quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uma empresa chamada cérebro

Funções executivas para uma vida de sucesso!
Ana Lúcia Hennemann[1]

     Como nosso cérebro faz associações, se alguém ler a expressão “Funções executivas” sem ter conhecimento prévio do assunto, vai lembrar de? Isso mesmo, num primeiro momento lembrará a imagem de algum executivo ou algo ligado à organização empresarial. Digamos que a associação está parcialmente correta, pois tais funções localizam-se dentro de uma “grande empresa”: seu cérebro.
     As Funções Executivas referem-se a um conjunto de habilidades mentais que trabalham de modo cooperativo para ajudar as pessoas a alcançarem metas. Estas habilidades são coordenadas pelo córtex pré-frontal, sendo que a região dorsolateral responsabiliza-se pelo planejamento e a flexibilidade do comportamento; a região medial pelas atividades de autorregulação e da correção de erros; região orbitofrontal se encarrega da avaliação dos riscos envolvidos em determinadas ações e da inibição de respostas inapropriadas.
   Guerra (2011, p.92) salienta que: “Como as histórias individuais são diferentes, também o desenvolvimento das funções executivas terá́ trajetórias desiguais para cada pessoa, e as habilidades adquiridas serão provavelmente distintas.”
     Numa concepção neuropsicológica, pode-se dizer que estas funções compreendem fenômenos de flexibilidade cognitiva e tomada de decisões. Por exemplo: Vamos pensar em algumas capacidades que crianças/adultos precisariam ter interagindo num jogo de memória: - gerir o tempo e atenção; - controle de foco; planejar e organizar jogadas (isso exige flexibilidade, pois terá que mudar suas ações conforme a jogada do outro); lembrar-se de detalhes; inibir o comportamento (a criança tem de ter controle inibitório, ela para tudo o que está fazendo e deixa a outra criança ter a vez); integrar experiências passadas com o presente (ou seja, construir estratégias para ter um desempenho no jogo).
     O exemplo do jogo, pode ser aplicado a qualquer outra atividade que realizamos no dia-a-dia, pois ter o bom funcionamento de nossas funções executivas nos permitem maior desempenho em tudo que fizermos.
   Quando um indivíduo apresenta déficit nestas funções, o comportamento/desempenho torna-se ineficiente afetando a capacidade de manter relações sociais adequadas, pois precisamos ser aptos a trabalhar efetivamente com os outros, com as distrações, ou seja, com as múltiplas demandas provindas do meio. Porém, conforme Guerra (2011, p.89) existem indivíduos que apresentam “disfunções executivas”, ou seja:
 Indivíduos com lesões pré-frontais podem apresentar uma série de problemas que caracterizam as chamadas “disfunções executivas”. Alguns, embora apresentem um nível de inteligência inalterado, podem se tornar apáticos e serem incapazes de tomar decisões necessárias no dia a dia. Ou as tomam de uma forma desastrada, que não leva em conta prioridades, consequências ou os riscos envolvidos, além de não conseguirem perceber e avaliar os próprios erros. Outros podem ser impulsivos, incapazes de inibir comportamentos inadequados ou de flexibilizar sua conduta, mesmo constatando que suas ações não levam ao objetivo determinado. Podem ter uma tendência a perseverar, ou insistir em ações já em andamento, mesmo que elas se mostrem ineficientes, ou podem deixar de avaliar as consequências de suas ações no futuro e comportar-se de forma inadequada e antissocial."

