terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Uma orquestra dentro de seu cérebro


Ana Lúcia Hennemann*

As crianças brincavam na pracinha, o local era cheio de árvores e numa das laterais havia um enorme muro.
Duas turmas dividiam o espaço, uma com crianças entre 3-4 anos e outra com 4-5 anos de idade. Os meninos começaram a brincar de cientistas, juntaram alguns gravetos  e começaram suas pesquisas. Acompanhavam o trajeto feito por formigas e quando uma delas entrava em qualquer buraco eles usavam "suas ferramentas" para exploravam o esconderijo. A professora ouviu e olhou de relance quando o menino falou:
- Os inimigos estão mortos.
Na ponta do graveto uma abelha espetada e rapidamente o ambiente foi se transformando numa nuvem negra de insetos saindo por uma fenda do muro. Era um enorme enxame de abelhas.
Em fração de segundos a professora viu um filme passar por seus pensamentos, não podia ficar ali, pois uma simples picada poderia ser a porta de entrada para um hospital e na rapidez de tentar se salvar, saiu correndo gritando para que todas crianças corressem também.
Longe do perigo, há alguns metros de distância, iniciou a contagem de quantos ali estavam, mas nisso voltou seus olhos para a nuvem preta e percebeu sua colega tentando salvar as crianças que ficaram se debatendo como tentativa de se livrar das abelhas.
Novamente a fração de segundos veio à mente, alergia a picada, dor intensa, inchaço, náuseas, mas era preciso ajudar, como pode ter sido tão egoísta e foi assim que enfrentou seu medo e voltou para o ambiente nada convidativo.  

     Durante milhares de anos nosso cérebro mantém a função primordial de cuidar do nosso bem estar e nossa sobrevivência. Qualquer sinal de perigo faz com que tomamos ações imediatas, muitas vezes impensadas, que podem tanto manter nossa sobrevivência quanto causar a morte. Por exemplo: “O sujeito era muito calmo, nunca reagiu a nada, mas levou um tiro por ter atacado o assaltante”.  E mesmo sem entendermos, foi apenas o instinto de sobrevivência falando mais alto, que em situações estressantes podem tanto paralisar um indivíduo quanto fazê-lo ter reações agressivas, ou seja, fuga ou luta.   
      Nosso cérebro possui uma região chamada neocórtex que nos faz raciocinar, prever situações, analisar o ambiente e a partir daí tomar decisões mais sensatas. É essa região que nos diferencia dos demais animais, pois somos os únicos capazes de antecipar o futuro e pensar em possíveis estratégias a serem realizadas.  Entretanto, quando se trata de emoções e situações que exigem tomadas de decisões bruscas, será que é esta a região que comanda nosso cérebro?
     O neurofisiologista Paul MacLean, em 1990, propôs a teoria do “Cérebro Triúno” ou “Cérebro Trino”, na qual teríamos três cérebros: reptiliano, límbico, neocórtex.
Réptil – onde se manifestam nossos comportamentos de autopreservação: alimentação, agressão e fuga, território e sexualidade;
Mamífero ou Límbico – apresentando os instintos de “rebanho’, cuidados com a prole e hierarquias sociais
Neocórtex- processamento da linguagem simbólica, das abstrações, da lógica.
Conforme esta teoria, grande parte dos humanos em situações de emergência estariam expressando ações mais voltadas ao cérebro réptil e mamífero.

     Dalgalarrondo (2010, p 21), mencionando sobre a evolução do cérebro, enfatiza que essa visão não é mais aceita nos dias atuais, pois a evolução não ocorre de modo linear, mas em ramificações arbóreas, e cada ramo segue seu próprio caminho evolutivo.
    Nesta concepção, há a Teoria do Sistema Funcional, desenvolvida pelo neuropsicólogos russo Aleksandr Romanovick Luria, considerado o principal destaque da Neuropsicologia. Para Luria há em nosso cérebro 3 unidades funcionais, mas que trabalham de modo integral:
Primeira Unidade funcional – Não recebe nenhuma informação externa, sua única atividade é regular o estado do funcionamento do córtex e o nível de vigilância, controlando o tônus, a vigília e os estados mentais do indivíduo, porém, é uma unidade extremamente importante porque o funcionamento cortical é essencial para a sobrevivência do indivíduo e para a execução das outras funções superiores.
Segunda Unidade Funcional - responsável pela recepção, análise e pelo armazenamento das informações. É uma das unidades mais importantes e que compõe grande parte do funcionamento neurológico. O cérebro, ao receber as informações provindas tanto do meio externo quanto do próprio organismo precisa processá-las (interpretá-las) e quando entende que estas informações são muito importantes passa a armazená-las no que pode ser comumente chamado de memória.
Terceira Unidade Funcional - é a região responsável pela programação, regulação e verificação da atividade consciente do homem.

