sábado, 28 de janeiro de 2017

Consumo de Ômega-3 melhora o desempenho acadêmico?

Ana Lúcia Hennemann

Entender e fazer uso do conteúdo proporcionado pelo contexto escolar é um dos aspectos que são avaliados quando se diz que o aluno tem um bom desempenho escolar, pois significa que ele está aprendendo, que está “aumentando a sua capacidade para responder aos estímulos educacionais”.
Os conteúdos escolares são estruturados de acordo com o nível escolar que o aluno se encontra, por exemplo: nas séries iniciais a organização curricular está voltada à alfabetização, ou seja, são proporcionadas noções básicas envolvendo aspectos relacionados à leitura e escrita, numeracia, lateralidade, etc. O mínimo esperado é que o aluno ao final do 3º ano do Ensino Fundamental consiga ter um bom nível de leitura e interpretação e consiga fazer uso disso para os demais contextos...
Todos estes aspectos envolvem diversos fatores, e principalmente, um bom funcionamento cerebral. Por exemplo, para que o aluno consiga decodificar o código linguístico, ou seja, ter apropriação do alfabeto e usar suas variáveis até transformá-lo ou decodificá-lo em textos, se faz necessário que os neurônios envolvidos neste processo passem por uma maturação, uma mielinização, a qual lhe dará maior velocidade no processamento de todas estas informações. Portanto, esses neurônios necessitam ser revestidos com uma espécie de “capa” que faça com que eles consigam “movimentar-se” mais rapidamente para fazer a junção de todas as informações e responder ao estímulo proposto.
Se pensarmos na leitura da palavra “bola”, que pode parecer tão simples, são necessários o processamento de mais de 27 áreas cerebrais para que a leitura realmente tenha fluência e velocidade, pois a aprendizagem desta palavra demandou tempo. Inicialmente, apenas ocorreu a maturação das áreas visuais, pois quando víamos a imagem da palavra percebíamos: um “risquinho” com 2 barriguinhas que significam um som, que vai para área auditiva e depois volta para a área visual e junta um símbolo em formato de círculo que mais tarde entendemos como letra O, e novamente faz esta seleção de sons e riscos com as letras posteriores. Tudo isso explicado numa versão muito grotesca do que realmente acontece, mas ao mesmo tempo nos dá o entendimento de quantos fatores são necessários para que a maturação dos neurônios envolvidos neste processo de leitura ocorra.
No entanto, além de todos estes aspectos há fatores, tais como: qualidade de sono e alimentação. Por exemplo, durante o sono ocorre “o crescimento das espinhas dendríticas, que são pequenas saliências de células cerebrais que auxiliam na conexão entre as mesmas, facilitando assim a passagem de informação através das sinapses e desta forma ampliam a memória de longo prazo. ” (Sono: alicerce da aprendizagem) e também ocorrem aspectos relacionados a “faxina noturna” (HERCULANO-HOUZEL, 2013), ou seja, a remoção de toxinas produzidas pelo organismo celular.
Do mesmo modo que o sono, uma boa alimentação influencia na saúde de nosso cérebro, melhorando o nosso desempenho cognitivo, pois traz mais oxigenação e energia, que são pressupostos básicos para que as informações provindas do ambiente (interno e externo) possam ter maior velocidade no processamento neural.
Quando nosso organismo não tem nutrientes considerados saudáveis para o cérebro, o mesmo vai funcionar também, porém de forma mais lenta. E se pensarmos a longo prazo, numa situação onde há carência demasiada destes nutrientes, podem começar a ocorrer problemas na memória, alterações no humor e consequentemente pioras na retenção de informações.
Uma pesquisa relacionando alimentação e desempenho acadêmico foi realizada com 493 crianças britânicas, na idade entre sete e nove anos, verificando o consumo de Omega-3 e a relação do mesmo com o aprendizado. Os pesquisadores Alex Richardson e Paul Montgomery, professores da Universidade de Oxford, optaram pelo Ômega-3 (EPA[1] e DHA[2]) porque ele é um ácido graxo, popularmente conhecido como “gordura boa”, essencial para um bom funcionamento cerebral.
O ômega 3 pode ser encontrado em peixes (ex.: atum, sardinha, salmão, tilápia, anchova, cavalinha, bacalhau), frutos do mar, algumas algas, na linhaça, na chia, nas nozes, castanhas e amêndoas.
Para verificar o nível de ácido graxo Ômega-3 nas crianças, os pesquisadores fizeram coleta sanguínea através do dedo e entrevistaram os pais investigando o consumo de peixe na dieta das crianças.
Os resultados desta pesquisa, foram publicados em 2013, na revista PLOS ONE e mostraram que todas as crianças que tinham dificuldades em leitura (de acordo com avaliações nacionais) apresentavam baixo índice de Ômega-3 especialmente no que se refere ao DHA, dois terços destas crianças apresentavam um nível de leitura abaixo do seu nível de idade. As crianças que tinham níveis mais elevados de Ômega-3 (principalmente DHA) apresentavam melhores escores na leitura e na memória, bem como menos problemas de comportamento.
As pesquisas com Ômega-3 e sua correlação com o desempenho acadêmico necessitaria ser replicadas com estudantes de populações diferenciadas e também devemos ter o entendimento que existem outras variáveis que influenciam o desempenho acadêmico, portanto é cedo demais para dizer que crianças que carecem de Ômega-3 apresentam dificuldades acadêmicas, mas por outro lado todos sabemos que um bom funcionamento cerebral necessita de bons nutrientes para que possamos realizar as atividades diárias com maior disposição e quando se trata de crianças, cujo sistema nervoso está em fase de desenvolvimento devemos primar por dietas saudáveis que possam lhe dar condições favoráveis  para aprender.

