segunda-feira, 8 de julho de 2013

A resposta dada pela criança está correta ou não?

     Eis um belo exemplo que a aprendizagem sempre deve iniciar com aquilo que o aluno conhece, mas sempre procurando ampliar este conhecimento. Se quero que meu aluno aprenda sobre determinado assunto, não posso ensiná-lo somente na teoria é preciso toda uma etapa de pesquisa científica: coleta de dados sobre o assunto, construção de hipóteses, pesquisa de campo, leitura bibliográfica, análise dos dados, conclusão... 
     Se o professor não oportuniza, diferentes formas de aprender e não oferta objetos concretos que exemplifiquem aquela aprendizagem, o aluno vai procurar em suas memórias aquilo que melhor se identifica com o que está sendo solicitado...
Obs.: Pela análise do desenho a criança deve ter por volta de 6 a 8 anos, então ela estaria, segundo Piaget,saindo do Estágio Pré-Operatório e entrando no Estágio das operações concretas...
     Então: - A resposta dada pela criança está correta ou não?

Imagem: https://www.facebook.com/ConselhosDoTioBen 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O outro lado da moeda




 Durante este mês assisti uma palestra sobre “Altas habilidades/Superdotação” fiquei fascinada com a história do coreano Kim Ung-you que segundo o palestrante aos 3 meses já estava falando e aos 5 anos entrou na universidade. Mas, após pesquisa em algumas fontes, teve um diferencial nos dados apresentados, pois a grande verdade é que este menino considerado prodígio só iniciou sua fala aos  6 meses (apenas uma pequena diferença de 90 dias) e quanto a Universidade o diferencial foi de 1 ano, pois ele só foi matriculado aos 6 anos na Universidade de Seoul ( nada que nos cause espanto...)
    Existem diversos sites falando da genialidade deste garoto, ele está na lista das 10 crianças mais notáveis do mundo, mas na vida sempre existe o outro lado. Um lado que nem sempre aparece, o lado fora dos holofotes, pois  esta criança cresceu e hoje está com 50 anos, surpreendeu a muitos quando decidiu largar tudo e viver em busca da felicidade.
      Um dos aspectos que particularmente gosto de estudar são casos como este, onde o indivíduo tem todo um aparato intelectual muito a frente de sua idade cronológica e de certa forma se sente com a sensação de “não pertença”, pois os interesses de crianças assim em muitos aspectos se diferenciam das demais, mas ao mesmo tempo são crianças como as outras. Sem contar que se o ambiente familiar não souber dar suporte a elas, pode-se ter aí um grande problema, pois existe o lado, em que algumas famílias utilizam-se destas crianças como forma de “inflar o ego”, onde algumas são alvos de exposições na mídia.


    Mas voltando a história de Kim, este coreano nasceu em 7 de março de 1963, sendo que seu nome consta no Livro dos Records Guinness, na categoria QIs mais altos, com uma pontuação de 210. Ele começou a falar com 6 meses e aos 3 anos de vida conversava fluentemente em japonês, coreano, alemão e inglês, a ponto de compor poesias nesses idiomas.  Suas habilidades intelectuais compreendiam também a matemática mais avançada. Aos 6 anos Kim foi matriculado na Universidade de Seoul.  Aos 8 anos foi convidado para trabalhar na NASA, onde permaneceu durante 10 anos. Aos 9 anos recebeu o título de doutor Honoris Causa em Matemática Espacial e Cálculo Diferencial e aos 12 anos também recebeu o título em Física Nuclear e foi considerado o gênio mais completo da história da humanidade. Hoje em dia ele é professor de universidade na Coréia.


