estresse. Também, observou-se que mais tarde, estas crianças foram mais bem sucedidas na escola, nas suas carreiras, nos seus casamentos e na vida. Este simples teste tinha profundas implicações no mundo real, e isso é um dos fatos que o torna um dos mais famosos dentro da área psicológica.
    Outros pesquisadores apontaram para outra linha de pesquisa: o desempenho no teste de marshmallow prevê o índice de massa corporal 30 anos mais tarde.
      Outra série de estudos descobriu que as crianças mais velhas são mais capazes de adiar a recompensa  do que as mais jovens (nenhuma surpresa), porém quanto maior a recompensa, mais a criança se esforça para poder alcançá-la (assim recompensas realmente grandes resultarão em grande capacidade de adiar a gratificação). Em outras palavras, até as crianças passam por um cálculo mental de despesa e recompensa e são capazes de adiar a gratificação se a recompensa é grande o suficiente.
      Psicólogos consideram a capacidade de autocontrole e recompensa adiada como parte importante do que é chamada de função executiva, a função do lobo frontal, que é o controle do comportamento, onde estratégias de decisões de longo prazo demonstram controle sobre o comportamento de manter e atingir metas. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) apontam para um déficit na função executiva. Portanto, não é surpreendente que as crianças com TDAH apresentem pior desempenho no teste do marshmallow.
    De fato, os resultados que Mischel para aqueles que não conseguiram adiar a recompensa, futuramente mostraram-se pessoas com TDAH – onde apresentaram dificuldades acadêmicas, na carreira, no casamento, enfim, na vida.
    No entanto, os estudos com este teste ainda continuam, por exemplo: pesquisadores observaram que exercer autocontrole em uma área diminui o autocontrole em outras, é como se as pessoas gastassem um reservatório finito de autocontrole.  Mas outras linhas de pesquisa apontam que o teste de marshmallow pode ser uma combinação de personalidade inata com o comportamento aprendido, a partir do ambiente. Enfim, este é um estudo que não se esgota e terá sempre interessantes pesquisas relacionadas a ele.

Fonte: Neurologic.blog

Para quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o teste, eis o vídeo do mesmo: 

terça-feira, 19 de março de 2013

De olho na imagem...

Encontrei mais um teste de atenção, e aí qual será a resposta?

Cérebro-máquina de aprender (parte 1)


   

    Iniciou a série Cérebro-Máquina de Aprender, apresentada pelo Jornal da Globo. A primeira parte desta série já abordou alguns tópicos importantes para o contexto educativo, os quais seguem algumas anotações e algumas dicas para a área educacional.
   Um dos tópicos que aguardava ver abordado aqui nesta reportagem era justamente a interface Neurociência X Educação, e este foi o tópico de abertura da série, onde mostrava a realidade de uma professora e os mecanismos de aprendizagem que a mesma utilizava, dois quais destaco três itens importantes: - Observar e acompanhar cada aluno; - Ensinar brincando; - Utilizar-se de atividades que ativam várias áreas do cérebro.
   Outro tópico abordado foi a questão da estrutura cerebral, de como ele é formado, a conexão entre os neurônios, as sinapses. Sendo que aqui se comparou o cérebro com o trabalho de um escultor, onde nascemos com bilhões de neurônios, mas ao longo da vida, nosso cérebro vai “esculpindo” e aprimorando determinadas regiões conforme as que mais utilizamos.

    O neurocientista Nicolelis enfatizou que somente o fazer palavras cruzadas por si só, não aumenta nossas sinapses, é necessário estar sempre se desafiando, modificando nossas rotinas.
   E na questão aprendizagem, também foi dado o enfoque para os taxistas de Londres que apresentam grande desenvolvimento cognitivo, pois necessitam armazenar muitas informações e com isso aumentaram o seu hipocampo - região importante para a memória espacial - particularmente desenvolvida, muito mais que o resto das pessoas, pois a exercitavam mais, memorizando a cada dia ruas e caminhosSuas capacidades para memorizar não diminuía, mas aumentava com o passar dos anos.