Referências:
EDUCAVITA. Definição de desempenho acadêmico. Disponível online em: https: educavita.blogspot.com.br/2013/12qdefinicao-de-desempenho-academico.html
HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Faxina Noturna. 12/11/2013. São Paulo, Jornal Folha de São Paulo, 2013.
HENNEMANN, Ana Lúcia. Sono: Alicerce da Aprendizagem. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/sono-alicerce-da-aprendizagem.html
Universit of Oxford. Low Omega-3 could explain why some children struggle with reading Disponivel online em: http://www.ox.ac.uk/news/2013-09-05-low-omega-3-could-explain-why-some-children-struggle-reading
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L. Consumo de Ômega-3 melhora o desempenho acadêmico?.  Novo Hamburgo, 28 janeiro/ 2017. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/consumo-de-omega-3-melhora-o-desempenho.html



[1] EPA (ácido eicosapentaenoico) tem como principal função a proteção das artérias e veias, que, além de ajudar na redução das taxas de colesterol, também protegem nosso corpo de doenças coronárias.
[2] DHA (ácido docosahexaenóico) aumenta a concentração de fosofolipídios das células de nossos olhos, tecidos e cérebro, melhorando assim toda a atividade neurotransmissora e também a memória do indivíduo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sono: Alicerce da Aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann¹


O sono promova uma espécie de 'entalhamento' das memórias em nosso cérebro, perenizando certas conexões sinápticas em detrimento de outras – Sidarta Ribeiro

