Como a escolha de uma música pode mudar seu dia
Ana Lúcia Hennemann¹
“Canta canta minha gente deixa a tristeza prá lá, canta alto forte que
a vida vai melhorar.” - Martinho da Vila
E a atriz coadjuvante de nossas
vidas é sempre ela: a música. Estou certa? Ou poderíamos fazer a tentativa de
imaginar o mundo sem ela?
Imagine-se em atividades que
precise colocar motivação e empenho: faxina da casa, limpeza do carro ou
exercícios na academia. Certamente tudo fica mais prazeroso ao som da música
que você tanto gosta. Mas por outro lado, imagine-se acordando desanimado, saiu
de casa e encontrou alguém que lhe conta algo triste, e para completar liga o
rádio e está tocando justamente aquela música melancólica que te faz lembrar do
amor que não deu certo, de brigas com pessoas que tanto ama, do trabalho
cansativo? Sem perceber você acaba
transformando algo que já não estava bom, em pior ainda!!! E tem gente que
ainda diz: era a música perfeita para o meu dia...
Nada disso, nada de aumentar o
sofrimento. Vamos refletir sobre o assunto: por que a música exercer tamanha influência sobre
nossos sentimentos? Caso nunca tenha se
perguntado sobre isso, saiba que pesquisadores descobriram que a música tem a
capacidade de aumentar ou diminuir a produção de neurotrofinas (proteínas
responsáveis pela sobrevivência, desenvolvimento e funcionalidade dos
neurônios) afetando, assim, o funcionamento do sistema nervoso. O sistema das
neurotrofinas é capaz de regular processos celulares vitais como a liberação de
neurotransmissores, tais como a dopamina e a noradrenalina. A dopamina é um
neurotransmissor relacionado ao prazer, bem-estar e recompensas enquanto que a
noradrenalina nos proporciona excitação física, mental, e bom humor.
Assim como palavras são gatilhos
que fazem pensar em determinadas situações, sons ou imagens, a música faz isso
com maior abrangência, pois ela ativa diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo,
envolvendo áreas responsáveis por interpretar as diferentes alturas, timbres,
ritmos e modulação do sistema de prazer e recompensa envolvido na experiência
musical.
De acordo com Tolstói (1889 apud Miranda,
2013):
A música obriga a esquecermo-nos da nossa
verdadeira personalidade, transporta-nos a um estado que não é o nosso. Sob a
influência da música temos a impressão de que sentimos o que não sentimos; que
compreendemos o que na realidade não compreendemos; que podemos o que não
podemos[...] A música transporta-nos, de surpresa e imediatamente, ao estado de
alma em que se encontrava o artista no momento da criação, confundimos a nossa
alma com a dele e passamos de um estado a outro sem saber por que o fazemos.
Quanto maior a sensação de prazer relacionada
a uma música maior é a quantidade de associações que o nosso cérebro realiza
com a mesma e maior será a liberação de dopamina ou noradrenalina. A música
pode alterar nosso estado fisiológico através dos sistemas nervoso e endócrino.
Portanto, se você se quer ter um
dia agradável ouça músicas que lhe despertam sensações que promovam o seu bem-estar.
Do mesmo modo quando pensamos em questões de aprendizagem, a música pode ser um
aliado altamente eficaz. Por exemplo: que tal começar a aula com uma boa
música? Automaticamente os alunos estão sendo preparados para a recepção do
conteúdo, pois relaxam, ficam mais descontraídos (o que promove a interação
professor X aluno). Ouvir música exige o desenvolvimento da capacidade de
concentração, além de promover a criatividade pois sensibiliza o aluno.
Outra alternativa é solicitar que
eles criem músicas relacionada ao conteúdo da disciplina, com isso, há muito
maior aprendizagem, pois eles terão que utilizar os conhecimentos prévios e
evidenciá-los através das habilidades de leitura, escrita, interpretação,
ritmo, entonação de voz, e por aí adiante. Portanto, dentro do contexto
educacional a música traz o benefício de ampliar e facilitar a aprendizagem.
Seja por motivos pessoais, na
execução de uma atividade ou situação de aprendizagem, o importante mesmo é seguir
a ordem do poeta, mas com o entendimento de que ao cantar, alto e forte, a vida
vai melhor, pois “chuvinhas” de substâncias prazerosas estarão modulando seu
cérebro e, consequentemente, todo o seu organismo.
Referências:
MIRANDA, Matheus.
A música e as emoções. Disponível
online em: http://migre.me/oNqAy
MUSZKAT, Mauro. Música, Neurociência e Desenvolvimento
humano. http://migre.me/oNlcG
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva,
Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN,
Ana L. “Chuvinha” de
neurotransmissores. Novo Hamburgo, 16 de abril/ 2017. Disponível online
em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/04/chuvinha-de-neurotransmissores.html
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