       Para Luria, nosso cérebro ao executar qualquer ação, qualquer atividade ele não envolve apenas uma região cerebral, mas várias. Luria comparou nosso cérebro ao funcionamento de uma orquestra, ou seja,  para que trabalhe com harmonia precisa ter seus instrumentos afinados e trabalhando de forma integrada. Explica que cada área da orquestra é importante e interdependente, mas que precisam das outras áreas funcionando conjuntamente para que seja tocada uma boa música.
    Quando temos esse entendimento de que nosso cérebro trabalha em unidade, entendemos o quanto é importante praticarmos atividades que visem o nosso bem estar, não somente mental, mas físico também, pois frequentemente somos expostos a muitas situações e muitas delas requerem tomadas de decisões rápidas e somente quando estamos em harmonia é que podemos ter atitudes e/ou ações mais inteligentes. Se a função de nosso cérebro é manter nosso bem estar e sobrevivência, que ele o faça de modo assertivo.

Referência Bibliográfica:
ANDRADE, M.V., SANTOS, F.R., BRUNO, O.F.A. Neuropsicologia Hoje. São Paulo: Editora Artes Médicas, 2004.
DALGALARRONDO, Paulo. Evolução do cérebro: sistema nervoso, psicologia e psicopatologia sob a perspectiva evolucionista. Porto Alegre: Artmed, 2011.
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.

   Email: ana.hennemann@outlook.com   

Neurônios Espelho – Aprendizagem por observação/imitação

 
Ana Lúcia Hennemann*

Frequentemente algumas crianças vinham brincar com João. Entre uma brincadeira e outra corriam até um pequeno cercado na porta e chamavam o cachorro até ele.
Era um dog alemão enorme, mas muito manso, porém cada vez que o cão chegava perto do cercado, as crianças saiam em disparada, rindo e procurando ficar longe do campo de visão do mesmo.
Sentado no carrinho, o irmãozinho de João observa tudo, cada detalhe, a ida das crianças até o cercado, as provocações, o cachorro vindo, e elas correndo sorrindo. Ele tinha apenas 8 meses, mas acompanhava tudo com olhares e movimentos com os pés como se estivesse a correr junto com as crianças.
Foram alguns meses apenas de observação, mas assim que começou a caminhar foi até a porta, tentou expressar algo como se estivesse a chamar o cachorro e saiu correndo, meio que cambaleando, mas feliz pelo feito realizado com tantos meses de espera...

     A criança descrita no texto, após longo período observando as demais interagirem conseguiu um dia imitá-las, ou seja, ela teve uma aprendizagem por observação.
      O psicólogo canadense, Albert Bandura (1925-1988) realizou experiências onde crianças assistiam vídeos de adultos agredindo um boneco “João Bobo”, e em seguida eram colocadas numa sala com alguns brinquedos e também o referido boneco. Constatou-se que 90% das crianças apresentavam as mesmas atitudes do adulto em relação ao tal boneco, confirmando assim, que a experiência de outros podem conduzir à aquisição de novos comportamentos.
    Para Bandura, a aprendizagem por observação, ou aprendizagem social, ocorre pela observação dos comportamentos daqueles com quem convivemos (pais, irmãos, amigos, professores). Bandura designa por modelação ou modelagem o processo de aprendizagem social feito com base na observação e imitação sociais.
     Em meados de 1990, na Universidade de Parma, Giacomo Rizzolati e seus colaboradores, descobriram neurônios no cérebro que são responsáveis por esta aprendizagem por imitação, os neurônios-espelho. As pessoas, crianças e até mesmo animais podem aprender observando e imitando os outros.

   Entretanto, aprendemos não somente com aqueles que estão presencialmente, podemos aprender virtualmente também, um exemplo disso é a tal “Galinha Pintadinha” que serve de babás para muitas crianças. Também há o enorme repertório de filmes, novelas e comerciais que estão a modular muitos neurônios-espelho por aí.
     Na questão da aprendizagem escolar, o quanto é importante o professor entender o impacto da aprendizagem por observação. Seja pelo seu modo de atuar em sala de aula, seja pelo entendimento de que alunos também aprendem com alunos. Por exemplo, há salas de aula onde indivíduos passam o ano e anos sentados com os mesmos colegas, repetem os mesmos padrões de comportamento, deixam de aprender e deixam de ensinar aos demais. O famoso espelho de classe é uma ferramenta essencial, pois oportuniza que alunos aprendam a observar diferentes colegas e ampliarem sua capacidade de aprendizagem.
    Mas, pensando neste mundo cada vez mais tecnológico, pais queixando-se que seus filhos vivem conectados, professores preocupados com a defasagem da leitura e escrita e os neurônios-espelho nos evidenciando que aprendemos por imitação, quem sabe devemos parar de reclamar e tornar nossas ações mais visíveis para que possam ser imitadas. Quem sabe 20 minutos de leitura juntamente com os filhos ou alunos faria um grande diferencial.