Nada mais de deixar sono atrasado e tentar recuperar as horas perdidas nos finais de semana. Dormir tem sido cada vez mais evidenciado pela comunidade cientifica como algo primordial no processo de aprendizagem.
Para aqueles que pensam que a aprendizagem ocorre somente durante o dia, e mais precisamente dentro do contexto acadêmico, saibam que esses são apenas as primeiras etapas da aprendizagem, pois a consolidação da aprendizagem que é o resultado de novas conexões entre as células nervosas e do reforço destas ligações, necessita de tempo e nutrientes, não ocorrendo de imediato.
Entretanto, a segunda e terceira etapa da aprendizagem ocorre durante o sono, onde a consolidação de nossas memórias realmente acontece, pois ocorre a fixação do que foi aprendido e também o preparo do cérebro para novas associações.  É através do sono que as proteínas são sintetizadas com o objetivo de manter ou expandir as redes neuronais relacionados ao aprendizado e memórias. É como se nosso cérebro fizesse uma “releitura” das aprendizagens e confrontasse com aquilo que se encontra “armazenado”, ressignificando-as, em outras palavras é um momento de “backup”.
O sono consolida o crescimento das espinhas dendríticas, que são pequenas saliências de células cerebrais que auxiliam na conexão entre as mesmas, facilitando assim a passagem de informação através das sinapses e desta forma ampliam a memória de longo prazo.
 Dentro do contexto educativo o autor Ausubel menciona que o professor deve partir dos conhecimentos prévios dos alunos. Dentro da neurociência sabe-se que os conhecimentos prévios encontram-se na memória de longa duração, ou seja, nossas aprendizagens, conhecimentos, nossos saberes. O aluno só terá conhecimentos prévios se eles estiverem consolidados na memória. Quanto mais conhecimentos obtivermos mais rápida as próximas aprendizagens acontecem.
Passar horas estudando, como fazem alguns alunos em épocas de exames, não garante o melhor desempenho acadêmico, pois estudar requer fazer conexões com o que estamos aprendendo com aquilo que já sabemos. E conforme dito anteriormente é justamente no sono que estas aprendizagens se consolidam.
O neurocientista Sidarta Ribeiro enfatiza que o sono reverbera, processa, consolida, deleta e reestrutura memórias, mas aquele sono após o almoço também auxilia no processo de aprendizagem, pois ele também faz a reposição/regulação de substâncias químicas que a pessoa gasta quando acordada.
Testes realizados com ratos, feitos pelo professor de neurociência e fisiologia Wen-Biao Gan, evidenciaram de que forma o sono auxilia na aprendizagem. Durante o dia o pesquisador treinou um grupo de ratos numa determinada atividade específica e percebeu que 6 horas após ocorreu o crescimento de espinhas dendríticas. Numa segunda etapa da pesquisa, dividiu o grupo de ratos em dois subgrupos, sendo que o primeiro dormiu logo após o aprendizado de uma nova atividade, e o segundo grupo permaneceu acordado. Na verificação do teste percebeu-se que o grupo que dormiu apresentou maior quantidade de crescimento de espinhas dendríticas, comprovando dessa forma que o sono auxilia a aprendizagem, porém a privação do mesmo pode ser prejudicial.
Valle (2009) ressalta que nossa saúde, a qualidade de vida e a perspectiva de uma vida longa podem depender de boas noites de sono. Entretanto, o importante nem sempre é a quantidade de horas dormidas, mas sim a qualidade das mesmas porque o sono tem a função de melhorar as funções intelectuais regulando o conhecimento e as experiências da pessoa enquanto ela dorme. Nesse sentido, faz-se necessário primar pela qualidade do sono procurando:
- dormir sem luzes, rádio ou televisão ligados, pois estes estimulam alguns de nossos sentidos fazendo com que os neurônios fiquem excitados.
- propiciar um ambiente acolhedor, com temperatura agradável;
- evitar café, cigarro, estimulantes que podem interferir no sono.
- se possível crie uma rotina saudável para dormir, pois é neste momento que são restabelecidas as energias gastas no dia e as mesmas tem grande influência sobre nossas funções vitais e cognitivas.
O sono é um dos alicerces da aprendizagem, e se essa base estiver comprometida, certamente a consolidação de nossos saberes também ficará abalado.

Referências Bibliográficas:
RIBEIRO, Sidarta. Dormir, Comer, Sonhar, Aprender. Em: https://www.youtube.com/watch?v=zDYukQ9Xjak
VALLE, Luiza, VALLE, Eduardo. REIMÃO, Rubens. Sono e aprendizagem. Revista Psicopedagogia, vol 26, nº 80. São Paulo:2009. 
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
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Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L. Sono: Alicerce da Aprendizagem.  Novo Hamburgo, 27 janeiro/ 2017. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/sono-alicerce-da-aprendizagem.html 