     Distúrbios e transtornos tais como TDAH (Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade), TID (Transtornos Invasivos do Desenvolvimento), TGD (Transtornos Globais do Desenvolvimento) ou vítimas de lesões cerebrais traumáticas podem apresentar dificuldades nas funções executivas, por causa das alterações na área pré-frontal, mas com o auxílio de profissionais , tais como psicólogos (neuropsicólogos), psicopedagogo (neuropsicopedagogo), entre outros, há possibilidades de realizar atividades que auxiliem no melhor desempenho das funções executivas.
    Suponha que um indivíduo tenha um trabalho acadêmico a ser apresentado num período de 10 dias, mas apenas um dia anterior comece a organizá-lo. Ou quem sabe, nem o faça.  Se pensarmos em questões de organização, o ideal seria iniciar uns dias antes, mas, para isso, é preciso disciplina, autorregulação, ou seja, dizer não para algumas coisas que são desnecessárias e sim para o que realmente é essencial.
     Imagine: uma criança recebeu um dinheiro x para comprar seu lanche ou algum material escolar de que necessita, mas no percurso para a escola viu algum brinquedo e resolveu gastar seu dinheiro com o mesmo.... Ficou sem lanche, gastou desnecessariamente... Talvez você pense: - mas é só uma criança!!!
     O fato é que a construção do bom desempenho das funções executivas inicia-se “no berço”. Cada fase da vida exige o aprimoramento destas funções, pois se não desenvolvermos essas habilidades durante a infância e adolescência, estaremos fadados a ter sérios problemas quando adultos: seja para manter um emprego, manter um casamento, criar filhos, relacionar-nos com os outros, interagir em sociedade.
   Vejamos outro exemplo: um adulto que tem um dinheiro x para sobreviver durante um certo período de tempo, mas gastou este dinheiro. Encontrou comprando algo que supôs interessante e acabou sem recursos financeiros. Gastou, mais uma vez, desnecessariamente... Todos os exemplos, alertam para a importância de funções executivas bem desenvolvidas.
     Como pais e professores podemos auxiliar e muito no desenvolvimento destas funções, pautados na organização (regras) e metacognição (pensar sobre o pensar). O simples fato de criar rotinas e regras pré-estabelecidas servem de grande auxilio, mas se faz necessário, juntamente com as crianças/adolescentes o “sentipensar” sobre as ações e atitudes que tiveram em determinada situação, promovem a metacognição = o que foi feito, que ações/estratégias usei, quais os resultados, o que posso fazer diferente numa próxima oportunidade.
     Nesse sentido, Guerra (2011) mencionando Gardner, nos diz que muito se fala sobre o aprender a aprender, entretanto pouco se ensina como realmente aprender, mas se quisermos bom desempenho na vida, precisamos de um bom funcionamento de nossas funções executivas e só conseguiremos isso quando praticarmos o exercício da metacognição revendo constantemente nossas metas, estratégias e possibilidades de readaptações,  assim nossa aprendizagem se mostra muito mais eficaz, pois numa concepção neurobiológica “aprender é modificar comportamentos”. 

Fonte: COSENZA, Ramon. GUERRA, Leonor. Neurociência e Educação – Porto Alegre: Artmed, 2011.
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  Uma empresa chamada cérebro. Novo Hamburgo, 08 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/uma-empresa-chamada-cerebro.html 





[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O “Bruxo da Matemática” na Intervenção Neuropsicopedagógica