      Quando optou por voltar a Coréia, todos  não entenderam sua atitude. Conforme ele,  a mídia denunciou-o como um "gênio fracassado", mas ele não tem ideia de por que sua vida, que ele considera um sucesso, teve que ser chamada de fracasso.
     "As pessoas esperavam que eu me tornasse um funcionário de alto escalão no governo ou uma grande empresa, mas eu não acho que só porque eu não quis tornar-me o esperado, dá a qualquer um o direito de achar que minha vida é um fracasso", disse ele.
   Quando Kim decidiu deixar a NASA, entrou em uma universidade localizada fora de Seul e tornou-se um trabalhador de empresa igual a qualquer outro. Conforme ele, todos os anos em que trabalhou na NASA foram muito solitários.
     "Naquela época minha vida era como de uma máquina. Acordava, resolvia as equações  que me eram atribuídas diariamente, comia, dormia, e assim por diante. Eu realmente não sabia o que eu estava fazendo, e eu estava sozinho e não tinha amigos. "
     Como sentia muita falta de minha mãe, decidi voltar à Coréia, mas fui alvo de perseguição da mídia.
     "Eu estava doente e cansado de ser o centro das atenções. Eu me senti como um macaco em um zoológico ", disse ele. "Naquela época, não havia nem twitters, mensagens instantâneas, de modo que os jornais tinham muito poder. A propagação das notícias foram tão rápidas  que algumas pessoas até começaram a me chamar de esquizofrênico principalmente por estar confinado em um quarto. Mas a grande verdade é que eu queria evitar qualquer tipo de atenção a meu respeito. "
     Como precisei arrumar um emprego na Coréia, me dei conta que não tinha nenhum diploma oficial eu tive que começar tudo do zero. Desde o Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior.
     Kim afirmou que as pessoas investem muito significado em QI. "Alguns pensam que as pessoas com um QI alto pode ser onipotente, mas isso não é verdade. Olhe para mim, eu não tenho talento musical, nem estou excelência no esporte ", disse ele. Assim como os recordes mundiais para os atletas, ter um QI elevado é apenas mais um elemento do talento humano. QI alto, segundo ele, não significa necessariamente que a memória imperecível:  “Até certo tempo atrás eu poderia falar quatro línguas - francês, alemão, japonês e Inglês -, mas não posso falar fluentemente agora. Eu poderia treinar  e falar um pouco, mas honestamente estou enferrujado.
     Hoje, ele se considera uma pessoa feliz, e diz que "A sociedade não deve julgar ninguém com normas unilaterais - todo mundo tem diferentes níveis de aprendizagem, esperanças, talentos e sonhos e devemos respeitar isso".


    Um dos grandes problemas de quase todos os indivíduos superdotados gera em torno do ajustamento socioemocional, pois o desenvolvimento das capacidades mentais e intelectuais se encontra  muito acentuado e incompatível com os pares da mesma idade, pois pode ocorrer a dificuldade de compartilhar os mesmos interesses. Por isso a importância de ter um acompanhamento psicológico para estes indivíduos, desde a mais tenra idade.
    Entretanto, embora não exista um padrão comportamental homogêneo entre os indivíduos superdotados, há um conjunto de características que podem servir como indicativos na avaliação da superdotação. Vale ressaltar que os superdotados podem apresentar diversas dessas características, mas não necessariamente todas elas. Os traços observados são os seguintes:
- Desenvolvimento neuropsicomotor precoce: a criança engatinha, anda e fala mais cedo do que o esperado, com vocabulário avançado para a idade;
- Habilidade superior para manutenção da atenção;
- Ótima capacidade de memória com elevada e rápida capacidade de aprendizagem;
- Persistência e motivação para a resolução de problemas;
- Aquisição precoce da leitura;
- Habilidade acima da média com números e aritmética;
- Curiosidade incomum, desejo de aprender e capacidade de elaborar questionamentos de forma ilimitada;
- Interesses em áreas específicas, podendo tornar-se especialista no assunto;
-Criatividade;
- Sensibilidade elevada, podendo apresentar fortes reações em relação a parte sensorial (ruídos, odores, dores), e especialmente à frustração;
- Comportamento de liderança;
- Energia elevada, o que pode ser confundido com hiperatividade, especialmente quando não estimuladas adequadamente;
- Aguçada percepção de relações de causa e efeito;
- Facilidade para estabelecer generalizações, ou seja, transferir aprendizagens de uma situação para outra;
- Elevado senso crítico: rapidez em identificar contradições e inconsistências;
- Pensamento divergente: habilidade em encontrar diversas idéias e soluções para um mesmo problema;
- Tendência ao perfeccionismo.

