Estou certa de que você já presenciou uma cena de ver alguém
falando sozinho, isso se essa pessoa não é você! Mas não se trata de maluquice
não, pois para quem gosta de uma prosa consigo mesmo eis uma excelente notícia:
essas conversas ajudam a aumentar sua
inteligência pois aceleram o lado cognitivo do cérebro.
Para os professores Gary Lupyan e Daniel Swignley, dizer uma
palavra em voz alta, ou dar “pistas verbais” ao seu cérebro, faz com que ele
trabalhe mais rápido. Quando falamos sozinho e em voz alta, nós ajudamos o
nosso cérebro a melhorar a concentração.
Os pesquisadores, das universidades de Wisconsin e
Pensilvânia (EUA), realizaram um experimento com 20 voluntários que foram
convidados a encontrar diferentes objetos dentro de um quarto. Os cientistas
descobriram que as pessoas que repetiram o nome do objeto durante a execução
das tarefas conseguiram terminar a prova mais rápido que os outros.
“Se soubermos qual é o objeto, basta repetir o nome dele em
voz alta, isto ajuda o nosso cérebro reativar esta informação visual, o que facilita na pesquisa“, explicam os autores.
Assim, a linguagem poderia estimular a percepção, fazendo com que o indivíduo
concentre a sua atenção na tarefa determinada a ele. Outros estudos anteriores
mostraram que as crianças, quando repetiam em voz alta para realizar tarefas
como amarrar os sapatos por exemplo, aprenderam o processo com mais eficácia.
Mas este é um dos enfoques dado ao ato de falar sozinho, existe também o fator da conversa interna, da compreensão de nossos sentimentos e transformação dos mesmos em palavras que provoquem o entendimento do que estamos sentindo, pois o pensamento é uma atividade linguística e uma vez que pensamos em palavras, queremos entender os sentimentos e transformá-los.
Na verdade o cérebro humano adora solilóquio (monólogo), mesmo
quando falamos com outras pessoas, e especialmente quando sozinho, nós
continuamente falamos para nós mesmos em nossas cabeças. Algumas pessoas tentam
até espionar as conversas silenciosas
nas mentes de outras pessoas. E foi isso que fez Andrew Irving, um antropólogo
da Universidade de Manchester, que decidiu tentar algo um pouco diferente: a
transcrição peripatético de consciência.
Entretanto a pesquisa dele foi um tanto diferenciada, ele
ficou interessado em saber como os pensamentos das pessoas, especialmente sua
percepção de tempo, mudam à medida que elas se aproximam da morte. Seus voluntários
tinham doenças graves ou terminais, então lhes deu gravadores e os seguia pelas ruas de seus
bairros, filmando e registrando todas as vezes em que se encontravam falando
seus pensamentos em voz alta. "Eu percebi que você poderia ver alguém sentado
em uma cadeira ou caminhar ao longo da rua e pode parecer que nada está
acontecendo, mas, na verdade, muita coisa incrível está acontecendo", diz
Irving. "Em suas cabeças eles podem ir desde a infância até a religião
para questionar a Deus para tentar imaginar o que existe para além da
morte."
Nos vídeos de Irving as pessoas estão vivendo suas vidas
mais ou menos como de costume, andar e falar para si mesmos, falam no microfone
como se estivesse tentando entreter alguém. O discurso interior das pessoas captura
apenas as formas linguísticas de pensamento, negligenciando imagens e cenas. Eles
são registros permanentes de pensamentos fugazes, dos processos mentais
dinâmicos desfraldando em tempo real.
Eles nos dão acesso quase direto a um tipo de comunicação interna que
normalmente não compartilhamos com o outro.
"Há sempre esse conjunto de vozes simultaneamente
acontecendo em público o tempo todo, mas você não pode ouvi-lo", diz
Irving. "Eu estou interessado em tudo o que as pessoas estão pensando. 'O
que devo comprar para o jantar esta noite? Devo comprar pasta? ' Isso é tão
interessante para mim como algo mais dramático. "
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