quarta-feira, 15 de maio de 2013

Congresso brasileiro de cérebro, comportamento e emoções




      A força da neurociência brasileira, atrelada ao formato do evento, fizeram do Congresso Brasileiro de Cérebro, Comportamento e Emoções um sucesso reconhecido internacionalmente. Em 2013, ocorre a primeira a edição de magnitude global, o World Congress on Brain, Behavior and Emotions. Serão quatro dias de atividades intensas, reunindo os mais importantes nomes das áreas envolvidas nas relações entre mente e cérebro. A programação científica integra a ciência à área clínica, proporcionando uma interface entre as especialidades de neurologia, psiquiatria, neurocirurgia, neuropsicologia, psicologia, geriatria, sono e neurociência básica.

     Com um público esperado de 4 mil pessoas e a participação de mais de 150 conferencistas ilustres de diversas partes do mundo, como os pesquisadores Adrian Raine, Andres Lozano, Antoine Bechara, Antonio Damasio, Eurípedes C. Miguel, Gustavo Turecki, Hanna Damasio, Howard Steiger, Ivan Izquierdo, Jaderson C. da Costa, Jair Mari, Jorge Moll Neto, Ley Sander, Paulo Caramelli, Ricardo Nitrini, Richard E. Tremblay, Roger Mcintyre, Stephen Suomi, Valentim Gentil, o WCBBE, promove o debate interdisciplinar sobre inovações tecnológicas, estudos e controvérsias, sendo um exitoso instrumento para a atualização científica.
     Maiores informações acesse aqui: www.wcbbe.com

terça-feira, 14 de maio de 2013

Respiração correta auxilia no tratamento de doenças


Estudos começam a medir o que já se sabia empiricamente: a prática cotidiana de exercícios respiratórios tem impacto positivo na saúde e no bem-estar, além de auxiliar no tratamento de diversas doenças.

Sistema Nervoso Autônomo e Aprendizagem




   Ao falar sobre SNAs (Sistema Nervoso Autônomo simpático) e SNAp (Sistema Nervoso Autônomo parassimpático)  muito longe de serem somente funções vitais presentes no corpo humano eles são sistemas que são indicadores de uma boa aprendizagem. Numa abordagem neuropsicológica, Metring (2011) aponta que esses conhecimentos são necessários para o planejamento de ensino. Segundo o autor muitas crianças tem problemas de aprendizagem devido à falta de conhecimentos desses fatos por parte dos profissionais do ensino.
   O SN (Sistema Nervoso) conforme demostrado no esquema abaixo, apresenta suas subdivisões as quais aqui se dará ênfase ao Sistema Nervoso Autônomo, que são as partes do corpo que agem involuntariamente, sem a nossa consciência, por exemplo a respiração, digestão, controle da pressão arterial, da temperatura, etc... Ele também faz a regulação do organismo em relação ao ambiente, por exemplo, se entramos estamos num local bem iluminado e entramos em outro com pouca iluminação, há a necessidade de uma dilatação de nossas pupilas para dar conta da pouca luminosidade.
adaptação do livro: Psico A - Editora Artmed

O sistema Nervoso Autônomo pode apresentar as seguintes subdivisões: Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático (SNAp), Simpático (SNAs) e Entérico ou Visceral.

SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO
Sistema Nervoso Autônomo Parassimpático (SNAp)
Sistema Nervoso Autônomo Simpático (SNAs)
Entérico ou Visceral
- responsável pela estimulação de ações orgânicas que coloquem esse organismo em situação de repouso e calma, como por exemplo, a desaceleração dos batimentos cardíacos e a contração pupilar.
- responsável pela estimulação de ações orgânicas que permitam a esse organismo responder adequadamente às situações de estresse, ou seja, coloca o organismo em situação de alerta, ora excitando determinados órgãos e vísceras, ora relaxando, conforme o caso. Por exemplo, a aceleração dos batimentos cardíacos e a dilatação pupilar.

- é constituído de uma rede de neurônios que integram o sistema digestivo como um todo – trato gastrointestinal, pâncreas e vesícula biliar. Pode funcionar de forma independente, porém o SNAs e o SNAp podem afetá-lo mutuamente.

GRIGGS, Richard - Editora Artmed

Qual a relação desses sistemas em relação à aprendizagem?

