Ana
Lúcia Hennemann*
Ontem
um menino que brincava me falou que hoje é semente do amanhã...Para não ter
medo que este tempo vai passar...Não se desespere não, nem pare de sonhar... Nunca se
entregue, nasça sempre com as manhãs... - Gonzaguinha
A criança é a semente
do amanhã. Semente que todo dia é ofertada aos cuidados da educação...Quanto
tempo levará para ela brotar? Crescer? Tornar-se árvore? Nove anos? Treze anos?
Dezoito anos? Vinte e um anos? Menos? Mais? Nada de prazos! É necessário colocar a educação no coração da
sociedade durante toda a vida (Delors, 1999).
Diariamente
temos possibilidades de criar novas conexões neurais, novas aprendizagens, por
isso educação é algo que nunca chega ao fim, ela faz parte do ser humano, está
em todos os lugares, nas mais diversas situações. Contudo, como forma de
organização social, há um local que elegemos como foco principal de disseminação
do saber, a escola. Esta, assim como a sociedade, vem passando por constantes
transformações, e como proposta de melhorias, tem investido em ações que visem o
desenvolvimento integral do indivíduo.
O ser humano é
o centro do processo educacional, faz-se necessário instrumentalizar os indivíduos
para que possam ser protagonistas de seu próprio desenvolvimento e dessa forma
ter atitudes mais assertivas, conforme o PNUD (Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento) a inspiração para a educação do Século XXI é Paradigma do
Desenvolvimento Humano.
Por volta de
março de 1993 até setembro de 1996 uma comissão de especialistas coordenada por
Jacques Delors - professor, economista e político
francês - elaborou um relatório elencando quatro aprendizagens fundamentais
que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os
pilares do conhecimento.
A palavra
aprendizagem é o ponto chave destes pilares, mas ela contempla diversas
dimensões nas quais o ser humano pode ser “trabalhado”, ou seja, a aprendizagem
se dá de forma contínua e multifacetada, não se limitando somente a aquisição
de conhecimentos, mas aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser.
Aprender
a conhecer faz menção a busca pelo conhecimento, o que
nos faz querer aprender. Aprender a
fazer nos fala da prática, das habilidades.
Aprender a conviver ressalta
o respeito ao próximo, o pluralismo de ideias, a cooperação. Aprender a ser menciona a compreensão
de si mesmo, a introspecção.
Quando foi
elaborado este relatório para a UNESCO, Delors e demais integrantes desta
comissão já mencionavam o avanço cientifico no âmbito mundial, entretanto ainda
desconheciam o quanto este avanço viesse a contribuir com as questões
educacionais.
Os
quatro pilares propostos para a educação do século XXI, podem ser relacionados
com alguns conhecimentos provindos das neurociências:
"
Aprender a CONHECER – Esse pilar nos
arremete a MOTIVAÇÃO que podem ser as estratégias utilizadas pelo educador
visando despertar o interesse do educando. Causar motivos para que o indivíduo tenha
o desejo de conhecer mais sobre o assunto. Também pode ser relacionada a
RECOMPENSAS, tais como um simples elogio quando o aluno conseguiu realizar a
atividade. Ivan Izquierdo, nos diz que “Da
mesma forma que sem fome não aprendemos a comer e sem sede não aprendemos a
beber água, sem motivação não conseguimos aprender.”
"
Aprender a FAZER – O educando
através da EXPERIÊNCIA e da PRÁTICA vai tornando a aprendizagem mais
significativa, pois aprendemos a medida em que experimentamos e fazemos novas
associações. Conforme Suzana Herculano-Houzel: “A aprendizagem é um processo e depende fundamentalmente de
experiência, o nosso cérebro aprende por tentativa e erro, ele vai se
esculpindo a si próprio conforme ele é usado.”
"
Aprender a CONVIVER - Nosso cérebro possui neurônios especializados
em colocar-nos no lugar do outro, são os NEURÔNIOS-ESPELHO – Conforme
Ramachandran, “Os neurônios-espelho
praticam uma simulação virtual da realidade, pois nosso cérebro adota a
perspectiva de outra pessoa e pode inclusive, aprender apenas por observação.” Aprender
a conviver proporciona a construção de laços afetivos, fortalece a EMPATIA,
pois nos ensina a ter respeito pelo outro.
"
Aprender a SER - Uma das últimas
áreas a atingir a MATURAÇÃO CEREBRAL é a região frontal, local este responsável
pela nossa capacidade de autorregulação. Controle de nossa conduta. Investir no
SER é um processo continuo, e conforme Delors envolve todos os demais pilares mencionados.
Da mesma forma Gardner (apud Cosenza)
enfatiza que “Os educadores têm por função ajudar o aprendiz a atingir o
estágio de mestre” e dessa forma só nos tornamos mestres quando temos
autorregulação, ou seja, conseguimos traçar metas, e vamos em busca das mesmas,
evidenciando iniciativa, criatividade, perseverança, tolerância e MATURIDADE.
Se a escola é o
cenário da educação, se faz necessário que políticas educacionais priorizem a
formação continuada dos educadores. Que possibilitem maior entendimento do
funcionamento do sistema nervoso, pois a inspiração da Educação do Século XXI,
pautada no Paradigma de Desenvolvimento Humano, só será eficaz se realmente o
educador entender cada vez mais sobre desenvolvimento humano. Não há como
cultivarmos árvores sem entender de sementes...
Referências
Bibliográficas:
COSENZA, Ramon.
As neurociências e a Educação no século
XXI. Fórum de Educação 2012.
DELORS,
Jacques. Educação, um tesouro a descobrir.
Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre educação para o século
XXI. Brasília, MEC, UNESCO e Cortez, 1998.
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* Especialista em Alfabetização/ Educação
Inclusiva/ Neuropsicopedagogia. Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em
cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às Neurociências, Neuropsicopedagogia,
Educação Inclusiva, Alfabetização.