Ana Lúcia Hennemann¹

O uso de games no contexto clínico tem se tornado cada vez mais habitual. Para aqueles que desconhecem o trabalho realizado neste setting, ou seja, local de atendimento, num primeiro momento pode parecer apenas uma aproximação do clínico com a realidade vivenciada pelo consulente, contudo há muito mais elementos que permeiam esta interação.
Um bom exemplo disso é o jogo Pearls before swine conhecido como “Bruxo da Matemática”, indicado como intervenção neuropsicopedagógica no contexto da matemática, mas que também pode ser utilizado como excelente no auxílio para o desenvolvimento das funções executivas...
O jogo consiste na interação indivíduo X máquina que tem como avatar um bruxo, onde o mesmo mostra a sua mão com três fileiras de pérolas. Na primeira linha de pérolas há cinco unidades, na segunda quatro e a terceira com três. O bruxo mostra apenas quatro dedos, sendo que três deles contém palavras com as ordens do jogo, por exemplo:  no dedo indicador está escrita a palavra “new”, significando que vai começar o jogo; no dedo médio, a palavra “go”, significando que o jogador está passando a vez; e no dedo mínimo, a palavra “quit”, que significa que o jogador desistiu do jogo.
O jogador poderá clicar em uma das fileiras de pérolas e tirar quantas pérolas quiser e em seguida clicar em “go”, que passará a vez para o adversário. Ambos irão jogando sucessivamente até que o jogo termine e então basta clicar em “new” para recomeçar tudo novamente. O uso de palavras em inglês também pode servir de objeto de estudo, auxiliando a ampliação do vocabulário infantil.
Algumas habilidades matemáticas podem ser exploradas através destas jogadas, por exemplo: contagem, seriação, par e ímpar, relação termo a termo, subtração, inclusive após o jogo virtual pode-se fazer uma versão analógica do jogo, o que permite que o indivíduo tenha uma planificação diferenciada do jogo.
No entanto, o objetivo do jogo é fazer com que o bruxo tire a última pérola, o que significaria que o ele foi derrotado no jogo. Mas, isso não é tão fácil, pois exige muita concentração, atenção, um plano estratégico e um bom raciocínio lógico, que nos arremete ao desenvolvimento das funções executivas que também é um dos aspectos que é trabalhado no atendimento neuropsicopedagógico.
Segundo Lezak (2004 apud Saboya 2007) as funções executivas abrangem 4 domínios que necessitam ser bem trabalhados: volição, planejamento, ação propositiva e monitoramento, que seria o desempenho efetivo.
A volição diz respeito aos aspectos relacionados à intenção, iniciativa e motivação, então relacionado ao jogo, pode-se ter a percepção se o indivíduo consegue ter uma inciativa, se ele tem motivação, ou seja, algo que o faça querer jogar, por exemplo: vencer o jogo. Mas apenas ter o objetivo de vencer o jogo não basta, se faz necessário ter a iniciativa de jogar.
O planejamento fará menção aos aspectos relacionados às capacidades de tomada de decisão e julgamento, ou seja, decidir e estabelecer estratégias observando o que é prioritário no momento, apresentando controle de impulsos.
A ação propositiva prioriza aspectos relacionados ao controle inibitório, flexibilidade cognitiva e processos atencionais.  Aqui é necessário que se inicie, mantenha, modifique ou interrompa um conjunto complexo de ações e atitudes organizadamente. Por exemplo, se o indivíduo participou de uma rodada do jogo e não venceu, se faz necessário que ele modifique as ações feitas anteriormente para que numa próxima tentativa possa conseguir o êxito.
E por fim, o desempenho efetivo que faz menção aos aspectos associados à utilização de feedbacks para o ajuste de respostas (cognitivo-comportamentais), de modo a tornar as mesmas mais adequadas ao contexto. O indivíduo, pode aqui fazer uso da metacognição, ou seja, pensar sobre o pensar, ele vai monitorando o que deu certo e reutilizando estas estratégias de forma mais eficaz.
Há de se ter o entendimento que sair vencedor de qualquer jogo, nem sempre acontece num mesmo dia, as vezes este jogo pode levar mais tempo, horas, dias, e aí a importância do indivíduo explorar de diferentes formas as estratégias já utilizadas e que não tiveram êxito. O importante para ter êxito no jogo ou em qualquer tarefa é saber fazer uso dos domínios executivos que envolvam volição, planejamento, ação propositiva e monitoramento.

Referências:
MENEZES, Josinalva. Atividades interdisciplinares com jogos virtuais para o ensino da matemática. 2006. Disponível online em: http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/seminario2/trabalhos/josinalvamenezes_josivaldobrito.pdf
RUSSO, Rita Margarida Toler. Neuropsicopedagogia clínica: introdução, conceitos, teoria e prática. Curitiba: Juruá, 2015.
SABOYA, Eloisa (et al). Disfunção executiva como uma medida de funcionalidade em adultos com TDAH. Jornal Brasileiro de Psiquiatria.  vol.56 suppl.1 Rio de Janeiro 2007. Disponível online em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852007000500007
Link do jogo: http://www.owensworld.com/games/strategy/pearls-swine 
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  O “Bruxo da Matemática” na Intervenção Neuropsicopedagógica.  Novo Hamburgo, 02 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/o-bruxo-da-matematica-na-intervencao.html

sábado, 28 de janeiro de 2017

Consumo de Ômega-3 melhora o desempenho acadêmico?