       Metring (2011) enfatiza que o SNAs quando nascemos já começa a atuar e vai continuar atuando até o final de nossas vidas, mas o SNAp precisa ser treinado, e isso quer dizer que estamos organicamente prontos para manter estado de vigília, alerta, mas não para relaxarmos.
      Segundo o autor estamos  sempre em estado de alerta, sendo que as funções viscerais estão preocupadas somente com a manutenção da vida, agimos instintivamente sem muitas vezes recorrer ao uso das funções mentais superiores. E eis aí onde a escola pode colaborar: - treinar o SNAp, instruindo os alunos de como manter o organismo em situação de equilíbrio, repouso relativo, para que assim as funções mentais superiores, tão necessárias à aprendizagem, possam ser melhor utilizadas.
Psico A- Artmed

       Ambientes que coloquem o aprendiz em situação de estresse ativarão as atividades do SNAs, fazendo com que a adrenalina seja despejada na corrente sanguínea que fará com que haja alterações em todo sistema cardiorrespiratório, alterações nos sistemas de apoio (digestão, produção de hormônios, etc). Ao cérebro apenas restará uma parcela de sangue suficiente para manter a musculatura irrigada e alimentada para a situação de luta ou fuga.
Entretanto, Metring (2011) alerta que o cérebro é um grande consumidor de energia, que por sua vez é alimentada pelo sangue, sendo assim: menos sangue = menos energia, menos energia = menos capacidade cognitiva, então a aprendizagem é dificultada e em casos mais graves impossibilitada.
     O SNAp estimula principalmente atividades relaxantes, como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre outras do Parassimpático que tem ação vasodilatadora mediante a libertação de acetilcolina.
      Diante ao que foi relatado o autor propõe que as escolas deveriam preparar o ambiente de tal forma que se obtivesse o melhor aproveitamento do cérebro na aprendizagem, proporcionando assim atividades relaxantes, exercícios respiratórios a fim de evitar situações estressantes.

Fonte:
GRIGGS, Richard. Psicologia uma abordagem concisa. POA: Artmed, 2009
METRING, Roberte. Neuropsicologia e aprendizagem: fundamentos necessários para planejamento do ensino. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.
RENNER,Tanya.  Psico A. Porto Alegre, McGrawHill, 2012


domingo, 12 de maio de 2013

Controle emocional e TFE (Terapia focada na emoção)

Ana Lúcia Hennemann
 


         As emoções estão presentes em todo desenrolar da história humana, embora algumas vezes tentam passar despercebidas, pois somos sujeitos “treinados” a não demonstrá-las. Expressões tais como: - “o que acontece em casa, não se leva ao trabalho, nem o que acontece no trabalho se leva para casa”, são indicadores que temos que nos “robotizar”. Contudo,  a própria  ficção científica vem querendo “humanizar” seus robôs, atribuir-lhes sentimentos. Por exemplo: A.I. Inteligência Artificial é um filme em que uma equipe de cientistas decidiu construir robôs crianças com sentimentos humanos, sendo que o garoto David Swinton (interpretado por Haley Joel Osment) passou por uma  jornada emocional intensa. No caso aqui, tratava-se de um robô, mas e quanto a nós, quantas jornadas emocionais enfrentamos no contexto. Ainda conseguimos distinguir emoções de trabalho separadas das do lar? Será que somos tão equilibrados quanto realmente demonstramos ser?
      Falar de emoções não é falar de nenhuma novidade, pois Platão já as considerava como parte de uma metáfora em que o cocheiro tenta controlar dois cavalos: um é facilmente domável e não precisa ser conduzido, enquanto o outro é selvagem e possivelmente perigoso. Alvarenga (2007, p. 15) ao falar da importância das emoções nos diz que:

Para diminuir a força das emoções, fomos educados, ou melhor, domesticados como qualquer animal selvagem. Classificadas como processos de segunda classe, nossos pais e professores nos ensinaram a conter a manifestação de nossas emoções. Uma vez treinados e domesticados, sentimos vergonha e culpa, quando, sem querer, as expressamos diante dos outros; de outra forma: fomos treinados para domar o animal que habita o interior do organismo. Presos à classificação dual (bom e mau, Deus e Demônio, bonito e feio, forte e fraco, inteligente e idiota), fomos incentivados a expressar o visto como oposto às emoções, ou seja, nossos pensamentos. Classificamos e passamos a acreditar na nossa categorização que a razão (cognição) é a parte divina nossa, a valorizada e importante para o ser humano.