domingo, 11 de dezembro de 2016

Linguagem – Araranguá - SC

Ana Lúcia Hennemann¹
A Linguagem é um dos fatores primordiais do desenvolvimento humano. Através dela que nos comunicamos, que expressamos o que queremos, sentimos, que nos relacionamos com outros. Dentro do curso de Neuropsicopedagogia Clínica o enfoque é para a linguagem relacionada à leitura e escrita, pois quando estas não se encontram em pleno funcionamento podemos estar diante de um Transtorno Especifico de Aprendizagem que exige uma boa bagagem de conhecimento para fazer a avaliação e a intervenção.
Desta vez, a disciplina ocorreu em Araranguá, cidade de Santa Catarina. Como já havia mencionado na publicação Habilidades Matemáticas – Araranguá – SC, a cidade é belíssima e possui um maravilhoso ponto turístico que mercê destaque: o balneário Morro dos Conventos.
Embora a cidade já tenha outros profissionais de neuropsicopedagogia formados pelo CENSUPEG, esta é a primeira turma de neuropsicopedagogos clínicos que por sinal estão nas últimas disciplinas do curso, e, justamente no mês em que o “corre-corre” das atividades profissionais é imenso, principalmente para quem atua na área educacional (elaboração de provas, correção, registro de notas, escrita de pareceres, ensaio para apresentação de final de ano, etc) ainda assim há aqueles que encontram tempo para estudar, se aperfeiçoar, buscar subsídios que agreguem valor na melhora da qualidade de vida daqueles com os quais interagem ou futuramente irão interagir.
E por isso, estas pós-graduandas de Araranguá, tiveram que deixar em “modo de espera” o convívio com a família, amigos, atividades profissionais e mantiveram o foco na aula aprendendo a diferenciar quando estamos diante de uma criança que sofreu um processo de “não alfabetização” de uma que tem um Transtorno Específico de Aprendizagem, por isso passamos o dia estudando diversos aspectos que envolvem a Linguagem (Fundamentos, bases neurológicas, desenvolvimento normal e alterações).
O DSM-V nos traz critérios importantíssimos que servem de base para a avaliação da leitura e escrita, bem como, o livro Neuropsicopedagogia Clínica, de Rita Russo, foi referência essencial o qual nos apropriamos do conteúdo do capítulo III, que retrata as dificuldades de aprendizagem e principalmente nos dá subsídios para entender a complexa integração dos processos neurológicos e a evolução das habilidades básicas necessárias para a alfabetização.
Dentre os diversos instrumentos que se encontram para avaliar questões relacionados à Linguagem (Leitura e Escrita) priorizamos o estudo do CONFIAS, que tem como objetivo avaliar a consciência fonológica de forma mais abrangente e sequencial, comparando com o que é esperado com cada hipótese de escrita (psicogênese).
Como forma de aliar todo conhecimento provindo dos referencias teóricos com a pratica clínica, foi proporcionado as alunas atividades práticas, contemplando intervenção relacionada aos pressupostos da prontidão para alfabetização, e também a leitura e escrita.  

Referências:

MOOJEN, Sônia Maria. CONFIAS: Consciência Fonológica: instrumento de Avaliação Sequencial. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

RUSSO, Rita. Neuropsicopedagogia Clínica: Introdução, Conceitos, Teoria e Prática. Curitiba: Juruá, 2015.

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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Auxiliando as crianças no desenvolvimento das funções executivas!