Ana Lúcia Hennemann

Entender e fazer uso do conteúdo proporcionado pelo contexto escolar é um dos aspectos que são avaliados quando se diz que o aluno tem um bom desempenho escolar, pois significa que ele está aprendendo, que está “aumentando a sua capacidade para responder aos estímulos educacionais”.
Os conteúdos escolares são estruturados de acordo com o nível escolar que o aluno se encontra, por exemplo: nas séries iniciais a organização curricular está voltada à alfabetização, ou seja, são proporcionadas noções básicas envolvendo aspectos relacionados à leitura e escrita, numeracia, lateralidade, etc. O mínimo esperado é que o aluno ao final do 3º ano do Ensino Fundamental consiga ter um bom nível de leitura e interpretação e consiga fazer uso disso para os demais contextos...
Todos estes aspectos envolvem diversos fatores, e principalmente, um bom funcionamento cerebral. Por exemplo, para que o aluno consiga decodificar o código linguístico, ou seja, ter apropriação do alfabeto e usar suas variáveis até transformá-lo ou decodificá-lo em textos, se faz necessário que os neurônios envolvidos neste processo passem por uma maturação, uma mielinização, a qual lhe dará maior velocidade no processamento de todas estas informações. Portanto, esses neurônios necessitam ser revestidos com uma espécie de “capa” que faça com que eles consigam “movimentar-se” mais rapidamente para fazer a junção de todas as informações e responder ao estímulo proposto.
Se pensarmos na leitura da palavra “bola”, que pode parecer tão simples, são necessários o processamento de mais de 27 áreas cerebrais para que a leitura realmente tenha fluência e velocidade, pois a aprendizagem desta palavra demandou tempo. Inicialmente, apenas ocorreu a maturação das áreas visuais, pois quando víamos a imagem da palavra percebíamos: um “risquinho” com 2 barriguinhas que significam um som, que vai para área auditiva e depois volta para a área visual e junta um símbolo em formato de círculo que mais tarde entendemos como letra O, e novamente faz esta seleção de sons e riscos com as letras posteriores. Tudo isso explicado numa versão muito grotesca do que realmente acontece, mas ao mesmo tempo nos dá o entendimento de quantos fatores são necessários para que a maturação dos neurônios envolvidos neste processo de leitura ocorra.
No entanto, além de todos estes aspectos há fatores, tais como: qualidade de sono e alimentação. Por exemplo, durante o sono ocorre “o crescimento das espinhas dendríticas, que são pequenas saliências de células cerebrais que auxiliam na conexão entre as mesmas, facilitando assim a passagem de informação através das sinapses e desta forma ampliam a memória de longo prazo. ” (Sono: alicerce da aprendizagem) e também ocorrem aspectos relacionados a “faxina noturna” (HERCULANO-HOUZEL, 2013), ou seja, a remoção de toxinas produzidas pelo organismo celular.
Do mesmo modo que o sono, uma boa alimentação influencia na saúde de nosso cérebro, melhorando o nosso desempenho cognitivo, pois traz mais oxigenação e energia, que são pressupostos básicos para que as informações provindas do ambiente (interno e externo) possam ter maior velocidade no processamento neural.
Quando nosso organismo não tem nutrientes considerados saudáveis para o cérebro, o mesmo vai funcionar também, porém de forma mais lenta. E se pensarmos a longo prazo, numa situação onde há carência demasiada destes nutrientes, podem começar a ocorrer problemas na memória, alterações no humor e consequentemente pioras na retenção de informações.
Uma pesquisa relacionando alimentação e desempenho acadêmico foi realizada com 493 crianças britânicas, na idade entre sete e nove anos, verificando o consumo de Omega-3 e a relação do mesmo com o aprendizado. Os pesquisadores Alex Richardson e Paul Montgomery, professores da Universidade de Oxford, optaram pelo Ômega-3 (EPA[1] e DHA[2]) porque ele é um ácido graxo, popularmente conhecido como “gordura boa”, essencial para um bom funcionamento cerebral.
O ômega 3 pode ser encontrado em peixes (ex.: atum, sardinha, salmão, tilápia, anchova, cavalinha, bacalhau), frutos do mar, algumas algas, na linhaça, na chia, nas nozes, castanhas e amêndoas.
Para verificar o nível de ácido graxo Ômega-3 nas crianças, os pesquisadores fizeram coleta sanguínea através do dedo e entrevistaram os pais investigando o consumo de peixe na dieta das crianças.
Os resultados desta pesquisa, foram publicados em 2013, na revista PLOS ONE e mostraram que todas as crianças que tinham dificuldades em leitura (de acordo com avaliações nacionais) apresentavam baixo índice de Ômega-3 especialmente no que se refere ao DHA, dois terços destas crianças apresentavam um nível de leitura abaixo do seu nível de idade. As crianças que tinham níveis mais elevados de Ômega-3 (principalmente DHA) apresentavam melhores escores na leitura e na memória, bem como menos problemas de comportamento.
As pesquisas com Ômega-3 e sua correlação com o desempenho acadêmico necessitaria ser replicadas com estudantes de populações diferenciadas e também devemos ter o entendimento que existem outras variáveis que influenciam o desempenho acadêmico, portanto é cedo demais para dizer que crianças que carecem de Ômega-3 apresentam dificuldades acadêmicas, mas por outro lado todos sabemos que um bom funcionamento cerebral necessita de bons nutrientes para que possamos realizar as atividades diárias com maior disposição e quando se trata de crianças, cujo sistema nervoso está em fase de desenvolvimento devemos primar por dietas saudáveis que possam lhe dar condições favoráveis  para aprender.