Referência Bibliográfica:
BANDURA, Alfred. AZZI, Roberta. POLYDORO, Soely. Teoria Social Cognitiva: conceitos básicos. Porto Alegre: Artmed, 2008.
LA ROSA, Jorge. Psicologia e educação: o significado do aprender. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
   Email: ana.hennemann@outlook.com   

domingo, 18 de janeiro de 2015

Empatia

Ana Lúcia Hennemann*

O menino recém havia completado 2 anos de idade. A festa de seu aniversário lhe rendeu alguns brinquedos interessantes. Um deles era um jogo de encaixe repleto de blocos coloridos, e eis que numa tarde qualquer montava-o no tapete da sala com a mãe sentada ao lado observando aquelas mãozinhas pouco habilidosas tentando encaixar as peças.
O filho estava crescendo rapidamente e devido a fatores como emprego, ritmo acelerado de vida, quase nem conseguia acompanhar as mudanças.
Vagando em seus pensamentos quase nem percebeu a interrupção da criança mostrando a montagem que havia realizado: - Tá bonito mamãe?
E ela num meigo sorriso, responde:
- Sim filho. Hummmmm estou até com ciúmes deste jogo, você nem dá mais bola para mim...
Neste instante pega o celular e começa a visualizar as mensagens recebidas.
 A criança silenciosamente levanta-se e dirige-se a outro local da casa. Segundos depois, volta e diz: - Tá mamãe!
E com os braços estendidos, e o sentido de dever cumprido,  entrega a bola para a mesma.

       Perceber nossos próprios sentimentos não é tarefa fácil, mas é fruto de uma construção que inicia na relação mãe/filho (pais/filhos, cuidadores/ crianças). A interação com os outros nos proporciona a autodescoberta, bem como a autoconsciência de nossos atos e sentimentos. No exemplo acima a mãe utilizou-se de uma metáfora para externar aquilo que sentia, entretanto a criança não conseguiu entender a metáfora utilizada, mas já traz dentro de si todos os neurônios que lhe possibilitem sentir a empatia.
      Empatia não se resume apenas a responder com sorrisos a quem nos sorri ou ficar comovido quando alguém chora. Ela envolve conhecimento de si e do outro, trata-se de entender o sentimento dos demais, colocar-se no lugar dos mesmos. Herculano-Houzel nos diz que empatia é a capacidade de "sofrer junto", ou seja, de sentir, ou ao menos intuir, o que o outro sente.
      Se uma criança de 2 anos percebe sua mãe chorando ela pode oferecer-lhe algum brinquedo ou até mesmo algum alimento que esteja comendo como forma de ver a mesma se sentir melhor, pois geralmente, são estes os atos que ela recebe do adulto quando a mesma está chorando.
      "Aos 3 anos, as crianças percebem que, se alguém consegue o que quer, fica feliz e, se não consegue, fica triste (Wellman e Woolley, 1990)."
       Porém, por volta dos 4 anos de idade ela já adquiriu mais vivencias em relação às suas emoções e as dos demais indivíduos a sua volta. Por exemplo, se alguém diz que sente dor em determinado local a criança já tenta confortar a pessoa, pois a dor do outro pode lhe parecer desconfortável.
      Todo ser humano nasce com neurônios-espelho, ou seja, neurônios que tem como função a capacidade de imitar gestos e atitudes dos demais seres humanos. Os neurônios-espelho (localizados no lobo frontal) conforme o neurocientista Ramachandran podem fornecer a base da empatia, do autoconhecimento, da autoconsciência. Alfred Adler, psicólogo austríaco, há décadas afirmou que a empatia deve ser estimulada em crianças pelos pais e demais cuidadores ou permanecerá enfraquecida.
       A maneira como os pais/cuidadores tratam a criança é o modo como ela vai aprendendo a ter empatia. Crianças que crescem em ambientes onde dizem o que querem ofendendo as pessoas ou apresentam atitudes de agressão física (um simples tapa que for) e a família se mantém omissa, afinal: - Meu filho tem personalidade! Ele é assim! - estão sendo ensinadas a serem insensíveis aos sentimentos alheios.  
.   O dever dos pais/cuidadores sempre é dialogar sobre as situações, fazer a criança entender que tudo há consequências. Não importa a idade da criança, o diferencial é os pais a ensinarem como lidar com as situações, pois dessa forma estão oportunizando o fortalecimento da empatia e automaticamente ensinado seus filhos lições de gestão emocional, instrumentalizando-os para uma melhor convivência em sociedade e quem sabe a conquista de melhores empregos, pois num mundo em que cada vez mais as pessoas estão conectadas em máquinas e menos em gente (Gardner), um simples sorriso poderá fazer toda a diferença.  