Ana Lúcia Hennemann¹
Aprender demanda tempo e empenho, se alguém diz que tem facilidade para a aprendizagem, na verdade o que está pessoa está demonstrando é que ela já teve apropriação de demais aprendizagens bases que serviram de estruturas para aprendizagens posteriores.  Por exemplo, vamos pensar no caso de duas crianças: - a primeira, teve estimulação precoce relacionada ao mundo letrado: - familiares liam livros para ela, brincavam com jogos onde havia letras, palavras, números; ela contemplava momentos onde a família utilizava de instrumentos de escrita (bilhetes, cartas, e-mails, etc); brincava de brincadeiras que envolviam rimas, músicas, etc....
- a segunda criança, poderia até ter um lar de boas condições econômicas, entretanto, vamos pensar numa situação em que os familiares não tivessem tempo de ler, jogar, brincar cantar com a mesma, onde esta criança passasse a maior tempo apenas com o estímulo visual-auditivo (assistindo televisão, por exemplo)
Certamente a primeira criança teve a oportunidade de construir uma base de aprendizagem muito mais “estruturada” do que a segunda, o que futuramente lhe dará mais condições para as demais aprendizagens...
Nestas atividades que iniciam no contexto familiar e continuam na escola, sociedade em geral, a criança vai desenvolvendo funções cerebrais imprescindíveis para a aprendizagem: atenção, memória, emoção, planejamento, auto regulação (conseguir regular o comportamento, ter vontade de fazer algo, mas conseguir se manter na atividade atual), funções estas que conhecemos como executivas.
Moriguchi & Hiraki (2013 apud Santos, 2015) nos diz que “As funções executivas (FEs) referem-se ao controle cognitivo de ordem superior necessário para a realização de um objetivo específico”, no entanto precisamos ter o entendimento de que o controle cognitivo de ordem superior é algo complexo que envolvem capacidade de planejar, executar a atividade ao mesmo tempo que lida com demandas e mudanças ambientais. Por exemplo: vamos pensar numa criança que necessita fazer a cópia da atividade do quadro para o caderno, aparentemente é algo muito simples, mas talvez o simples fato do colega do lado pegar um apontador que seja, pode fazer com que a criança se distraia, perca o foco naquilo que estava fazendo, demore para se localizar onde havia parada, etc... por este simples exemplo somos capazes de deduzir o que Cypel (2006, p. 375) elenca como principais fatores do bom funcionamento das funções executivas: “o estado de alerta, a atenção sustentada e seletiva, o tempo de reação, a fluência e a flexibilidade do pensamento”.
As funções executivas englobam também fatores cognitivos, emocionais e sociais pois se faz necessário regular o comportamento para alcançar as metas (ex. terminar de copiar a atividade do quadro), abandonar estratégias ineficazes (se ficar olhando para o apontador do colega o indivíduo não irá terminar a cópia) e se utilizar de ações mais eficientes.
Entretanto, se faz necessário ter o entendimento que um dos principais lobos responsáveis por este controle executivo é o frontal, no entanto há muito mais estruturas envolvidas tais como núcleos de base (striatum), o tálamo, as estruturas límbicas e demais vias que se encontram nestas regiões. Outro aspecto importante, diz respeito a maturação destas estruturas, pois é justamente através da experimentação de diversas situações que esta maturação ocorre com maior propriedade, com maior elaboração. Por isso, que a criança do primeiro exemplo, citada no início do artigo, apresenta muito mais chances de ter suas funções executivas com melhor estado de funcionamento.
No entanto, todas as crianças desde cedo podem ser auxiliadas com brincadeiras simples que aguçam o seu foco atencional e o controle de impulsos e dessa forma vão melhorando o desempenho de suas funções executivas. Por exemplo, a brincadeira de “Morto e vivo” ou então o “Jogo de Estátua Modelo”
No Jogo de Estátua Modelo, as crianças vão dançando ao som de alguma música e o professor vai segurando na mão a ficha com a estátua modelo, ou seja, a posição em que elas devem ficar assim que ouvirem um apito ou não escutarem mais o som da música. Esta atividade faz com que a criança vai executando uma tarefa (dança) e mantenha seu foco atencional no que precisa fazer após (estátua modelo). Nesse sentido elas vão fazendo um planejamento prévio, criando estratégias para alcançar o objetivo final e lógico se não conseguirem ficar na posição prevista devem fazer novas tentativas, que seria a flexibilização da tarefa (replanejamento das estratégias usadas).

Enfim, esta foi apenas uma dica de atividade, mas CENSUPEG e faça lá sua inscrição.
existem várias outras que são estudadas no curso de Neuropsicopedagogia. Então, se achou interessante, acesse a página do

Referência bibliográfica:

CYPEL, S. O papel das funções executivas nos transtornos de aprendizagem. In: ROTTA, N. OHLWEILER, L. RIESGO, R. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

SANTOS, F., ANDRADE, M, BUENO, O. Neuropsicologia Hoje. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. 
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Linguagem – Cruz Alta - RS