Referências:
EDUCAVITA. Definição de desempenho acadêmico. Disponível online em: https: educavita.blogspot.com.br/2013/12qdefinicao-de-desempenho-academico.html
HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Faxina Noturna. 12/11/2013. São Paulo, Jornal Folha de São Paulo, 2013.
HENNEMANN, Ana Lúcia. Sono: Alicerce da Aprendizagem. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/sono-alicerce-da-aprendizagem.html
Universit of Oxford. Low Omega-3 could explain why some children struggle with reading Disponivel online em: http://www.ox.ac.uk/news/2013-09-05-low-omega-3-could-explain-why-some-children-struggle-reading
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana L. Consumo de Ômega-3 melhora o desempenho acadêmico?.  Novo Hamburgo, 28 janeiro/ 2017. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/consumo-de-omega-3-melhora-o-desempenho.html



[1] EPA (ácido eicosapentaenoico) tem como principal função a proteção das artérias e veias, que, além de ajudar na redução das taxas de colesterol, também protegem nosso corpo de doenças coronárias.
[2] DHA (ácido docosahexaenóico) aumenta a concentração de fosofolipídios das células de nossos olhos, tecidos e cérebro, melhorando assim toda a atividade neurotransmissora e também a memória do indivíduo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sono: Alicerce da Aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann¹


O sono promova uma espécie de 'entalhamento' das memórias em nosso cérebro, perenizando certas conexões sinápticas em detrimento de outras – Sidarta Ribeiro