Referencial Bibliográfico:







quinta-feira, 4 de julho de 2013

O que você vê na imagem?

     As imagens a seguir fazem parte  de um experimento que Rupert Sheldrake fez na TV BBC, na Grã-Bretanha em 1983, com 2.000.000 espectadores. O mesmo queria comprovar a sua teoria de "campo morfogenético", que é uma espécie de inconsciente coletivo; aqui no caso, quando uma pessoa consegue decifrar a imagem, outras pessoas conseguem ter uma percepção parecida.
     Milhares de pessoas foram então testadas em diferentes partes do mundo, e o resultado foi muito positivo e significativo.

Imagem 1

Imagem 2

Pois muito bem, veja agora se o que você visualizou confere com o que Sheldrake mostrou na emissora de televisão....

Imagem 1
Imagem 2


Cem macacos



     Os macacos Fuscata vivem na ilha de Koshima e têm sido estudado cientistas sociais há décadas. Rotineiramente são largadas batatas-doces na areia da praia. Eles gostam das batatas, mas, obviamente, não da areia grudada nas mesmas.
    Um dia, talvez por acidente, um macaco de 18 meses levou uma batata para um córrego próximo, onde a água lavou a areia. Seus irmãos observaram aquilo e começaram a lavar regularmente as suas batatas também. Os cientistas observaram como o grupo familiar imediatamente, repetiram aquele ato e em seguida, amigos da família, também começaram a  praticar esta técnica de lavagem. Foi uma evolução lenta, mas em seis anos, todos os macacos mais jovens aprenderam a lavar a areia de suas batatas-doces. Alguns adultos que imitaram os filhos também aprenderam essa técnica, mas a maioria dos adultos continuaram comendo as batatas-doces sujas.
    Entretanto, algo surpreendente aconteceu, mais ou menos quando 100 macacos aprenderam a técnica da lavagem, de repente, todos na tribo iniciaram  este ritual antes de comer as batatas. Os cientistas não podem explicar a mudança quase instantânea de comportamento. Ainda mais notável, as colônias da mesma espécie em diferentes ilhas - que tinha nunca foram expostas à técnica de lavagem - de repente começaram a lavar suas batatas!
    Sheldrake interpretou este comportamento ao campo morfogenético, explicando que, quando um certo número crítico de uma espécie se adapta, que a adaptação será contido e proliferaram pelo campo. É uma espécie de inconsciente coletivo.
    “Campos mórficos são laços afetivos entre pessoas, grupos de animais - como bandos de pássaros, cães, gatos, peixes - e entre pessoas e animais. Não é uma coisa fisiológica, mas afetiva. São afinidades que surgem entre os animais e as pessoas com quem eles convivem. Essas afinidades é que são responsáveis pela comunicação.”

     A palavra chave aqui é " hábito ", sendo o fator que origina os campos morfogenéticos . Através dos hábitos os campos morfogenéticos vão variando sua estrutura dando causa deste modo às mudanças estruturais dos sistemas aos que estão associados. Segundo o cientista, os campos mórficos são estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material.

Fonte: http://www.viewzone.com/plasticbrain22.html

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Desaprendendo a lição

                                                                     
                                     
                                                                                                       Affonso Romano de Sant’anna

“Há uma idade em que se ensina o que se sabe, mas em seguida vem outra idade em que se ensina o que não se sabe”. Esta frase de Roland Barthes é instigante. Desmistifica a prática usual do ensino. Por isto, ele continua seu pensamento afirmando que é preciso “desaprender”, "deixar trabalhar o imprevisível” até que surja a chamada “sapiência”, uma sensação de “nenhum poder, um pouco de saber”, mas com “o maior sabor possível”.

