Ana Lúcia Hennemann¹
O
sono promova uma espécie de 'entalhamento' das memórias em nosso cérebro,
perenizando certas conexões sinápticas em detrimento de outras – Sidarta
Ribeiro
Nada mais de deixar sono
atrasado e tentar recuperar as horas perdidas nos finais de semana. Dormir tem
sido cada vez mais evidenciado pela comunidade cientifica como algo primordial
no processo de aprendizagem.
Para aqueles que pensam que a
aprendizagem ocorre somente durante o dia, e mais precisamente dentro do
contexto acadêmico, saibam que esses são apenas as primeiras etapas da
aprendizagem, pois a consolidação da aprendizagem que é o resultado de novas
conexões entre as células nervosas e do reforço destas ligações, necessita de
tempo e nutrientes, não ocorrendo de imediato.
Entretanto, a segunda e
terceira etapa da aprendizagem ocorre durante o sono, onde a consolidação de
nossas memórias realmente acontece, pois ocorre a fixação do que foi aprendido
e também o preparo do cérebro para novas associações. É através do sono que as proteínas são
sintetizadas com o objetivo de manter ou expandir as redes neuronais relacionados
ao aprendizado e memórias. É como se nosso cérebro fizesse uma “releitura” das
aprendizagens e confrontasse com aquilo que se encontra “armazenado”,
ressignificando-as, em outras palavras é um momento de “backup”.
O sono consolida o crescimento
das espinhas dendríticas, que são pequenas saliências de células cerebrais que auxiliam
na conexão entre as mesmas, facilitando assim a passagem de informação através
das sinapses e desta forma ampliam a memória de longo prazo.
Dentro do contexto educativo o
autor Ausubel menciona que o professor deve partir dos conhecimentos prévios
dos alunos. Dentro da neurociência sabe-se que os conhecimentos prévios
encontram-se na memória de longa duração, ou seja, nossas aprendizagens,
conhecimentos, nossos saberes. O aluno só terá conhecimentos prévios se eles
estiverem consolidados na memória. Quanto mais conhecimentos obtivermos mais
rápida as próximas aprendizagens acontecem.
Passar horas estudando, como
fazem alguns alunos em épocas de exames, não garante o melhor desempenho
acadêmico, pois estudar requer fazer conexões com o que estamos aprendendo com
aquilo que já sabemos. E conforme dito anteriormente é justamente no sono que
estas aprendizagens se consolidam.
O neurocientista Sidarta
Ribeiro enfatiza que o sono reverbera, processa, consolida, deleta e
reestrutura memórias, mas aquele sono após o almoço também auxilia no processo
de aprendizagem, pois ele também faz a reposição/regulação de substâncias
químicas que a pessoa gasta quando acordada.
Testes realizados com ratos,
feitos pelo professor de neurociência e fisiologia Wen-Biao Gan, evidenciaram
de que forma o sono auxilia na aprendizagem. Durante o dia o pesquisador
treinou um grupo de ratos numa determinada atividade específica e percebeu que
6 horas após ocorreu o crescimento de espinhas dendríticas. Numa segunda etapa
da pesquisa, dividiu o grupo de ratos em dois subgrupos, sendo que o primeiro
dormiu logo após o aprendizado de uma nova atividade, e o segundo grupo
permaneceu acordado. Na verificação do teste percebeu-se que o grupo que dormiu
apresentou maior quantidade de crescimento de espinhas dendríticas, comprovando
dessa forma que o sono auxilia a aprendizagem, porém a privação do mesmo pode
ser prejudicial.
Valle (2009) ressalta que nossa
saúde, a qualidade de vida e a perspectiva de uma vida longa podem depender de
boas noites de sono. Entretanto, o importante nem sempre é a quantidade de
horas dormidas, mas sim a qualidade das mesmas porque o sono tem a função de
melhorar as funções intelectuais regulando o conhecimento e as experiências da
pessoa enquanto ela dorme. Nesse sentido, faz-se necessário primar pela
qualidade do sono procurando:
- dormir sem luzes, rádio ou
televisão ligados, pois estes estimulam alguns de nossos sentidos fazendo com
que os neurônios fiquem excitados.
- propiciar um ambiente
acolhedor, com temperatura agradável;
- evitar café, cigarro,
estimulantes que podem interferir no sono.
- se possível crie uma rotina
saudável para dormir, pois é neste momento que são restabelecidas as energias
gastas no dia e as mesmas tem grande influência sobre nossas funções vitais e
cognitivas.
O sono é um dos alicerces da
aprendizagem, e se essa base estiver comprometida, certamente a consolidação de
nossos saberes também ficará abalado.
Referências
Bibliográficas:
VALLE,
Luiza, VALLE, Eduardo. REIMÃO, Rubens. Sono
e aprendizagem. Revista Psicopedagogia, vol 26, nº 80. São Paulo:2009.
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
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Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L. Sono: Alicerce da Aprendizagem. Novo Hamburgo, 27 janeiro/ 2017. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/sono-alicerce-da-aprendizagem.html
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