“O cérebro muda de forma, segundo as áreas que mais utilizamos, conforme a atividade mental."  
     Porém, voltando ao enfoque Neurociência x Educação apresentado no início da reportagem ressalto que em poucas palavras foi abordado muitas coisas: - Observar e acompanhar cada aluno, pois cada aluno tem seu modo de aprender, o que “funciona” para um pode não ser adequado para o outro, então o professor deve ser um constante observador e deveria ter o hábito de fazer registros de acompanhamento de seus alunos, pode ser por meio de anotações ou ficha de acompanhamento, onde nas mesmas estejam listadas objetivos que estão propostos para tal período e nela procura-se registrar o desenvolvimento de cada aluno.
Na hora de corrigir uma atividade, se verificou que o aluno costuma trocar determinada letra por tal letra, já faz a anotação e começa a pesquisar, que tipo de atividades podem ser realizadas para que esse aluno possa melhorar esta dificuldade.
- Ensinar brincando sempre – O conhecimento se consolida através do corpo. É inconcebível que um aluno passe por longos períodos somente realizando atividades que exigem “ o ouvido e a mão”. Pois quem já se deu o trabalho de passar por várias salas de aula, sabe que é mais fácil encontrar alunos sentados ouvindo o professor falar, ou então eles copiando ou fazendo alguma atividade em folhas fotocopiadas ou caderno. (obs.: não há nada errado nestas atividades, são muito importantes, mas desde que, essas não sejam as únicas ferramentas do professor). É preciso mesclar, brincar, muito material concreto, independente do ano em que se encontram, pois tudo o que nos arremete aos sentidos (tocar, sentir, ver, ouvir, falar) proporcionam melhor e mais rápida aprendizagem. E não importa a idade, o brincar, o lúdico, é essencial.
- Utilizar-se de atividades que ativam várias regiões do cérebro -  Observem a gravura do cérebro, que segundo o neurologista SILVA, está didaticamente dividido:

Imagem: Edson Lopes

      Cada região corresponde a determinadas partes que movimento em meu corpo, portanto o ideal é procurar dentro de um mesmo período escolar (manhã, tarde ou noite) proporcionar atividades que contemplem todas estas áreas, bem como proporcionar atividades em que o aluno possa  trabalhar em grupo e também individualmente.

     Recebo constantemente e-mail de pessoas interessadas em como conciliar a questão da inclusão dentro do ensino regular envolvendo os conhecimentos da neurociência, aí sempre coloco o que digo aos pais, o problema não é a inclusão, pois todos os alunos apresentam sua especificidade, tem dias em que todos estão agitados, mas a tendência das pessoas é somente olhar para aqueles que já apresentam algo que nos alerte para isso. O importante é ter discernimento, é ensinar aqueles que têm maiores facilidades de aprendizagem a serem seus coautores e irem orientando aos que necessitam de ajuda. Também evitar a linha de “coitadinho” e enxergar possibilidades, pois de certa forma assumimos aquilo que os outros nos dizem, se alguém escuta constantemente que fulano é especial e não pode fazer tal coisa, é lógico que fulano irá se posicionar neste sentido. TODOS SÃO ESPECIAIS, porém alguns apresentam maior facilidade em determinadas áreas, mas se nos ajudarmos com certeza tudo flui melhor, é isso que acredito e isso que procuro enfatizar aos alunos.



    Outro enfoque é que temos a estrutura de uma aula linear, onde todos fazem a mesma coisa, num determinada tempo. Mas existe a possibilidade de fazer combinações com os alunos, onde durante a semana, a professora faz alguma atividade diferente com determinado grupo de alunos contemplando suas necessidades, enquanto outros executam outra atividade, porém todos precisam ser contemplados para este momento mais individual, mesmo que não tenham nenhuma dificuldade especifica.
   Na verdade, a neurociência numa perspectiva educacional só vem confirmar o que Piaget, Wallon, Vygotsky e tantos outros já nos ensinaram, entretanto o ar de todo encantamento (o trabalhar as emoções) é internalizar Rubem Alves. É praticar a amorosidade naquilo que se faz. É fazer a “fruição da aprendizagem”.  Fazer com que os alunos tenham prazer em se tornarem inteligentes, pois Alves, em algumas de suas entrevistas, faz esta analogia:
“... realmente a inteligência se parece muito com o pênis, porque o pênis é um órgão de duas funções, tem uma função excretora, ridícula e está lá, flácido, mas se ele for excitado por alguma coisa, então transformações hidráulicas fantásticas acontecem, e ele tem a possibilidade de ter prazer e de dar vida!  E assim é a inteligência. Muitas crianças estão com a inteligência adormecida, quietinha, flácida. E dizem: “Burrinho!” Burrinho nada! Burrinho porque a inteligência e a criança ainda não foram provocadas, portanto a inteligência não teve a sua ereção. Eu acho que a função fundamental do professor é provocar a ereção da inteligência dos alunos. E quando a gente faz isso...”
Fonte: Jornal Globo