E num seminário em Paris, praticando a errância do saber, propôs aos alunos que o encontro na classe não tivesse tema pré-determinado. O desejo inconsciente do saber é que deveria aflorar o tema. Ali os alunos deveriam não apenas desejar saber, mas saber desejar. Desejar o saber é uma primeira etapa, mas saber desejar é uma atitude refinada. Entre um e outro vai a distância do canibal ao gourmet.

Como derivação das colocações de Barthes se poderia dizer: o professor pensa ensinar o que sabe, o que recolheu dos livros e da vida. Mas o aluno aprende do professor não necessariamente o que o outro quer ensinar, mas aquilo que quer aprender. Assim o aluno pode aprender o avesso ou o diferente do que o professor ensinou. Ou aquilo que o mestre nem sabe que ensinou, mas o aluno reteve. O professor, por isto, ensina também o que não quer, algo de que não se dá conta e passa silenciosamente pelos gestos e paredes da sala.

É, aliás, a mesma história que se dá com o texto. O autor se propõe a dizer uma coisa, mas o leitor constrói sua leitura segundo suas carências e iluminações. Por isto se equivocou Jacques Derridá ao dizer que o texto escrito segue livre sem paternidade, enquanto o discurso oral é tutelado pelo orador. O orador também não controla seu discurso, pelo simples fato de estar presente. A palavra ao ser pronunciada já não nos pertence. O orador é falado pelo seu discurso. Fala-se o que se pensa que se sabe, ouve-se o que se pensa que foi pronunciado. O sentido é construído a muitas vozes e ouvidos, harmonicamente. Tinha razão o polifônico Sócrates: “A verdade não está com os homens, mas entre os homens”.

Repitamos a frase de Barthes: “Há uma idade em que se ensina o que se sabe, mas em seguida vem outra idade em que se ensina o que não se sabe”. E adicionemos o seguinte raciocínio: em geral pensa-se que o professor é aquele que “fala”, que preenche com seu encachoeirado discurso uma aula de 50 minutos ou um seminário de três horas. Este é um conceito de ensino como uma atividade “oracular” da parte do mestre, que se complementa numa passividade “auricular” da parte do aluno. Contudo, assim como o espaço em branco é importante no poema, assim como a pausa organiza a música, o saber pode brotar do silêncio. O jorro contínuo de palavras pode ostentar apenas ansiedade. O conhecimento pode se instalar no entreato. O silêncio também fala. É isto que se aprende durante as ditaduras. E, por outro lado, durante as democracias se aprende que o discurso nem sempre diz.

Portanto, à audácia de desaprender o aprendido soma-se a astúcia do silêncio. No princípio era o Verbo. A construção do silêncio exige muitas palavras. O escritor, por exemplo, constrói uma casa de palavras para ouvir seu silêncio interior.
Comecei falando em Barthes. E aquela frase inicial dele remete não só para a questão do “saber” e do “sabor”, mas do “saber” e do “poder”. Na verdade enriquece-se o saber combatendo-se o poder que ele aparenta. E uma forma de incrementar o poder é o “perder”. Assim, o melhor professor seria aquele que não detém o poder e nem o saber, mas que está disposto a perder o poder, para fazer emergir o saber múltiplo. Nesse caso, perder é uma forma de ganhar e o saber é recomeçar.

E para terminar, nada melhor que uma frase de outro desconstrutor de verdades, que é Guimarães Rosa: “Mestre não é quem ensina, mas aquele que, de repente, aprende”.

Discurso aos formandos de Letras URFJ
proferido no Palácio Gustavo Capanema,

Rio, 24/08/1986