Ana Lúcia Hennemann¹
Neste sábado (03/12/2016) lecionei em Cruz Alta – RS, a cidade é uma verdadeira relíquia cultural-histórica, com 188 anos de emancipação e nacionalmente conhecida como a terra natal de grandes personalidades brasileiras, tais como: o escritor Érico Veríssimo, os políticos José Gomes Pinheiro Machado, Júlio Prates de Castilhos e Salvado Pinheiro Machado, bem como o artista plástico Saint Clair Cemin.  
Cruz Alta em 2010 contabilizava 62.776 habitantes e possui pontos turísticos belíssimos, sendo que aqui destaco o Museu Érico Veríssimo, que é a casa onde o escritor nasceu e lá pode-se encontrar manuscritos do escritor, inúmeras fotos, sua máquina de escrever, livros, entre outros objetos. A casa que foi reformada em 2007 e é Patrimônio Histórico do Estado, atualmente é palco para o Projeto Acústico no Museu e recebe a visita de milhares de pessoas anualmente.
Cruz Alta, no presente ano, já conta com a terceira turma de Neuropsicopedagogia se formando através do CENSUPEG. Isto é um fator muito importante, tanto no aspecto institucional da educação, quanto no aspecto clinico. Pois, o neuropsicopedagogo é um profissional comprometido com o processo de aprendizagem, que está em constante processo de formação, estudando:
[...] a neurofisiologia, a neuroanatomia, a memória, as emoções, percepções do mundo, e principalmente dominar conhecimentos sobre o funcionamento do sistema nervoso, sob o comando cerebral, relacionando as funções executivas, englobando toas as possibilidades de aprendizagem humana. (SANT’ANNA & FULLE, 2016, p.12)

Quando há o entendimento do desenvolvimento do sistema nervoso do indivíduo, há maior possibilidade de se ter o entendimento do que é o normal e o que é o patológico, e nesse sentido o neuropsicopedagogo cursa disciplinas voltadas as mais diversas áreas, procurando desta forma ter amplos conhecimentos que lhe servirão de subsidio para a prática profissional.
Desta vez, a disciplina estudada pela turma de Cruz Alta foi de Linguagem. Na mesma, foram abordados conteúdos tais como: Conceito de Linguagem, Desenvolvimento da Linguagem, Alterações na Linguagem, Avaliação, Intervenção e Prevenção na Linguagem
Como forma de nos prepararmos para a disciplina de Estágio Supervisionado, simulamos uma das testagens voltadas a Linguagem, ou seja, o TDE (Teste de Desempenho Escolar). Ele é um instrumento psicométrico que auxilia na avaliação das capacidades fundamentais para o desempenho escolar: escrita, aritmética e leitura. Porém, como a disciplina é Linguagem, focamos apenas na parte do teste que avalia escrita e leitura.

A importância destas atividades de simulações é que trazem a aproximação do futuro neuropsicopedagogo com estes instrumentos, oportunizando o estudo de como se deve seguir as instruções do manual, ou de que forma se avalia os resultados obtidos pelo indivíduo que fez a testagem.
Entretanto, também foi ressaltado que antes de saber o como fazer uso destas testagens o importante é se apropriar do conteúdo do livro “Neuropsicopedagogia Clínica” da autora Rita Russo, principalmente no capítulo III, intitulado “Dificuldade de Aprendizagem”.
O maravilhoso deste dia foram as contribuições trazidas pelas alunas ressaltando os conhecimentos já enfocados em outras disciplinas do curso, bem como a grande adesão que esta turma teve em fazer a sua carteirinha de associação a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (SBNPp), pois desta forma já estão procurando contemplar a seriedade, o profissionalismo e comprometimento ético que a profissão exige, além de ter exclusividade no acesso a todas notícias e artigos sobre a Neuropsicopedagogia.

Referências:

RUSSO, Rita. Neuropsicopedagogia Clínica: Introdução, Conceitos, Teoria e Prática. Curitiba: Juruá, 2015.

SANT’ANNA, Clarice. FULLE, Angelita. Neuropsicopedagogo Pesquisador: A importância da constante formação. In:  Boletim SBNPP- Agosto 2016. Joinville: SBNPp, 2016.

STEIN, Lilian. TED: Teste de Desempenho Escolar: manual para aplicação e interpretação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015.


NotaSe você tem dúvidas relativas a Neuropsicopedagogia, consulte o site da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia: www.sbnpp.com.br
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325