Nada mais de deixar sono atrasado e tentar recuperar as horas perdidas nos finais de semana. Dormir tem sido cada vez mais evidenciado pela comunidade cientifica como algo primordial no processo de aprendizagem.
Para aqueles que pensam que a aprendizagem ocorre somente durante o dia, e mais precisamente dentro do contexto acadêmico, saibam que esses são apenas as primeiras etapas da aprendizagem, pois a consolidação da aprendizagem que é o resultado de novas conexões entre as células nervosas e do reforço destas ligações, necessita de tempo e nutrientes, não ocorrendo de imediato.
Entretanto, a segunda e terceira etapa da aprendizagem ocorre durante o sono, onde a consolidação de nossas memórias realmente acontece, pois ocorre a fixação do que foi aprendido e também o preparo do cérebro para novas associações.  É através do sono que as proteínas são sintetizadas com o objetivo de manter ou expandir as redes neuronais relacionados ao aprendizado e memórias. É como se nosso cérebro fizesse uma “releitura” das aprendizagens e confrontasse com aquilo que se encontra “armazenado”, ressignificando-as, em outras palavras é um momento de “backup”.
O sono consolida o crescimento das espinhas dendríticas, que são pequenas saliências de células cerebrais que auxiliam na conexão entre as mesmas, facilitando assim a passagem de informação através das sinapses e desta forma ampliam a memória de longo prazo.
 Dentro do contexto educativo o autor Ausubel menciona que o professor deve partir dos conhecimentos prévios dos alunos. Dentro da neurociência sabe-se que os conhecimentos prévios encontram-se na memória de longa duração, ou seja, nossas aprendizagens, conhecimentos, nossos saberes. O aluno só terá conhecimentos prévios se eles estiverem consolidados na memória. Quanto mais conhecimentos obtivermos mais rápida as próximas aprendizagens acontecem.
Passar horas estudando, como fazem alguns alunos em épocas de exames, não garante o melhor desempenho acadêmico, pois estudar requer fazer conexões com o que estamos aprendendo com aquilo que já sabemos. E conforme dito anteriormente é justamente no sono que estas aprendizagens se consolidam.
O neurocientista Sidarta Ribeiro enfatiza que o sono reverbera, processa, consolida, deleta e reestrutura memórias, mas aquele sono após o almoço também auxilia no processo de aprendizagem, pois ele também faz a reposição/regulação de substâncias químicas que a pessoa gasta quando acordada.
Testes realizados com ratos, feitos pelo professor de neurociência e fisiologia Wen-Biao Gan, evidenciaram de que forma o sono auxilia na aprendizagem. Durante o dia o pesquisador treinou um grupo de ratos numa determinada atividade específica e percebeu que 6 horas após ocorreu o crescimento de espinhas dendríticas. Numa segunda etapa da pesquisa, dividiu o grupo de ratos em dois subgrupos, sendo que o primeiro dormiu logo após o aprendizado de uma nova atividade, e o segundo grupo permaneceu acordado. Na verificação do teste percebeu-se que o grupo que dormiu apresentou maior quantidade de crescimento de espinhas dendríticas, comprovando dessa forma que o sono auxilia a aprendizagem, porém a privação do mesmo pode ser prejudicial.
Valle (2009) ressalta que nossa saúde, a qualidade de vida e a perspectiva de uma vida longa podem depender de boas noites de sono. Entretanto, o importante nem sempre é a quantidade de horas dormidas, mas sim a qualidade das mesmas porque o sono tem a função de melhorar as funções intelectuais regulando o conhecimento e as experiências da pessoa enquanto ela dorme. Nesse sentido, faz-se necessário primar pela qualidade do sono procurando:
- dormir sem luzes, rádio ou televisão ligados, pois estes estimulam alguns de nossos sentidos fazendo com que os neurônios fiquem excitados.
- propiciar um ambiente acolhedor, com temperatura agradável;
- evitar café, cigarro, estimulantes que podem interferir no sono.
- se possível crie uma rotina saudável para dormir, pois é neste momento que são restabelecidas as energias gastas no dia e as mesmas tem grande influência sobre nossas funções vitais e cognitivas.
O sono é um dos alicerces da aprendizagem, e se essa base estiver comprometida, certamente a consolidação de nossos saberes também ficará abalado.

