A apraxia é um distúrbio que pode ser observado após uma lesão
neurológica, apresentando uma incapacidade de realizar movimentos voluntários
aprendidos, como gestos e
movimentos do dia a dia. Por exemplo, uma lesão na região parietal posterior
direita poderá causar dificuldades, tais como: copiar desenhos, montar
quebra-cabeças e encontrar o caminho em uma cidade que o indivíduo já conhecia.
Se o dano afetar a região parietal posterior esquerda, as deficiências serão
relacionadas à linguagem (afasia, dificuldades para leitura e geração de
nomes de objetos ou animais) e à reprodução de movimentos (apraxia). O tipo
mais conhecido é a bucofacial, que consiste em deixar o
paciente incapaz de realizar movimentos faciais, como assobiar, tossir, mastigar.
A apraxia apresenta impossibilidade ou a dificuldade de realizar atos
intencionais, gestos complexos, voluntários, conscientes, sem que haja
paralisias, paresias ou ataxias, e sem que faltem também o entendimento da
ordem para fazê-lo ou a decisão de fazê-lo. Além disso, a incapacidade de
realizar o ato motor complexo deve ocorrer na ausência de perturbações da
capacidade de compreensão, reconhecimento e manipulação instrumental dos
objetos (agnosias e afasias). Ela decorre sempre de lesões neuronais,
geralmente corticais, seja por conta de traumas na região cerebral, tumores e
também outros fatores. Sendo assim, a funcionabilidade do paciente torna-se
deficitária e a recuperação neuromotora, prejudicada. Uma das principais
dificuldades encontradas por profissionais da saúde que ministram programas de
reabilitação para esses pacientes é diagnosticar tal distúrbio, para que as terapias
sejam dirigidas às causas reais dos déficits funcionais e, consequentemente,
obtenha-se êxito quanto à sua reabilitação.
As apraxias podem ser:
A apraxia ideativa (apraxia
no uso de objetos) é a incapacidade de usar objetos comuns de forma adequada,
ou a incapacidade de realizar movimentos sequenciais apesar de conservar a
capacidade para executar os movimentos individuais (que fazem parte daquela sequencia
de movimentos). (ex.: se for pedido ao paciente que fume um cigarro, pode-se
observar que irá acender o fósforo com o cigarro, ou que leva o cigarro aos
lábios e fuma sem tê-lo acendido).
A apraxia ideomotora é a incapacidade de completar
um ato de forma voluntária em resposta a uma ordem verbal. O mesmo ato,
entretanto, pode ser realizado pelo paciente de modo espontâneo (ex.:
ordena-se que o paciente faça o sinal-da-cruz, ele não o faz, mas realiza-o
automaticamente ao entrar em uma igreja). Tanto
a apraxia ideativa como a ideomotora são resultantes geralmente de lesão no
hemisfério esquerdo.
A apraxia construcional
é a incapacidade de construir figuras geométricas, montar quebra-cabeças
ou desenhar um cubo ou outras figuras geométricas (ex.: ele é incapaz de fazer
um desenho com molde).
A apraxia de vestimenta é a
perda da capacidade para vestir-se, mantendo-se as capacidades motoras simples
e a cognição global. Tanto a apraxia construcional como a de vestimenta
resultam geralmente de lesões no hemisfério direito.
A apraxia da marcha é a
incapacidade para iniciar o movimento espontaneamente e organizar a atividade
gestual da marcha, ocorrendo com frequência à marcha em pequenos passos (petit
pas). A apraxia da marcha resulta de
lesões dos lobos frontais e subcorticais e de alterações associadas à
hidrocefalia de pressão normal.
A apraxia mielocinética é a
incapacidade de executar movimentos adquiridos delicados; a rapidez e a habilidade
estão afetadas, independentemente da complexidade do gesto; pode ser
identificada na mímica, sendo mais evidente quando se testam os movimentos
distais independentes, principalmente os mais rápidos (ex.: o paciente é
incapaz de imitar o ato de passar a ferro).
A apraxia bucofacial é a
incapacidade de realizar os movimentos voluntários da deglutição, movimentos
voluntários da língua, movimentos faciais ao comando (ex.: lamber os lábios,
soprar um fósforo), mas automaticamente fumam e recolhem migalhas nos lábios
com a língua.
A apraxia agnóstica
é retratada por alguns autores como a associação entre as apraxias com as agnosias,
sendo por definição: apraxia – alteração das funções gestuais, e agnosias –
alteração das funções cognitivas, ou seja, o paciente não realiza os gestos por
não reconhecer o objeto e qual a sua utilização.
A Apraxia diagonística consiste em
má cooperação entre as mãos na execução de tarefas bimanuais. Nas atividades espontâneas,
às vezes, pode estar evidente, por exemplo: uma pessoa deposita sobre o balcão
de uma loja o dinheiro que deve após uma compra; a mão direita pega normalmente
o objeto comprado enquanto a mão esquerda apodera-se do dinheiro antes que seja
registrado no caixa, como se já se tratasse do troco. As dificuldades que o paciente
encontra para a execução dessas tarefas bimanuais devem-se ao fato de que o
conjunto cérebro esquerdo/mão direita responde às solicitações verbais ou aos
projetos conceituais, enquanto o conjunto cérebro direito/mão esquerda responde
às estimulações visuais concretas. Os dois hemisférios separados não podem
coordenar sua respectiva atividade e atrapalham-se mutuamente.
A percepção corporal e a atuação motora formam, do ponto
de vista neurológico e neuropsicológico, uma unidade indivisível. Um exemplo
disso é a apraxia construtiva, ou incapacidade de desenhar um modelo (cubo,
casa, etc.), de montar um quebra-cabeças, de construir formas simples com
cubos, etc. A apraxia construtiva ocorre, com frequência, devido a lesões dos
lobos parietais.
Conforme estudos de VAZ (1999), as apraxias podem causar um
importante déficit funcional aos pacientes neurológicos; sendo assim,
profissionais empenhados na recuperação neuromotora desses pacientes necessitam
identificá-las e tratá-las o mais precocemente possível, de modo a não
prejudicar a reabilitação integral desses pacientes. Portanto, a utilização de
testes simples, práticos e de fácil aplicabilidade, na rotina de atendimento
desses pacientes, faz-se necessária. O protocolo proposto pode ser aplicado,
discutido e criticado em novos estudos.
Tratamento:
O tratamento geralmente é baseado por uma equipe médica que
diversifica em diversos meios e técnicas. Os profissionais geralmente são
fonoaudiólogos, fisioterapeutas, neurologistas e psicólogos.
O paciente faz exercícios indicados, que visam melhorar os
movimentos e instigar a fala. Em alguns casos a psicologia é muito importante durante
o tratamento, pois a pessoa pode ficar constrangida por não conseguir se
movimentar e comunicar-se como as outras e esse quadro pode levar o paciente a
um estado de depressão, o que agrava e atrapalha o andamento do tratamento.
Semiotécnica resumida da apraxia
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As apraxias são pesquisadas solicitando ao paciente comandos simples
como: feche os olhos, lamba os seus lábios. Pedir ao paciente que realize,
com a mão direita (e depois com a esquerda), ações como: fazer de conta que
irá pentear os cabelos, escovar os dentes, cortar as unhas, etc. É possível
também pesquisar o uso de objetos solicitando ao paciente que imite o ato de
acender um fósforo ou usar o telefone.
Solicitar ao paciente que desenhe um cubo, que tire e vista novamente
sua camisa e seus sapatos.
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Fonte: (Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia
e semiologia dos transtornos mentais. Artmed, 04/2011. p. 183).
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Bibliografia:
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia
e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2011.