Ana Lúcia Hennemann*
Fato 1:
O garoto de 8 anos
colocou o caderno fechado embaixo da mesa, a professora parou ao seu lado e questionou:
- Terminou!
E ele com um sorriso no
canto da boca responde: - Sim, prontinho! E desviando o olhar pôs-se a procurar
algo em seu estojo.
- Por favor, posso dar
uma olhada em seu caderno? - perguntou a professora. Olhando-a fixamente e esboçando outro sorriso, o garoto lhe
entrega o mesmo.
Apenas a data do dia constava
ali e quando questionado sobre o restante da atividade, ele calmamente folheia
as páginas do mesmo e menciona que não sabe o que aconteceu, pois tinha certeza
que havia copiado.
Fato 2:
Naquele dia tirou o lápis
da mão da colega, quebrou-o e jogou longe.
Os diálogos não estavam funcionando, a cena já estava se repetindo. A
professora solicitou a agenda, escreveu um recado aos pais. O término da aula
chegou, ela viu quando ele rasgou a página da agenda e colocou embaixo da mesa,
então calmamente o questionou: - Lembrou de pegar todos os teus pertences?
Olhaste embaixo da mesa?
- Tudo que preciso está
na mochila professora!
Fato 3:
Todos estavam
posicionados olhando para a porta, a qualquer momento a
aniversariante entraria... 3, 2, 1 começou o canto de parabéns. Era um dia de
festa, eis que em determinado momento uma das crianças que não falava (mutismo
seletivo) sai da sala correndo e chorando. Inúmeras perguntas foram feitas para
que se tentasse entender o que havia acontecido. Nas costas, a marca de um soco
que alguém lhe dera durante aquele momento em que todos cantavam.
O suposto suspeito
mostrava-se desolado e comentava com os demais colegas: - Quem pode ter tido a
coragem de fazer isso com aquele coitadinho?
O Transtorno de Conduta
classificado como um dos Transtornos Disruptivos, do controle de impulsos e da
conduta, pode ter seu início na infância. Pequenos atos que evidenciam falta de
sentimentos ao sofrimento alheio, demonstrações de agressividade física para
com os outros ou mesmo torturas praticadas com animais, denotam um olhar mais
atento do adulto em relação às atitudes da criança. Conforme DSM-V algumas características
deste transtorno aparecem antes de 10 anos e geralmente são meninos.
Conforme Burke (et al, 2002) é um
padrão comportamental repetitivo e persistente no qual são violados direitos
básicos de outras pessoas ou normas ou regaras sociais relevantes e apropriadas
para a idade, podem implicar uma conduta agressiva de ferir ou ameaçar outras
pessoas ou animais, desonestidade ou violações graves de regras.
Indivíduos com o transtorno de
conduta apresentam:
- Ausência de remorso ou culpa: não se sentem mal quando fazem algo
errado e nem se preocupam quanto às consequências negativas de suas ações.
- Insensibilidade – falta de empatia: ignora e não está preocupado
com os sentimentos de outras pessoas.
- Despreocupação com o desempenho: não se preocupa com o desempenho
escolar, com o trabalho ou outras atividades importantes. Geralmente culpa os
outros pelas situações.
- Afeto superficial ou deficiente: não expressam sentimentos e nem
demonstram emoções para os outros, a não ser de uma maneira que parece
superficial, insincera ou rasa (ex. as ações contradizem a emoção demonstrada;
pode “ligar” ou “desligar” emoções rapidamente) ou quando as expressões
emocionais são usadas para obter algum ganho (ex. emoções com a finalidade de
manipular ou intimidar outras pessoas).
O DSM-V apresenta os seguintes
critérios para o diagnóstico de transtorno de Conduta:
Um padrão de comportamento repetitivo e persistente no qual são
violados direitos básicos de outras pessoas ou normas ou regras sociais
relevantes e apropriadas para idade
- presença de ao menos 3 dos 15 critérios seguintes, nos últimos 12
meses, mas com ao menos 1 critério presente nos últimos 6 meses.
|
|
A
|
- Agressão a Pessoas e Animais
1) Frequentemente provoca, ameaça ou intimida outros.
2) Frequentemente inicia brigas físicas.
3) Usou alguma arma que pode causar danos físicos graves a outros
(ex. bastão, tijolo, garrafa quebrada, faca, arama de fogo)
4) Foi fisicamente cruel com as pessoas.
5) Foi fisicamente cruel com animais.
6) Roubou durante o confronto com uma vítima (ex. assalto, roubo de
bolsa, extorsão, roubo à mão armada)
7) Forçou alguém a atividade sexual.
- Destruição de propriedade
8) Envolveu-se deliberadamente na provocação de incêndios com a
intenção de causar danos graves.
9) Destruiu deliberadamente propriedade de outras pessoas (excluindo
provocação de incêndios)
-Falsidade ou Furto
10) Invadiu a casa, o edifício ou o carro de outra pessoa.
11) Frequentemente mente para obter bens materiais ou favores ou para
evitar obrigações (“trapaceia”)
12) Furtou itens de valores consideráveis sem confrontar a vítima
(ex: furto em lojas, mas sem invadir ou forçar a entrada; falsificação)
- Violações Graves de Regras
13) Frequentemente fica fora de casa à noite, apesar da proibição dos
pais, com início antes dos 13 anos de idade.
14) Fugiu de casa, passando a noite fora, pelo menos duas vezes
enquanto morando com os pais ou em lar substituto, ou uma vez sem retornar
por um longo período.
15) Com frequência falta às aulas, com ínicio antes dos 13 anos de
idade
|
B
|
A perturbação comportamental causa prejuízos clinicamente
significativos no funcionamento social, acadêmico ou profissional.
|
C
|
Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, os critérios para transtornos de
personalidade antissocial não são preenchidos
|
Conforme Teixeira (2013, p.65) na
escola essas são algumas ações perceptíveis do transtorno de conduta:
Mentiras
Agressões físicas
“Matar aula”
Destruição de carteiras
Roubo de material escolar
Agressividade e ameaças contra
professores e alunos
Hostilidade com colegas de
turma
Ausência de remorso
Comportamento sádico
Consumo de álcool e drogas
Desempenho escolar fraco
Isolamento social
Prática de bullying
Sugere-se que as famílias
juntamente com a escola permaneçam atentos e utilizem-se de medidas
socioeducativas, treinamento de habilidades sociais e técnicas cognitivo-comportamentais
como forma de controlar a agressão, a modulação do comportamento social e o
estímulo ao diálogo e melhoria de relacionamento.
Referência
Bibliográfica:
APA. Referência Rápida aso Critérios Diagnósticos do DSM-V. Porto
Alegre: Artmed, 2014
TEIXEIRA, Gustavo. Manual dos Transtornos Escolares:
entendendo os problemas de crianças e adolescentes na escola. Rio de Janeiro:
Best Seller, 2013.
------------------------------------------------------------------------------------------------
* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/
Neuropsicopedagogia.
Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em
cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às Neurociências,
Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
Email: ana.hennemann@outlook.com