     No entanto são nossas emoções que nos trazem lembranças de nossas necessidades, nossas frustrações, alegrias e projeções, nos levam a fugir de situações difíceis ou querer ficar acolhidos dentro de situações que nos dão prazer. Entretanto alguns sentem sobrecarga de suas emoções e em muitos momentos tem dificuldades de lidar com elas e eis aí que surge a necessidade da regulação emocional, pois o contrário, a desregulação emocional pode levar o indivíduo a queixar-se, provocar e atacar ou isolar-se se afastando dos outros. Muitos podem achar que conseguem por si só, fazer este reequilíbrio, mas por outro lado pode levar a um caminho mais doloroso, pois o fato de tentar descobrir o que está acontecendo consigo, pode levar o indivíduo à depressão, ao isolamento, à inatividade, a um processo de ruminação (pensamentos negativos, repetidos sobre o passado ou o presente). A desregulação emocional seria a dificuldade ou inabilidade de lidar com experiências ou processar as emoções, podendo se manifestar como intensificação excessiva quanto desativação excessiva das emoções. 
        Por exemplo, Leahy, Tirch & Napolitano (2013) explicam que a intensidade emocional pode se tornar tão insuportável para alguns que um “tempo limite” autoimposto é, às vezes, a intervenção de primeira linha, como no caso do comportamento de automutilação, onde a desregulação emocional utiliza-se deste mecanismo negativo como forma de reduzir as emoções intensas. A automutilação libera endorfinas, que temporariamente reduzem a intensidade emocional negativa da ansiedade e da depressão.
      Todos vivenciamos emoções de vários tipos e tentamos lidar com elas de maneiras tanto eficazes quanto ineficazes. Leahy, Tirch & Napolitano (2013) nos dizem que o verdadeiro problema não é sentir ansiedade, e sim nossa capacidade de reconhecê-la, aceita-la, usá-la quando possível e continuar a funcionar apesar dela. Sem emoções, nossas vidas não teriam significado, textura, riqueza, contentamento e conexão com outras pessoas. As emoções nos lembram de nossas necessidades, nossas frustrações e nossos direitos – nos levam a fazer mudanças, fugir de situações difíceis ou saber quando estamos satisfeitos. Ainda assim, há muitas pessoas que se sentem temerosas dos sentimentos e incapazes de lidar com eles por acreditar que a tristeza e a ansiedade impedem um comportamento efetivo.
      O avanço neurocientífico nos traz informações sobre a neurobiologia das emoções, sugerindo quais as regiões interrelacionadas no cérebro podem funcionar como circuitos reguladores das emoções, tais como a amígdala, o hipocampo, a ínsula, o córtex cingulado anterior e as regiões dorsolaterais e ventrais do córtex pré-frontal, contudo o que estes estudos na realidade não relatavam é justamente o como regular nossas emoções, como nos tornar mais equilibrados frente determinadas situações.
Na atualidade, está muito em voga a questão da inteligência emocional onde percebemos nossas emoções, procuramos ter habilidades de usá-las para tomar decisões, compreendemos a natureza das mesmas, a fim de descartar interpretações negativas em torno deste assunto e dessa forma poder manejá-las e controlá-las em nosso benefício. Um dos mais consagrados autores que abordam esta questão se faz presente na figura de Daniel Goleman, mas entre ler o como tornar nossas emoções mais “controladas” e ter alguém que nos oriente de como fazer isso, com certeza a segunda opção é a melhor.
     Estudos voltados à neurociência emocional, na teoria do apego e aos conceitos de inteligência emocional apontam para a terapia focada na emoção (TFE) que é uma terapia experimental e humanística, ela é baseada em evidências e empiricamente fundamentada, o terapeuta também pode atuar como um treinador (coach) emocional que ajuda os pacientes a serem mais efetivos e adaptativos no processamento de suas reações emocionais. A TFE sugere que as emoções influenciam a cognição, bem como a cognição influencia as emoções, sendo que as experiências emocionais envolvem alto nível de atividade sintetizada e sincronizada entre os sistemas biológicos e comportamentais humanos.

Fonte:
ALVARENGA, Galeno. O poder das emoções. 2007. Disponível online em www.galenoalvarenga.com.br
LEAHY, Robert.  TIRCH, Dennis. NAPOLITANO, Lisa. Regulação Emocional em Psicoterapia: Um Guia para o Terapeuta. Porto Alegre: Artmed, 2013.