Funções executivas
para uma vida de sucesso!
Ana Lúcia Hennemann[1]
Como nosso cérebro faz
associações, se alguém ler a expressão “Funções executivas” sem ter
conhecimento prévio do assunto, vai lembrar de? Isso mesmo, num primeiro
momento lembrará a imagem de algum executivo ou algo ligado à organização
empresarial. Digamos que a associação está parcialmente correta, pois tais
funções localizam-se dentro de uma “grande empresa”: seu cérebro.
As Funções Executivas referem-se
a um conjunto de habilidades mentais que trabalham de modo cooperativo para
ajudar as pessoas a alcançarem metas. Estas habilidades são coordenadas pelo
córtex pré-frontal, sendo que a região dorsolateral responsabiliza-se pelo
planejamento e a flexibilidade do comportamento; a região medial pelas
atividades de autorregulação e da correção de erros; região orbitofrontal se
encarrega da avaliação dos riscos envolvidos em determinadas ações e da
inibição de respostas inapropriadas.
Guerra (2011, p.92) salienta que:
“Como as histórias individuais são diferentes, também o desenvolvimento das
funções executivas terá́ trajetórias desiguais para cada pessoa, e as
habilidades adquiridas serão provavelmente distintas.”
Numa concepção neuropsicológica, pode-se dizer
que estas funções compreendem fenômenos de flexibilidade cognitiva e tomada de
decisões. Por exemplo: Vamos pensar em algumas capacidades que crianças/adultos
precisariam ter interagindo num jogo de memória: - gerir o tempo e atenção; -
controle de foco; planejar e organizar jogadas (isso exige flexibilidade, pois
terá que mudar suas ações conforme a jogada do outro); lembrar-se de detalhes;
inibir o comportamento (a criança tem de ter controle inibitório, ela para tudo
o que está fazendo e deixa a outra criança ter a vez); integrar experiências
passadas com o presente (ou seja, construir estratégias para ter um desempenho
no jogo).
O exemplo do jogo, pode ser
aplicado a qualquer outra atividade que realizamos no dia-a-dia, pois ter o bom
funcionamento de nossas funções executivas nos permitem maior desempenho em
tudo que fizermos.
Quando um indivíduo apresenta
déficit nestas funções, o comportamento/desempenho torna-se ineficiente
afetando a capacidade de manter relações sociais adequadas, pois precisamos ser
aptos a trabalhar efetivamente com os outros, com as distrações, ou seja, com
as múltiplas demandas provindas do meio. Porém, conforme Guerra (2011, p.89)
existem indivíduos que apresentam “disfunções executivas”, ou seja:
Indivíduos com lesões pré-frontais podem
apresentar uma série de problemas que caracterizam as chamadas “disfunções
executivas”. Alguns, embora apresentem um nível de inteligência inalterado,
podem se tornar apáticos e serem incapazes de tomar decisões necessárias no dia
a dia. Ou as tomam de uma forma desastrada, que não leva em conta prioridades,
consequências ou os riscos envolvidos, além de não conseguirem perceber e
avaliar os próprios erros. Outros podem ser impulsivos, incapazes de inibir
comportamentos inadequados ou de flexibilizar sua conduta, mesmo constatando
que suas ações não levam ao objetivo determinado. Podem ter uma tendência a
perseverar, ou insistir em ações já em andamento, mesmo que elas se mostrem
ineficientes, ou podem deixar de avaliar as consequências de suas ações no
futuro e comportar-se de forma inadequada e antissocial."
Distúrbios e transtornos tais
como TDAH (Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade), TID
(Transtornos Invasivos do Desenvolvimento), TGD (Transtornos Globais do
Desenvolvimento) ou vítimas de lesões cerebrais traumáticas podem apresentar
dificuldades nas funções executivas, por causa das alterações na área
pré-frontal, mas com o auxílio de profissionais , tais como psicólogos
(neuropsicólogos), psicopedagogo (neuropsicopedagogo), entre outros, há
possibilidades de realizar atividades que auxiliem no melhor desempenho das
funções executivas.
Suponha que um indivíduo tenha um
trabalho acadêmico a ser apresentado num período de 10 dias, mas apenas um dia
anterior comece a organizá-lo. Ou quem sabe, nem o faça. Se pensarmos em questões de organização, o
ideal seria iniciar uns dias antes, mas, para isso, é preciso disciplina, autorregulação,
ou seja, dizer não para algumas coisas que são desnecessárias e sim para o que
realmente é essencial.
Imagine: uma criança recebeu um
dinheiro x para comprar seu lanche ou algum material escolar de que necessita,
mas no percurso para a escola viu algum brinquedo e resolveu gastar seu
dinheiro com o mesmo.... Ficou sem lanche, gastou desnecessariamente... Talvez
você pense: - mas é só uma criança!!!
O fato é que a construção do bom
desempenho das funções executivas inicia-se “no berço”. Cada fase da vida exige
o aprimoramento destas funções, pois se não desenvolvermos essas habilidades
durante a infância e adolescência, estaremos fadados a ter sérios problemas
quando adultos: seja para manter um emprego, manter um casamento, criar filhos,
relacionar-nos com os outros, interagir em sociedade.
Vejamos outro exemplo: um adulto
que tem um dinheiro x para sobreviver durante um certo período de tempo, mas
gastou este dinheiro. Encontrou comprando algo que supôs interessante e acabou
sem recursos financeiros. Gastou, mais uma vez, desnecessariamente... Todos os
exemplos, alertam para a importância de funções executivas bem desenvolvidas.
Como pais e professores podemos
auxiliar e muito no desenvolvimento destas funções, pautados na organização
(regras) e metacognição (pensar sobre o pensar). O simples fato de criar
rotinas e regras pré-estabelecidas servem de grande auxilio, mas se faz
necessário, juntamente com as crianças/adolescentes o “sentipensar” sobre as
ações e atitudes que tiveram em determinada situação, promovem a metacognição =
o que foi feito, que ações/estratégias usei, quais os resultados, o que posso
fazer diferente numa próxima oportunidade.
Nesse sentido, Guerra (2011)
mencionando Gardner, nos diz que muito se fala sobre o aprender a aprender,
entretanto pouco se ensina como realmente aprender, mas se quisermos bom
desempenho na vida, precisamos de um bom funcionamento de nossas funções
executivas e só conseguiremos isso quando praticarmos o exercício da
metacognição revendo constantemente nossas metas, estratégias e possibilidades
de readaptações, assim nossa
aprendizagem se mostra muito mais eficaz, pois numa concepção neurobiológica
“aprender é modificar comportamentos”.
Fonte: COSENZA, Ramon. GUERRA,
Leonor. Neurociência e Educação – Porto Alegre: Artmed, 2011.
Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L. Uma
empresa chamada cérebro. Novo Hamburgo, 08 fevereiro/ 2017.
Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/uma-empresa-chamada-cerebro.html
|
[1] Especialista
em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia
Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325