Referências Bibliográficas:
RIBEIRO, Sidarta. Dormir, Comer, Sonhar, Aprender. Em: https://www.youtube.com/watch?v=zDYukQ9Xjak
VALLE, Luiza, VALLE, Eduardo. REIMÃO, Rubens. Sono e aprendizagem. Revista Psicopedagogia, vol 26, nº 80. São Paulo:2009. 
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
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Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L. Sono: Alicerce da Aprendizagem.  Novo Hamburgo, 27 janeiro/ 2017. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/01/sono-alicerce-da-aprendizagem.html 

domingo, 11 de dezembro de 2016

Linguagem – Araranguá - SC

Ana Lúcia Hennemann¹
A Linguagem é um dos fatores primordiais do desenvolvimento humano. Através dela que nos comunicamos, que expressamos o que queremos, sentimos, que nos relacionamos com outros. Dentro do curso de Neuropsicopedagogia Clínica o enfoque é para a linguagem relacionada à leitura e escrita, pois quando estas não se encontram em pleno funcionamento podemos estar diante de um Transtorno Especifico de Aprendizagem que exige uma boa bagagem de conhecimento para fazer a avaliação e a intervenção.
Desta vez, a disciplina ocorreu em Araranguá, cidade de Santa Catarina. Como já havia mencionado na publicação Habilidades Matemáticas – Araranguá – SC, a cidade é belíssima e possui um maravilhoso ponto turístico que mercê destaque: o balneário Morro dos Conventos.
Embora a cidade já tenha outros profissionais de neuropsicopedagogia formados pelo CENSUPEG, esta é a primeira turma de neuropsicopedagogos clínicos que por sinal estão nas últimas disciplinas do curso, e, justamente no mês em que o “corre-corre” das atividades profissionais é imenso, principalmente para quem atua na área educacional (elaboração de provas, correção, registro de notas, escrita de pareceres, ensaio para apresentação de final de ano, etc) ainda assim há aqueles que encontram tempo para estudar, se aperfeiçoar, buscar subsídios que agreguem valor na melhora da qualidade de vida daqueles com os quais interagem ou futuramente irão interagir.
E por isso, estas pós-graduandas de Araranguá, tiveram que deixar em “modo de espera” o convívio com a família, amigos, atividades profissionais e mantiveram o foco na aula aprendendo a diferenciar quando estamos diante de uma criança que sofreu um processo de “não alfabetização” de uma que tem um Transtorno Específico de Aprendizagem, por isso passamos o dia estudando diversos aspectos que envolvem a Linguagem (Fundamentos, bases neurológicas, desenvolvimento normal e alterações).
O DSM-V nos traz critérios importantíssimos que servem de base para a avaliação da leitura e escrita, bem como, o livro Neuropsicopedagogia Clínica, de Rita Russo, foi referência essencial o qual nos apropriamos do conteúdo do capítulo III, que retrata as dificuldades de aprendizagem e principalmente nos dá subsídios para entender a complexa integração dos processos neurológicos e a evolução das habilidades básicas necessárias para a alfabetização.
Dentre os diversos instrumentos que se encontram para avaliar questões relacionados à Linguagem (Leitura e Escrita) priorizamos o estudo do CONFIAS, que tem como objetivo avaliar a consciência fonológica de forma mais abrangente e sequencial, comparando com o que é esperado com cada hipótese de escrita (psicogênese).
Como forma de aliar todo conhecimento provindo dos referencias teóricos com a pratica clínica, foi proporcionado as alunas atividades práticas, contemplando intervenção relacionada aos pressupostos da prontidão para alfabetização, e também a leitura e escrita.  

Referências:

MOOJEN, Sônia Maria. CONFIAS: Consciência Fonológica: instrumento de Avaliação Sequencial. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

RUSSO, Rita. Neuropsicopedagogia Clínica: Introdução, Conceitos, Teoria e Prática. Curitiba: Juruá, 2015.

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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325