Referências Bibliográficas:
FIORE-CORREIA, Olívia. LAMPREIA, Carolina. SOLLERO-DE-CAMPOS, Flávia. As falhas na emergência da autoconsciência na criança autista. Disponível online em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-56652010000100007&script=sci_arttext

HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Vida em Sociedade. Disponível online em: http://www.cerebronosso.bio.br/vida-em-sociedade/
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
   Email: ana.hennemann@outlook.com   

Um simples desafio




 A resposta do desafio é simples... O círculo azul vai logo após o círculo rosa e o marrom sobre o círculo azul claro. Na hora da contagem há 6 círculos em cada fileira...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Alguém pode estar manipulando você...

Ana Lúcia Hennemann*
“Os truques de mágica funcionam porque os seres humanos têm um processo estruturado de atenção e consciência que pode ser invadido e alterado.”
 Macknik e Martinez-Conde

     Assim como a música, a pintura, a poesia, o teatro, também a magia é uma arte de encantar. Não importa a idade, o fato é que ela nos ilude e o fascínio disso encanta, principalmente quando o truque é feito com maestria. O mágico, sorridente e encantador gesticula dando a impressão de um simples movimento, mas não, sabiamente o gesto inocente foi utilizado para distrair e direcionar a atenção do público para aquilo que deseja enfatizar.
    Mágica tem muita semelhança com a neurociência cognitiva, ou seja, ambas estudam o comportamento humano – suas experiências, consciência e expectativas. Entretanto, na mágica há uma sequência de atos bem planejados, ensaiados milhares de vezes e intencionais. Durante uma única apresentação informações inverídicas são “implantadas” nos cérebros dos espectadores, porém a credibilidade naquilo que se vê e toda a carga emocional recebida no momento, faz com que detalhes minuciosos passem despercebidos.
   Os mágicos utilizam-se de um mecanismo chamado atenção seletiva. Por exemplo, quanto mais focamos nossa atenção para determinado estímulo, maior a probabilidade de desconsiderar o que ocorre a nossa volta. E a maioria dos truques faz com que o indivíduo foque sua atenção, e aí vem a perspicácia e agilidade do mágico, porque geralmente eles apresentam um truque inicial dando a entender que o mesmo não funcionou, e no que a pessoa relaxa, aí a verdadeira mágica acontece. Ou então, utilizam-se de estratégias que façam as pessoas rirem, e é difícil pensar criticamente quando se está rindo.

    Mágicos são manipuladores de atenção e não de olhares das pessoas, pois vemos a mágica acontecer, mas não percebemos todos os detalhes que estão ocorrendo junto com a mesma. Quanto mais um indivíduo procura atentar para alguma coisa mais ele a acentua e mais elimina as informações circundantes.
    Quando pensamos em tomada de decisões, acentuar ou eliminar informações fazem muita diferença, pois conforme os neurocientistas Macknik e Martinez-Conde (2011, p 96) “no dia a dia mesmo quando a pessoa se concentra em realizar um trabalho crucial, ela ainda precisa se lembrar de dar uma olhadela em volta de vez em quando para não correr o risco de deixar passar fatos importantes e oportunidades potenciais.”  Um exemplo disso é quando o indivíduo tem algo a resolver, mantém o foco naquilo, mas parece difícil encontrar a solução. No momento que “desligou”, relaxou, aí a resposta aparece.
   Um teste muito conhecido desenvolvido pelo psicólogo e pesquisador Daniel J. Simons é aquele onde jogadores estão driblando e passando entre si uma bola de basquete. A tarefa é contar durante 60 segundos o número de vezes que cada jogador faz um passe. Enquanto permanecemos concentrados e focando na bola e na quantidade de passes, alguém vestido de gorila caminha entre os jogadores, vira o rosto para os espectadores, bate no peito e vai embora. E muitos não conseguem perceber o gorila.
   Há também um outro fator interessante, quando vamos ao show de mágica, estamos cientes que se trata de um espetáculo, de que alguém durante um determinado período irá se utilizar de todos seus conhecimentos e habilidades para fazer o inacreditável acontecer...no entanto, no dia a dia, somos vulneráveis a muitas manipulações de atenção seletiva, e nem sempre o percebemos...

Fontes Bibliográficas:

GRAVENOR, Misha. Mágica a truques que iludem o cérebro. http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/magica_e_truques_que_iludem_o_cerebro.html
JOU, Gaziela. Atenção seletiva: Um estudo sobre cegueira por desatenção. http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0305.pdf
MACKNIK, Stephen. MARTINEZ-CONDE, Suzana. Truques da mente: o que a mágica revela sobre o nosso cérebro. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.


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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
   Email: ana.hennemann@outlook.com